Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.

Notícias

15.10.2018
Tempo de leitura: 5 minutos

1º desenho animado em Libras dá passo importante para inclusão

Além de marcar o acesso e a representatividade das crianças surdas, Min e as Mãozinhas também ensina a Língua Brasileira de Sinais a ouvintes. Assista!

Na imagem, a personagem Min está deitada em um sofá segurando um celular

Como toda criança, Giovanna, de 3 anos, adora desenhos animados. A surdez, porém, a limita a assistir apenas a desenhos com intérprete. Mas aí se cria um problema: ou presta atenção na intérprete que fica ali no cantinho da tela, ou foca na história. “Muita coisa ela assiste sem entender, essa é a verdade”, conta a mãe Paloma Almeida. Talvez por isso ela tenha ficado eufórica ao se deparar com Min e as Mãozinhas, o primeiro desenho animado em Libras, a Língua Brasileira de Sinais.

Paloma Almeida em cabelos compridos e usa batom rosa. Ela está abraçada à filha, Giovanna, que tem 3 anos e usa um laço rosa na cabeça. As duas sorriem para a foto

“A gente só passa a entender a importância de uma iniciativa dessas quando alguém na família com deficiência. Esse desenho é muito relevante para a sociedade e, em especial, para as crianças surdas que passam a ver aquilo que faz parte do mundo delas”, Paloma Almeida, mãe de Giovanna.

Lançada no Youtube no dia 26 de setembro, na celebração do Dia Nacional do Surdo, o desenho animado em Libras foi pensado para transpor algumas das barreiras de acessibilidade enfrentadas pelos quase 10 milhões de brasileiros com deficiência auditiva. Segundo o animador e criador do projeto, Paulo Henrique Rodrigues, de 28 anos, além de permitir a inclusão, a animação também foi pensada para ensinar as crianças ouvintes a se comunicar em Libras.

A intenção é desdobrar a história em uma série com 13 episódios. “Cada episódio traz cinco novos sinais, que vão se repetir ao longo da animação para facilitar o aprendizado. Assim, as crianças vão reforçando o vocabulário e, ao final da temporada, terão condições de ver uma história mais complexa”, explica o animador. Paloma aprova a ideia, embasada pela própria experiência: “vejo pelos amigos da Giovanna que eles têm interesse em se comunicar melhor com ela e aprendem muito rápido”.

O desenho animado em Libras também foi marcante para as crianças coda (sigla em inglês para Children of Deaf Adults), filhas de pais surdos. Quando Sabrina Lage descobriu a animação, rapidamente chamou a filha Catharina, de 2 anos. “Assistimos juntas pela primeira vez! Ela gostou tanto que pediu para ver repetidas vezes. Ficou fascinada ao reconhecer os mesmos códigos que usamos para nos comunicarmos, como o piscar das luzes”, relata.

Olha eu ali!

Na imagem, a personagem Min interage com um esquilo

Min é uma garotinha surda que faz amizade com os animais da floresta. A comunicação se torna possível quando ela passa a ensinar aos amigos alguns sinais simples, como “oi”, “bom dia” e “boa noite”, assim como as letras que compõem seu nome. Além da forma inovadora de apresentar Libras na linguagem audiovisual, a animação reforça a representatividade.

“Minha prima é surda, tem 11 anos e amou o desenho! Disse que finalmente fizeram um trabalho em que a personagem é como ela”, relatou Caroline Amanda, em um dos comentários na página da animação. Outro comentário, de Isabela Dias, pede que a animação continue: “Sou intérprete de Libras e chorei vendo o desenho. A representação é muito importante para os surdos, é o mundo da inclusão que se abre para as crianças”.

O fato de que a primeira animação voltada para crianças com deficiência auditiva chegar só em 2018 diz bastante sobre o quanto ainda o país precisa investir em inclusão. “Descobrir que éramos pioneiros foi surpresa até para nossa equipe”, relata Paulo. “Aqui no Brasil são mais de 100 anos de animação e até agora nada foi feito pensado nesse público! Temos que olhar mais para a realidade do outro”.

“Desenho, documentário, filme, qualquer recurso informativo precisa chegar até as pessoas para que elas se percebam como agentes de transformação. É preciso desconstruir preconceitos e reconstruir um novo olhar sobre inclusão. Convido a todos que se aproximem e se abram para conhecer as pessoas com deficiência, só assim conseguimos superar as barreiras que nos separam”, Sabrina Lage, surda e mãe da ouvinte Catharina.

Uma luta pela sustentabilidade

Desde a estreia, a animação já teve quase 150 mil visualizações, mas a luta agora é para conseguir patrocínio para a produção dos novos episódios. O criador, Paulo, aposta em financiamento coletivo. Outra estratégia é ressaltar a importância da iniciativa com exibições presenciais, que já foram realizadas com mais de 400 crianças do Estado de São Paulo.
“Eu faço uma brincadeirinha com as crianças ouvintes. Antes de começar a sessão de Min e as Mãozinhas, coloco na tela um desenho qualquer no mudo. Quando elas reclamam que não estão entendo a história, aproveito para dizer que é exatamente assim que uma criança surda se sente quando tenta assistir os programas que eles assistem”, conta o animador.
Ficou curioso? Assista ao desenho aqui:

Assistir Vídeo

Outras Notícias

12 jogos gratuitos para desenvolver pensamento computacional e raciocínio lógico na escola

20/07/2026

12 jogos gratuitos para desenvolver pensamento computacional e raciocínio lógico na escola

Lista reúne opções digitais e de tabuleiro que transformam conteúdos curriculares em desafios interativos e ajudam estudantes a desenvolver habilidades essenciais para a resolução de problemas.

ECA Digital amplia a proteção de crianças e adolescentes e fortalece a cidadania digital nas escolas

15/07/2026

ECA Digital amplia a proteção de crianças e adolescentes e fortalece a cidadania digital nas escolas

A atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente incorpora novos desafios do ambiente digital e amplia a responsabilidade das escolas na formação dos estudantes. Para apoiar educadores, a Fundação Telefônica Vivo oferece gratuitamente o curso Cidadania Digital, da plataforma Escolas Conectadas.

Formação de professores de matemática: como a tecnologia pode apoiar a aprendizagem docente

08/07/2026

Formação de professores de matemática: como a tecnologia pode apoiar a aprendizagem docente

Resultados da Prova Nacional Docente evidenciam desafios na formação de professores e mostram como tecnologias digitais podem apoiar o desenvolvimento profissional docente e contribuir para a aprendizagem em matemática.

IA na educação: o que dizem MEC, BNCC e especialistas sobre o uso nas escolas

02/07/2026

IA na educação: o que dizem MEC, BNCC e especialistas sobre o uso nas escolas

Diretrizes da Base Nacional Comum Curricular - Computação e outros documentos mostram como usar inteligência artificial com foco em equidade, formação de professores e proteção de dados

Cidadania digital e respeito às diferenças: o papel da BNCC Computação e do ECA Digital na escola

25/06/2026

Cidadania digital e respeito às diferenças: o papel da BNCC Computação e do ECA Digital na escola

No mês do Orgulho LGBT, dados apontam o avanço do discurso de ódio online contra a população LGBTQIA+ no Brasil; BNCC Computação e ECA Digital indicam caminhos para que a escola forme estudantes preparados para uma convivência ética, crítica e responsável no ambiente digital

10 bibliotecas digitais gratuitas para usar na escola

19/06/2026

10 bibliotecas digitais gratuitas para usar na escola

Saiba como usar bibliotecas digitais gratuitas em sala de aula e por que a mediação do educador é essencial para a aprendizagem e leitura