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27.02.2018
Tempo de leitura: 3 minutos

Futuro do livro didático pode estar nos recursos educacionais abertos

Saiba mais sobre os REA, modelo criado há dez anos que consiste em materiais de ensino, aprendizagem e pesquisa disponíveis em qualquer tipo de mídia digital

Saiba mais sobre os REA, modelo criado há dez anos que consiste em materiais de ensino, aprendizagem e pesquisa disponíveis em qualquer tipo de mídia digital podem ser o futuro do livro didático

Comemora-se hoje, 27 de fevereiro, o Dia Nacional do Livro Didático. Para Priscila Gonsales, diretora executiva do Instituto Educadigital (IED), a data merece atenção. “As formas de produção e uso do livro certamente precisam mudar, precisam se reinventar. E isso não pode ser feito apenas pelas tradicionais empresas-editoras, mas sim num processo de inovação aberta”, afirma.

Segundo Priscila, o futuro aponta para um ensino com mais interação entre alunos e professores, uma vez que a “cultura de compartilhar” já está imposta pelos novos meios tecnológicos. “O velho esquema de apenas especialistas produzindo e entregando [livros didáticos] prontos para as escolas sem dúvida está com os dias contados”, comenta.

Uma nova alternativa aos tradicionais livros didáticos de papel são os Recursos Educacionais Abertos (REA): materiais de ensino, aprendizagem e pesquisa sob domínio público ou licenciados de maneira flexível, disponíveis em qualquer tipo de mídia ou suporte digital. Esse modelo foi criado há 10 anos, com o marco da Declaração de Educação Aberta de Cape Town (saiba mais nessa linha do tempo). Desde então, países como África do Sul, Estados Unidos e Alemanha chegaram a implementar políticas públicas de investimento em materiais educativos abertos.

No Brasil, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) já instituiu termos e normativas que focam em REA, e o Ministério da Educação e Cultura (MEC) também lançou o edital 2019 do Plano Nacional do Livro Didático, que pela primeira vez traz uma cláusula que determina o uso de licença Creative Commons para o material digital complementar no livro do professor. Ainda assim, muitos torcem o nariz para essa novidade, principalmente as publicadoras de livros didáticos.

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Para a diretora executiva do IED, é necessário que se pensem modelos de negócio que sejam muito mais “serviços” e menos “produtos”. “Acredito que a resistência é ao novo, à mudança de um modelo que há anos se estabeleceu de compra e venda envolvendo empresas de livros e governo”, afirma.

Apesar das dificuldades, Priscila só vê vantagens no modelo de REA. Segundo ela, aumenta-se muito as possibilidades de produção e o compartilhamento de ideias e propostas, o que incentiva a formação continuada dos professores, além da facilidade de adaptação conforme o contexto educacional e escolar. Entretanto, para que haja uma evolução no processo de democratização da educação, o tema precisa ser melhor compreendido de um modo geral.

“Há sim um temor em relação ao modelo REA porque ainda se confunde ‘aberto’ com ‘gratuito’”, diz a diretora. “A política pública, os editais, precisam evoluir, e os departamentos jurídicos precisam conhecer outras possibilidades de contratação.”

O site Iniciativa Educação Aberta traz um material completo sobre os Recursos Educacionais Abertos. O portal reúne produções e projetos da Cátedra UNESCO em Educação Aberta e do Instituto Educadigital e oferece também cursos e oficinas sobre o tema. Exceto onde indicado de outra forma, todos os conteúdos disponibilizados no site são licenciados sob uma licença Creative Commons Atribuição Compartilhe Igual.


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