Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.

Notícias

29.07.2022
Tempo de leitura: 5 minutos

O que é um Hackathon e como ele pode inovar a aprendizagem no Ensino Médio

Além de aproximar estudantes do Ensino Médio do mercado de trabalho, hackathon desenvolve competências como liderança e trabalho em equipe

Aluna em frente ao computador, gerando códigos e praticando a programação.

A estudante Sara Beatriz, de 18 anos, foi uma das vencedoras do Changemakers Teens 2021, um hackathon dedicado a estudantes de toda a América Latina. A maratona de programação estimulou os jovens participantes a desenvolver, em suas comunidades, soluções que contribuíssem para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A equipe de Sara, composta por três estudantes pernambucanos, um carioca e um paranaense, criou o “SOS Tropical”, um protótipo de jogo que incentiva as pessoas a utilizarem meios de transporte menos prejudiciais ao meio ambiente, evitando ao máximo o uso de carros. A plataforma virtual usa a geolocalização dos usuários para saber suas posições, e cada vez que eles optarem por não utilizar o carro, ganham créditos para serem utilizados em lojas parceiras, além de descontos nas contas de água e luz.

A iniciativa foi premiada no hackathon, e deixou um gostinho de “quero mais” nos estudantes. “Participar de eventos assim, sem dúvida, dá mais motivação e vontade de aprender para mim e meus colegas”, afirma Sara, estudante do terceiro ano da EREM João David de Souza, localizada em Santa Maria do Cambucá, no agreste pernambucano.

A palavra hackathon é a combinação dos termos hack (programar) e marathon (maratona). Nesses eventos, que podem durar de um dia a uma semana, programadores, designers e outros profissionais de desenvolvimento de software se reúnem para a solução de um problema dado pela organização. A solução encontrada é sempre um produto de todos que participaram da maratona.

Afinal, de que forma os hackathons podem ser espaços que impulsionam a aprendizagem no ensino médio brasileiro? Como as escolas podem integrar esse conceito em suas rotinas, fazendo com que mais estudantes participem de maratonas educativas de programação?

 

Aprendizagem intensa de programação

Atualmente, muitos hackathons têm apostado em equipes formadas por estudantes do ensino médio. Em paralelo, redes estaduais de ensino têm enxergado nesses eventos uma oportunidade de aprendizagem intensa de programação para seus estudantes. É o caso de Pernambuco, onde a Secretaria de Educação e Esportes (SEE) divulga hackathons em suas escolas.

“O hackathon estimula o protagonismo dos estudantes. Também vemos a proatividade das escolas e professores em incentivar os estudantes a participarem desses eventos”, afirma Paulo Bruno de Brito, gestor de mais de 300 escolas de jornada integral de 45h no estado. “O conteúdo, voltado para a linguagem da programação, é eminentemente necessário hoje em dia, em especial na vida dos jovens.”

Por isso, o gestor acredita que o conceito de hackathon poderia ser adicionado ao calendário escolar. “Como uma metodologia ativa, o hackathon pode funcionar como um diferencial no dia a dia da escola. Em nossa rede, 75% dos estudantes estão no ensino médio integral – ou seja, a maioria deles passa o dia todo na escola. Imagine o quanto aulas que trazem desafios e interação entre a turma podem fazer com que o ambiente escolar se torne ainda mais prazeroso?”, questiona Paulo.

 

Hackathon: estudante como sujeito ativo

Além de ter um grande potencial pedagógico, ao fomentar a criatividade individual e coletiva e permitir o desenvolvimento de novas habilidades, o hackathon estimula a experimentação de ideias e amplia a capacidade de comunicação dos participantes.

Diretor da EREM João David de Souza, Douglas Alves de Lima aponta como o sucesso de Sara Beatriz no Changemakers Teens 2021 impactou a escola, impulsionando o que ele define como aprendizagem compartilhada. “Fizemos rodas de conversa com ela, chamando estudantes que também têm interesse em programação e mobilizando a comunidade escolar para que ações como essa possam acontecer com mais frequência”, afirma. “Um hackathon consegue fazer o que a gente pretende com o estudante: colocá-lo como sujeito ativo de sua própria aprendizagem.”

