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04.12.2015
Tempo de leitura: 4 minutos

Fundação Telefônica Vivo e GELP realizam oficina de retrospectiva e encerramento em SP

No encontro, que contou com a presença de agentes de diversos setores educacionais, aprendizados e conquistas da parceria foram divididos.

O dicionário define a palavra ecossistema como uma comunidade de organismos. Seu meio ambiente funciona como uma unidade ecológica na natureza. Todo e qualquer ecossistema opera porque cada um de seus componentes é interdependente do outro e, juntos, colaboram entre si, no equilíbrio ou na falta dele. Embora seja um termo aplicado à biologia, quando levado para a educação, a ideia de uma rede de pessoas que, em conjunto, trabalham para inovar o sistema faz muito sentido – e é cada vez mais necessária.

Foi pensando na atuação das redes que formam os ecossistemas de aprendizado inovadores que a Oficina de Retrospectiva e Encerramento do GELP (Global Education Leader’s Program) reuniu, na quinta-feira (3), agentes de mudança na educação. A Fundação Telefônica Vivo encerrou, neste final de 2015, seu ciclo de patrocínio exclusivo com a GELP, e o evento retomou os feitos e conquistas dessa parceria, bem como os aprendizados adquiridos durante o período de financiamento.

O convidado para palestrar foi Joseph Harrington, codiretor de Design de Serviço da Innovation Unity. Ele também esteve presente no evento da GELP, em novembro passado, que reuniu líderes globais na Nova Zelândia.

Os temas debatidos na reunião permearam questionamentos como: para que serve o aprendizado, a responsabilidade compartilhada de aprender e os ambientes inovadores de educação. “Temos evidência em todo o mundo de que os problemas dentro do sistema educacional não podem ser resolvidos pela ideia de que a escola fica isolada. As escolas precisam trabalhar entre elas, da melhor maneira possível, e se conectar com o potencial vindo de suas comunidades”, conta Harrington.

Compartilhando bons exemplos em inovação, o palestrante falou sobre as escolas Maori, da Nova Zelândia. Utilizando valores ancestrais de sua cultura, eles fazem da escola um centro de suas comunidades: “Ainda que valorizem sua herança cultural, seu passado e sua história, eles entendem a necessidade de mudança. Querem proteger, mas também querem cultivar novos hábitos. Para fazer isso, os valores dentro dos espaços educativos precisam significar algo, as ideias não podem ser dadas aos alunos: têm que ser negociadas e interpretadas”.

Experiências compartilhadas

A partir do debate sobre esse modelo, diálogos interessantes aconteceram entre as secretarias convidadas, que falaram sobre as dificuldades de se resgatar as culturas tradicionais brasileiras dentro de espaços educativos tão conversadores. As experiências apresentadas também questionaram barreiras e dispositivos que possam auxiliar a mudança do sistema educacional brasileiro. Mila Gonçalves, gerente de projetos sociais da Fundação Telefônica Vivo, lembrou que não é mais suficiente melhorar o que está ruim e que, na atual crise vivida na educação, as medidas devem ser disruptivas e inovadoras.

Uma dinâmica foi proposta aos participantes da oficina após as palavras de Joseph Harrington: eles se dividiram em dois grupos e, usando um guia montado pelo palestrante, tiveram de enquadrar experiências de inovação educativa. Diante dos exemplos dados – como a Quest to Learn, escola nova-iorquina cujo currículo é baseado nas estruturas dos videogames, ou a Learning at Taonga Market, programa de ensino a distancia na Zâmbia que transforma um rádio qualquer lugar em uma sala de aula – os convidados propuseram questões sobre o que realmente significa inovação e como ela é aplicável na realidade brasileira.

Ao fim da experiência, todos compartilham uma retrospectiva sobre as conquistas da GELP Brasil. Rafael Parente, fundador do LABi – Laboratório de Inovação Brasileira e representante do GELP, ressalta que agora o momento é de parada e reflexão para a tomada dos próximos passos: “Queremos entender o que foi mais poderoso dessa experiência até agora, tanto para os gestores públicos quanto para as redes de transformação e, a partir daí, sair da questão de reflexão e de discussão e colocar a mão na massa”.

Ainda que a realidade educacional brasileira pareça distante de um ecossistema ideal de educação, é visível que iniciativas como GELP e o grupo formado ao redor dele são essenciais para que a cultura de aprendizado inovador deixe o papel e seja implementada factualmente nos espaços educacionais do país. Para que isso aconteça, terceiro setor, indústria, escola, comunidade, pais e alunos devem estar engajados na premissa seguida do GELP e pela Fundação Telefônica Vivo: transformar a educação.


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