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21.08.2017
Tempo de leitura: 4 minutos

Painel Jovem dá voz a estudantes no evento Educação 360 Tecnologia

Roda de jovens no Educação 360 Tecnologia debateu temas como redes sociais, tecnologia e necessidade de maior autonomia na educação

Roda de jovens debateu temas como redes sociais, tecnologia e necessidade de maior autonomia na educação
“Eu tenho vontade de falar, mas muitas vezes na escola nós alunos não temos voz”. A frase sincera do adolescente João Paulo do Nascimento deu início ao Painel Jovem, roda de conversa inserida na programação do evento Educação 360 Tecnologia, realizado dia 7 de agosto no Museu do Amanhã, centro do Rio.
O painel foi criado para ser espaço de fala daqueles que são os protagonistas a educação: os estudantes de 13 a 18 anos. Reconhecendo essa importância, a programação abriu espaço para que eles, ao lado de especialistas de diversas áreas, dessem sua opinião sobre as possibilidades de utilização da tecnologia no processo educativo.
Caio Dib, criador do Caindo no Brasil, projeto que mapeia iniciativas inspiradoras em educação feitas por jovens, foi o responsável pela mediação do painel da manhã, ao lado do educador norte-americano e palestrante Marc Prensky. “Não tem sentido um evento sobre educação sem o estudante, que é para quem estamos trabalhando”, disse Caio.
O modelo do painel era simples: os mediadores lançavam uma provocação e, na sequência, passavam o microfone para os jovens. Não havia limite de tempo e nem assuntos tabus. O importante era que todos fossem ouvidos.
Os primeiros adolescentes a partilhar anseios no painel da manhã foram estudantes da EM André Urani, uma das seis participantes do Inova Escola, programa da Fundação Telefônica Vivo que apoia instituições inovadoras.

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Museu do Amanhã, no centro do Rio, foi o local escolhido para sediar o evento

Museu do Amanhã, no centro do Rio, foi o local escolhido para sediar o evento

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A escola, localizada na periferia do Rio de Janeiro, aposta em uma metodologia multidisciplinar e multisseriada, em que estudantes aprendem a partir de temas com os quais têm afinidade. Também tem uma relação especial com tecnologia, se valendo de tablets e acesso à internet para incluir a pesquisa na rotina dos estudantes.
João Paulo, ex-aluno da EM André Urani, defendeu o respeito à autonomia dos estudantes. “O mais bacana é que os professores acreditam em nós. Eles não têm medo que usemos o computador para ficar vendo vídeos no Youtube. Nos dão liberdade e nos deixam estudar”. Para o jovem os dispositivos digitais fazem com que a pesquisa se torne muito mais dinâmica e personalizada, atendendo as necessidades de cada um dos alunos.
O uso de redes sociais, como o Facebook, foi outro ponto discutido pelos jovens, e dividiu opiniões: enquanto alguns consideravam um desrespeito acessá-las dentro da sala de aula, outros defendiam que a utilização demonstrava a ineficácia da escola e do educador em produzir um conteúdo suficientemente cativante.

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Ex-alunos da EM André Urani durante bate-papo no painel

Ex-alunos da EM André Urani durante bate-papo no painel

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“Essas ferramentas fazem parte da nossa cultura, nascemos com elas. É muito mais fácil aproveitar do que tentar tirar. O que a escola tem que entender é que aprendemos com o outro. Quanto mais contato e interação, mais conteúdo estamos aprendendo”, opinou David Pinto Medeiros, estudante do colégio NAVE.
Na segunda parte do painel, mediada apenas por Caio Dib, foi a vez das garotas expressaram o desejo de que a escola considere a tecnologia não só como ferramenta de aprendizado, mas também como um dispositivo de empoderamento feminino. “Como uma menina vai optar por um curso de tecnologia quando esse universo não é oferecido para ela na escola?”, indagou a estudante Julia Almeida, de 16 anos.
Ela participou de dois projetos debatidos na roda de conversa: o Technovation Challenge, programa de incentivo à programação para meninas, e o Mind the Gap, encontro da Google para diminuição na disparidade de gênero na área das ciências exatas.
A capacidade de articulação dos alunos presentes no Educação 360 Tecnologia deixou o público admirado. Mas não foi surpresa para Marc Prensky, que respondeu que eles realmente eram incríveis, mas que todos os jovens são – basta apenas que os adultos estejam dispostos a escutá-los. “A maior revolução que qualquer adolescente pode fazer é ajudar a levar a internet e o debate sobre tecnologia para dentro da sua escola. Ele já é empoderado. Por que não ajudar suas escolas e educadores a serem também?”, questionou Prensky.

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Painel teve a participação de estudantes de 13 a 18 anos

Painel teve a participação de estudantes de 13 a 18 anos

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