Douglas enxerga nesse tipo de evento uma abordagem interessante do processo de ensino-aprendizagem. “A aprendizagem é melhor se o aluno lançar uma questão do que ter uma resposta pronta. O professor precisa instigar o aluno à crítica através de teorias, ideias, hipóteses. Quando um jogo o faz problematizar, buscar soluções e trabalhar em equipe, com certeza isso vai trazer resultado.”

Ainda, a aproximação dos estudantes com a programação é um elemento de destaque. “O uso dos meios de comunicação modernos não pode mais ser descartado do processo de ensino. O aluno é nativo digital, e por mais que tenhamos dificuldades no acesso aos instrumentos tecnológicos, não podemos ignorar mais esses elementos.”

 

Hackathon para resolver questões da escola

Outro estudante que participou da equipe vencedora do Changemakers Teens 2021 é Thiago Pereira, da EREM Cabo de Santo Agostinho. Sua inscrição no evento foi incentivada pelo professor de Física da escola, Elenilton Xavier. “Como professor, acompanhei todo o processo, e estava empolgado junto com eles”, confessa.

O docente reforça que uma das intenções do Novo Ensino Médio é aproximar os estudantes do mercado de trabalho, e o hackathon pode ajudar nesta jornada. “A experiência os ajudou a trabalhar em equipe, pensar a gestão de projetos e criar liderança”, observa. “A geração atual vai se formar com um potencial muito grande para o mercado da tecnologia da informação.”

E se o próprio espaço escolar fosse palco para hackathons, para que grupos de estudantes proponham soluções para problemas do ensino médio? “Estamos começando a pensar de que forma essa ideia poderia ser aplicada na escola”, revela Elenilton. “A vida escolar é bem viva. Sem dúvida, vamos conseguir adaptar um problema escolar para o formato de hackathon. Mas a falta de estrutura é um obstáculo que teríamos que vencer.”


Outras Notícias

IA na educação: o que dizem MEC, BNCC e especialistas sobre o uso nas escolas

02/07/2026

IA na educação: o que dizem MEC, BNCC e especialistas sobre o uso nas escolas

Diretrizes da Base Nacional Comum Curricular - Computação e outros documentos mostram como usar inteligência artificial com foco em equidade, formação de professores e proteção de dados

Cidadania digital e respeito às diferenças: o papel da BNCC Computação e do ECA Digital na escola

25/06/2026

Cidadania digital e respeito às diferenças: o papel da BNCC Computação e do ECA Digital na escola

No mês do Orgulho LGBT, dados apontam o avanço do discurso de ódio online contra a população LGBTQIA+ no Brasil; BNCC Computação e ECA Digital indicam caminhos para que a escola forme estudantes preparados para uma convivência ética, crítica e responsável no ambiente digital

10 bibliotecas digitais gratuitas para usar na escola

19/06/2026

10 bibliotecas digitais gratuitas para usar na escola

Saiba como usar bibliotecas digitais gratuitas em sala de aula e por que a mediação do educador é essencial para a aprendizagem e leitura

Informe Social 2025: Fundação Telefônica Vivo impacta 2,2 milhões de estudantes da rede pública

17/06/2026

Informe Social 2025: Fundação Telefônica Vivo impacta 2,2 milhões de estudantes da rede pública

Relatório reúne principais resultados, iniciativas e aprendizados do ano, com foco no fortalecimento da educação pública por meio do uso qualificado da tecnologia

Kits tecnológicos ampliam acesso à educação digital e fortalecem aprendizagem em escolas públicas do Nordeste 

11/06/2026

Kits tecnológicos ampliam acesso à educação digital e fortalecem aprendizagem em escolas públicas do Nordeste 

Maletas com notebook, roteador, tablets e headphones chegam a escolas públicas por meio de uma parceria global entre American Tower e ProFuturo, que combina infraestrutura, tecnologia e formação docente para fortalecer a aprendizagem em matemática 

Além da técnica: como a EPT prepara jovens para as competências mais demandadas pelo mercado

02/06/2026

Além da técnica: como a EPT prepara jovens para as competências mais demandadas pelo mercado

Das 10 habilidades mais exigidas pelos empregadores, 5 são soft skills como criatividade e resiliência, aponta pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial; EPT se destaca ao combinar aprendizado técnico e interpessoal