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29.03.2018
Tempo de leitura: 4 minutos

Estudantes brasileiros visitam feira de ciências de Barcelona

Com apoio da Fundação Telefônica Vivo, três estudantes de escolas públicas de São Paulo tiveram a chance de realizar intercâmbio cultural transformador

Duas meninas e um menino, na faixa de 16 anos, posam para foto ao lado da professora que os acompanha na viagem à Barcelona. Eles seguram moldura de papel , uma brincadeira que os faz parecer estarem dentro de um quadro.

No dia 20 de março, um misto de tensão e euforia tomava conta do voo JJ 811-4, que partiu do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, com destino a Barcelona, na Espanha. Estavam a bordo três jovens pesquisadores e uma educadora, que saíam pela primeira vez do país rumo a um intercâmbio cultural transformador.

Larissa Souza Galvão, Mariana Oliveira da Costa Silva, ambas de 16 anos, e Guilherme Barbosa Marcondes, de 17 anos, ficaram entre os 30 finalistas da Feira de Ciências das Escolas Estaduais de São Paulo (FeCEESP). Graças à assiduidade nas aulas e à participação em outras feiras regionais, eles foram escolhidos entre estudantes do ensino fundamental e médio para visitar a Exporecerca Jove, feira de ciências e tecnologia do país catalão.

A viagem foi oferecida pela Fundação Telefônica Vivo, em parceria com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, responsável pela seleção. Larissa e Mariana, que estudam na Escola Estadual Professor Gabriel Pozzi, em Limeira, desenvolveram uma telha ecológica de baixo custo usando como matéria-prima o bagaço da laranja. O material é uma alternativa para habitações populares e diminui a quantidade de resíduos gerados na cidade, uma das maiores produtoras nacionais de suco de laranja.

Já Guilherme Barbosa, da Escola Estadual Afonso Cafaro, de Fernandópolis, desenvolveu uma massa sustentável para a construção civil, feita com triturado de garrafa PET. Além de diminuir o impacto ambiental, o produto é mais barato e leve, reduzindo o esforço dos trabalhadores responsáveis pela instalação.

O trabalho de Guilherme também foi escolhido para representar o Brasil na Genius Olympiad, maior feira de ciências e tecnologia do mundo voltada para estudantes. O evento acontece em junho, em Nova York, EUA.

Experiência no exterior

Durante os quatro dias de viagem, o grupo brasileiro conheceu de perto os trabalhos expostos na feira e bateu papo com estudantes de vários lugares do mundo. Ainda teve tempo para explorar a cultura local e as belas paisagens da capital catalã.

“Conhecemos pessoas interessantes e vimos que os problemas que elas enfrentam por lá são muito diferentes dos nossos”, conta Guilherme, que se sentiu empolgado ao perceber que, como ele, muitos jovens lutam para solucionar problemas ambientais.

Para Larissa, a viagem internacional expandiu seu conhecimento. “Sinto que amadureci”, diz a estudante, entusiasmada em continuar suas investidas em projetos científicos. “Tenho um grande carinho pela área de exatas, penso em cursar engenharia civil.”

Mariana, que pretende fazer faculdade de arquitetura, disse que ficou encantada com Barcelona. “Tive a oportunidade de ver edifícios tão lindos que me motivaram ainda mais a seguir na área que escolhi.”

A educadora Fernanda Cristina Aléssio Miranda acompanhou os adolescentes na viagem. Diretora da Escola Estadual José Belucio, ela criou há dois anos a Mostra de Ciências e Tecnologia de Fernandópolis e região, com a intenção de levar ao interior de São Paulo um evento que só ficava na capital.  A iniciativa foi recompensada pelo que presenciou na Espanha:

“É muito transformador ver estudantes com poucos recursos financeiros tendo a oportunidade de conhecer o mundo. Eles são um exemplo para outros jovens acreditarem em seus sonhos”, diz a educadora.

Incentivo à ciência

Oferecer a chance de projetos de destaque participarem de feiras nacionais e internacionais é o grande objetivo da FeCEESP, afirma Ana Joaquina Simões Sallares, representante da Secretaria de Educação de SP e coordenadora da feira de São Paulo. “O intercâmbio desenvolve nos jovens o senso crítico e contribui para a autonomia. O incentivo à ciência e ao projeto de pesquisa amplia as perspectivas de vida.”


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