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16.05.2017
Tempo de leitura: 4 minutos

Brasileiro cria aplicativo guiaderodas, que avalia acessibilidade de locais para pessoas com deficiência

Experiência de ser cadeirante fez Bruno Mahfuz buscar uma forma de ajudar outras pessoas e criar o aplicativo guiaderodas

Aplicativo guiarodas ajuda pessoas com deficiência

No Brasil, 6,2% das pessoas possuem algum tipo de deficiência, 1,3% delas com limitações físicas, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013. Bruno Mahfuz, de 33 anos, faz parte desse universo. Aos 17 anos, perdeu o movimento das pernas em um acidente de carro. A partir daquele momento, o paulistano passou a depender da cadeira de rodas para se locomover, dando de cara com obstáculos em restaurantes, bares e prédios. Foi então que nasceu o guiaderodas, um aplicativo que mapeia os estabelecimentos informando seu grau de acessibilidade.
O app é colaborativo. São os usuários que fazem a avaliação do local, com base em um banco de dados do Foursquare – app em que o público mapeia e atribui nota a estabelecimentos. O aplicativo funciona por geolocalização ou por busca de estabelecimentos e está disponível para iOS e Android em português, espanhol e inglês.

Bruno Mahfuz, fundador do app

No ano passado, o aplicativo foi reconhecido na premiação World Summit Awards – evento global organizado pela cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU). Entre os 40 aplicativos vencedores, o guiaderodas foi o único representante do Brasil, saindo com o primeiro lugar na categoria “Inclusão e Empoderamento”.
O aplicativo conta com dados de acessibilidade de 700 cidades em 32 países e está disponível gratuitamente para Android e iPhone.
Em entrevista à Fundação Telefônica Vivo, Bruno Mahfuz falou mais sobre o app. Confira a conversa abaixo:
Como surgiu a ideia do “guiaderodas”? 
Bruno Mahfuz: O guiaderodas surgiu da minha experiência de cadeirante. As pessoas com restrição de mobilidade têm dificuldade de encontrar informações sobre a acessibilidade dos locais que pretendem visitar. O guiaderodas nasceu com objetivo de disponibilizar essas informações para uma vida mais autônoma e inclusiva.
Qualquer usuário, com deficiência ou não, pode participar. A avaliação demora menos de 30 segundos. São feitas perguntas como existência de vaga de estacionamento ou manobrista, facilidade de adentrar o local, existência de banheiro para pessoas com deficiência, etc.

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Tela do aplicativo com rankings

Tela do aplicativo com rankings

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Em sua opinião, o que ainda falta para a mobilidade no Brasil melhorar?
B.M: Falta tudo. A consciência das pessoas já está despertando para o tema, porém ainda leva um tempo para que essa consciência reflita de maneira significativa nas edificações, na infraestrutura, no transporte. A maioria das cidades foi planejada em uma época em que esse assunto ainda não era devidamente considerado.
O que podemos fazer no nosso dia a dia para conscientizar as pessoas sobre o tema?
B.M: Precisamos sempre ressaltar que acessibilidade é um assunto de todos e não apenas das pessoas com deficiência. Muitos, um dia, se beneficiarão de instalações acessíveis, seja por uma simples contusão ou por envelhecimento. Acessibilidade beneficia a todos.
Tendo uma visão do aplicativo, como você avaliaria, de um modo geral, os estabelecimentos do nosso país?
B.M: De uma maneira geral, falta acessibilidade nos estabelecimentos. Essa realidade tende a mudar na medida em que a conscientização sobre o tema avançar. É um processo gradual.
Saberia dizer se há mais cadastrados com dificuldade de acessibilidade ou sem?
B.M: Cerca de 70% dos nossos avaliadores não possuem nenhum tipo de deficiência e isso nos orgulha muito.
A porcentagem surpreende você? Ou você já esperava essa aceitação?
B.M: Atribuímos esse percentual aos simpatizantes da causa e aos amigos e familiares das pessoas com dificuldade de locomoção. Sempre tivemos o objetivo de falar com toda sociedade. Nossa comunicação abrange a pessoa com deficiência, mas é destinada a todos. Não ficamos tão surpresos, mas muito felizes com o resultado.
Escolhido entre as 451 iniciativas de todo o mundo no World Summit Awards – WSA Mobile, o guiaderodas foi o único brasileiro selecionado e ganhou na categoria “Inclusão e Empoderamento”. Qual a relevância desse prêmio para o projeto?
O respaldo da ONU foi fundamental para trazer ainda mais credibilidade à iniciativa. Nosso desafio é fazer com que a mensagem chegue ao maior número de pessoas possível, e todo reconhecimento é muito bem vindo.
Com avaliações de estabelecimentos em mais de 700 cidades de 30 países, quais as expectativas para o futuro do guiaderodas?
B.M: Nossa expectativa é aumentar a atratividade da iniciativa para engajar mais pessoas na causa. Tivemos um primeiro ano excelente e espero que isso seja apenas o início.


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