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01.11.2017
Tempo de leitura: 4 minutos

A experiência da Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa

Palestra com pesquisador do MIT Media Lab destaca a força da educação mão na massa feita por uma comunidade ativa de educadores

Palestra com pesquisador do MIT Media Lab destaca a força da educação mão na massa feita por uma comunidade ativa de educadores

A aprendizagem criativa já é uma realidade em diversas partes do Brasil e do mundo. São pais, empreendedores, artistas, organizações e educadores engajados que inovam nas abordagens educacionais, utilizando os recursos e as ferramentas que têm à disposição.

Com o intuito de conectar pessoas que seguem essa mesma filosofia de ensino mão na massa é que foi criada a Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa, em 2015.

A iniciativa surgiu a partir de uma união entre o Programaê – portal feito em parceria pela Fundação Telefônica Vivo e a Fundação Lemann, que agrega jogos, ideias e soluções voltadas para o uso da tecnologia na educação – e o Lifelong Kindergarten Group, programa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.

A Conferência Scratch Brasil 2017 aconteceu nos dias 5, 6 e 7 de outubro, no auditório do Centro de Difusão Internacional (CDI) da Universidade de São Paulo. O evento uniu interessados em criar, compartilhar e aprender com a plataforma de programação Scratch.Palestras, mesas redondas, oficinas e mostras interativas ajudaram a fomentar o debate sobre o ensino de programação e lógicas computacionais na sala de aula.

A conferência contou com cobertura nas redes sociais e transmissão via streaming.  A novidade ficou por conta de um evento paralelo organizado pelo Programaê com especialistas comentando as palestras, em tempo real, com transmissão ao vivo via Facebook. Acesse o site www.scratchbrasil.org/ para ver a cobertura

No início de outubro, a Rede foi apresentada ao público pelo diretor do Programa Lemann de Aprendizagem Criativa do MIT Media Lab, o brasileiro Leo Burd, durante palestra da Conferência Scratch Brasil 2017 (veja quadro ao lado).

“Aqui no Brasil há diversas iniciativas interessantes e qualificadas de aprendizagem criativa, porém feitas de maneira isolada. O objetivo da Rede é identificar indivíduos e organizações que já trabalham com a temática e fazer com que possam atuar juntos”, esclarece Leo.

Há 17 anos trabalhando no MIT, o pesquisador conta que a Rede é uma das três áreas de atuação do Programa dentro do Media Lab, que também contempla a aprendizagem através da programação e a construção no mundo físico.

Jardim de Infância para a vida toda

O centro de pesquisa do MIT onde Leo trabalha conta com cerca de 500 pessoas, divididas em grupos diversos, dentre eles o Lifelong Kindergarten Group (Jardim de Infância para vida toda), liderado pelo professor Mitchel Resnick, o criador da linguagem de programação Scratch, que dá nome à conferência.

Leo conta que o nome do grupo é inspirado na etapa escolar em que as crianças aprendem de forma mais aberta, com acesso a uma série de materiais e liberdade para construir coisas.
“Depois do jardim da infância a dinâmica de aprendizagem muda, e muita coisa se perde nesse processo. Criatividade, colaboração e autoestima são essenciais para o desenvolvimento do ser humano”, afirma.

Dentre os projetos mais populares do grupo, o pesquisador destaca o kit de robótica, as propostas de atividade de baixo custo e as iniciativas que envolvem a linguagem de programação Scratch, o carro-chefe da casa com mais de 25 milhões de projetos compartilhados.

Palestra da Conferência Scratch Brasil 2017

Além da programação

Apesar do tema central da conferência ser a linguagem Scratch, o palestrante ressalta que o intuito do encontro é utilizar a ferramenta para inspirar novas ideias e ir além da tecnologia.
“As ideias são tão ou mais importantes do que as ferramentas. Às vezes pensamos em utilizar a tecnologia de uma maneira que acelere os processos, mas se a gente quer mudar as pessoas, também precisamos mudar os espaços e a abordagem,” diz.

O pesquisador terminou a palestra convidando mais educadores a se juntarem à Rede, que segue em processo de construção, para fortalecer a cultura da aprendizagem criativa e dos espaços makers em todo o país.

“O Brasil precisa de gente inovadora e mão na massa que saiba usar os recursos de uma maneira eficaz e criativa. Não basta digitalizar a lousa, é preciso fazer mais do que isso para mudar a educação”, conclui Leo Burd.


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