Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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30.11.2016
Tempo de leitura: 5 minutos

O que é ser jovem aprendiz no Brasil?

Crédito: Adriana Manfredini/Correios

Por Tânia Carlos, do Promenino, com Cidade Escola Aprendiz

Boy, contínuo, office boy, garoto dos recados, almoxarife. Esses são, historicamente, alguns nomes dados aos auxiliares de escritório, geralmente iniciantes, que trabalhavam levando papelada para lá e para cá e cuidavam dos documentos das empresas. A profissão tanto cresceu que ganhou novas funções, cursos e até uma data comemorativa: 13 de abril, Dia do Office Boy.

A fim de assegurar que essas e outras funções executadas por jovens sejam seguras e construtivas, existe o Programa Jovem Aprendiz, que conecta a escola ao ambiente de trabalho. A inciativa, transformada em lei, garante que  garotos e garotas entre 14 e 24 anos tenha condições de se desenvolver e estudar enquanto trabalha. Afinal, o trabalho adolescente protegido deve vir como um aprendizado, orientado por um responsável, e não deve ultrapassar o máximo de seis horas diárias.

O Promenino conversou com dois jovens e com as empresas nas quais trabalham sobre a função de “office boy” e sobre a importância do Programa Jovem Aprendiz. Confira.

“O Programa Jovem Aprendiz me trouxe a experiência de trabalhar numa grande empresa”

Jonatha de Oliveira tem 20 anos e é aprendiz de auxiliar administrativo há sete meses. Quando não está na unidade dos Correios localizada na Vila Leopoldina, Zona Oeste da capital paulistana, estuda no Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), para aprimorar os conhecimentos na área administrativa. É um aprendizado triplo para ele, que também cursa o segundo ano do Ensino Médio, no período da manhã.

Das 13h às 17h, o jovem alterna suas diárias pelos Correios ou pelo Senai e, em suas horas vagas, gosta de fazer academia e treinar. No Senai, assim como na escola regular, o estudante tem provas e trabalhos. Já nos Correios, a escola é a prática. “Eu cuido dos processos de ações diretas de sindicância. São processos internos que tratam de irregularidades dentro da empresa. Eu arquivo os processos, tiro cópias… Basicamente, cuido da papelada”, explica, didático.
Os funcionários dos Correios lhe ensinam bastante. “Sempre que tenho um processo em mãos, alguém me ajuda a entender o conteúdo”, conta. “Aqui, eles dão muita atenção ao jovem. Te motivam, te incentivam, dão conselhos. É tudo um aprendizado.”

A Lei 10.097/2000 estabelece a obrigatoriedade das empresas de contratar jovens aprendizes em número correspondente a 5% a 15% dos trabalhadores existentes em cada estabelecimento

Se quisesse, Jonatha poderia trocar de área na empresa, mas tem gostado tanto da experiência que pensa em prestar vestibular para o curso de Administração. Recomenda que outros jovens, especialmente os que ainda não completaram 18 anos, se inscrevam no projeto. “Afinal, é preciso começar de algum lugar.” Que comecemos aprendendo, então.

“O Programa propicia ao jovem formação técnico-profissional básica e desenvolvimento pessoal e, consequentemente, contribui para o desenvolvimento do país”, afirma Ângela Rosa da Silva, gerente de desenvolvimento de programas de sustentabilidade social dos Correios.

“Um adianto para quem quer vencer”
Robson Matheus completou 18 anos e ingressou no curso de Administração de Empresas em uma faculdade particular do bairro de Bonsucesso, no Rio de Janeiro. Quase ao mesmo tempo, tornou-se auxiliar administrativo como Jovem Aprendiz numa fábrica de cosméticos, a Beleza Natural, onde trabalha e aprende desde janeiro.

Robson chega ao seu posto de trabalho às 8h. Lida com documentos importantes que aos poucos vai decifrando e compreendendo. Sai de lá às 14h. Por volta das 15h, chega em casa, também em Bonsucesso, e quase não há tempo para abstração: já se prepara para sair e pegar o ônibus às 17h, rumo à universidade.

Além da graduação, Robson faz o curso para aprendizes no Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). No dia do curso não tem trabalho – essa é a regra para ser aprendiz. Na faculdade, conta Robson, ele aprende muita teoria, enquanto no curso de auxiliar administrativo no CIEE descobre mais coisas práticas. “Gosto de ambos”, diz. E, apesar da correria, não pretende parar de trabalhar, tampouco de estudar: quando o período de aprendiz chegar ao fim. “Espero que exista vaga para efetivação na empresa.”

Questionado sobre a importância do programa, Robson se diz sem palavras para definir o quanto a experiência tem sido importante em sua vida. “Os jovens aprendizes têm um grande adianto, principalmente os menos favorecidos, que não têm a oportunidade de cursar uma faculdade, de sair da localidade na qual vivem. O [Programa] Jovem Aprendiz é uma grande contribuição para quem quer vencer. No final do curso, o jovem pega o diploma e isso é algo que conta no currículo.”

A despeito das boas expectativas, Robson faz um alerta. “É importante prestar atenção na descrição do trabalho do aprendiz na carteira de trabalho para saber se é coerente com a prática.” Segundo ele, existem relatos de jovens que trabalham em empresas que lhes delegam funções que não foram acordadas na contratação. “O trabalho de aprendiz dever ser fiscalizado. Se você é jovem, você tem que ser tratado como jovem”, ressalta.

Para Elizabet Alvarez, coordenadora da Área de Gente do Beleza Natural, “é natural e gratificante proporcionar a inserção do jovem no mercado de trabalho. Criamos uma possibilidade de futuro, proporcionamos a possibilidade de aprendizagem em um negócio e abrimos possibilidades de contratação como colaboradores.”

Leia mais: 50 perguntas sobre trabalho infantil e trabalho protegido


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