Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.

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16.11.2017
Tempo de leitura: 4 minutos

A PROGRAMAÇÃO É UMA LINGUAGEM INCLUSIVA

O que vem à sua cabeça quando pensa em aprender uma linguagem de programação? Que não é para você? Que é melhor deixar para quem tem familiaridade com exatas?

Bem, se um desses pensamentos bate à sua porta ou qualquer outro que te faça desistir, talvez você mude de ideia ao saber que essa é uma das linguagens mais simples que existem. E na contramão do que muita gente pensa, pode ser inserida no processo de aprendizado bem cedo, sem necessidade de recursos mirabolantes e estimulando o desenvolvimento do raciocínio rápido em diferentes disciplinas.

Quando o professor começa a se aprofundar mais no tema, a ganhar mais familiaridade e transmiti-la em sala de aula, ele percebe rapidamente uma mudança positiva na produtividade dos estudantes e melhor rendimento nas matérias. Até mesmo alunos que teriam mais dificuldade com uma determinada disciplina, por exemplo, matemática, com o apoio dos conceitos de programação, passam a ter maior aproveitamento. Aos poucos, ganha-se mais confiança.

Se para alguns a escola pode ser um ambiente desafiador, à medida que se melhoram notas e, consequentemente a auto-estima dessas crianças e adolescentes, a sala de aula passa a ser um ambiente de inclusão. “Com o uso de trilhas didáticas, esta linguagem pode ser facilmente entendida já a partir dos 4 anos. Com isso, o aluno deixa de ser um mero consumidor de conteúdo e passa a entender que ele pode construir o seu próprio e aplicá-lo em uma tarefa de qualquer matéria, por exemplo”, explica o consultor do Programaê!, Isidro Massetto.

A realidade das escolas é a de que sempre houve indivíduos com mais ou menos dificuldade em associar o que é aprendido. Antes dos anos 2000, pouco se falava em distúrbios como TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção) e Dislexia. Quem fosse mal em matérias de exatas recebia aula de reforço. No entanto, ficava marcado pelo desempenho “fraco”. Não existia uma insistência ou associação com esses transtornos, nem maior atenção por parte do grupo escolar que pudesse considerar melhorar o potencial da criança se fosse usado um outro método e precisasse de mais apoio em classe.

Hoje, educadores e instituições de ensino já estão mais atentos a essas questões e, diariamente testam novos modelos de aprendizado, além de estarem muito mais abertos à inclusão de jogos e tecnologia que motivem estes estudantes. “A chave para poder enxergar a linguagem de programação como inclusiva é vê-la como um meio para solucionar problemas, não simplesmente como uma matéria ou objeto, ao aplicá-la em disciplinas e questões com as quais a turma já esteja familiarizada”, comenta Jocemar Nascimento, também consultor do Programaê!.

A questão do acesso à tecnologia, especialmente em escolas públicas, pode ser mais uma barreira em relação ao tema. No entanto, o professor Nascimento, lembra que 98% dos estudantes, mesmo de instituições com menos recursos, já têm acesso a algum tipo de dispositivo tecnológico e à internet, seja na casa do vizinho, de um familiar ou em uma lan-house. “Fala-se muito que a internet é uma ferramenta de inclusão social. Então, saber como ela é conduzida, qual a lógica que existe por trás de um game ou de um site é dar o poder àquela criança ou adolescente, que talvez nunca se questionou sobre o funcionamento daquilo por pensar que nunca poderia aprender”, explica.

Trabalhar com métodos que desenvolvam suas habilidades, sem que se sintam acuados, e integram os alunos é melhorar suas oportunidades de crescimento profissional. “Não estamos dizendo que as escolas têm de formar um programador antes mesmo de que ele saia do ensino médio, mas de abrir uma janela de conhecimento, que facilitará suas escolhas futuras”, conclui.


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