Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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22.09.2015
Tempo de leitura: 4 minutos

A urgência em renovar a educação brasileira

Seminário Liderança e Inovação na Educação, patrocinado pela Fundação Telefônica Vivo, reuniu atores de diversos setores educacionais para dividir experiências, repensar e renovar a escola brasileira.

Quando o presidente da Fundação Santillana, Mariano Jabonero Blanco, abriu o Seminário Internacional Liderança e Inovação na Educação com a fala: “Somos inimigos do efêmero”, ele ditou o tom para os painéis e debates que se seguiriam durante o evento. Parceria entre a instituição já citada e o jornal El País, contando com o patrocínio da Fundação Telefônica Vivo, o evento, realizado no dia 17 de setembro, trouxe um compartilhamento de pesquisas e de práticas inspiradoras no campo da inovação educacional e o esforço para que elas sejam duradouras.

Patrícia Santin, gerente de projetos sociais da Fundação Telefônica Vivo, assumiu o microfone em seguida falando sobre a tecnologia e a inovação como pilares do trabalho que a Fundação desenvolve desde 1999: “A tecnologia permite que as pessoas aprendam sozinhas, portanto, inauguramos um momento em que podem ser donas de seu destino e pensarem no itinerário de suas aprendizagens”.

Nos painéis e debates que ocorreram ao longo da tarde, além de inovação e tecnologia, os termos liderança e gestão escolar também foram mencionados. A plateia vibrou com os inspiradores depoimentos de Braz Rodrigues Nogueira, convidado a apresentar o caso de sucesso da Escola Campus Salles, onde foi diretor, e como a liderança, quando acompanhada da capacidade de ceder, ouvir e articular com os alunos pode transformar a realidade de escolas e torná-las centros de cidadania de suas próprias comunidades.

O convidado David Albury, diretor da Innovation Unit e consultor da GELP (Global Education Leader’s Partnership), compartilhou com os convidados suas experiências e o que aprendeu revisitando metodologias de países como Austrália e Estados Unidos. As perspectivas estrangeiras que trouxe permeavam a necessidade de articulação de lideranças, da construção de redes entre escolas e fundamentalmente a participação dos alunos e professores no planejamento de ambientes de inovação escolar. “Nós temos um sistema educacional que não compartilha a realidade de seus estudantes e, se quisermos mudar isso, dar voz aos estudantes e aos pedagogos é extremamente importante”.

David também falou do papel da tecnologia dentro dos espaços pedagógicos e dos cuidados que devem ser tomados com relação a ela: “Tecnologia pode ser uma fantástica facilitadora dos princípios da educação do século 21, trazendo personalização, comunicação entre escolas e sociedade. Mas também pode manter tudo como era antes, mas mascarando para fazer parecer que é moderna”.

Esse foi o gancho que norteou a palestra Perspectivas de Iniciativa em Inovação na Educação no Cenário Atual, ministrada por Lúcia Dellagnelo, coordenadora da IIEB. Para ela, a urgência em repensar a educação é paralela ao pensar no uso da tecnologia. ”Quando trazida pra dentro da escola, a tecnologia induz a inovação, quando está em um processo político pedagógico que reconhece nela um novo meio de mediar a relação ensino/aprendizagem. A cocriação é o aspecto mais interessante da tecnologia, permitindo inúmeras combinações de materiais e de recursos digitais”.

As falas finais couberam a Mila Gonçalves, gerente de projetos sociais da Fundação Telefônica Vivo. Ela trouxe um vídeo sobre a atuação do projeto Escolas Rurais Conectadas em Viamão, Rio Grande do Sul, ressaltando que ninguém melhor do que as crianças para falarem da necessidade de inovar. “Inovamos para que a escola esteja adequada à cultura contemporânea. O formato da escola é antigo, já está mais de dois séculos atrasado, e não temos uma cultura do agora dentro da sala de aula. A escola de hoje não propicia a colaboração, a interdisciplinaridade e não ajuda o aluno a resolver os problemas de sua realidade. E a sociedade é tecnológica, por isso, o aluno tem que ter todas as ferramentas possíveis para lidar com ela”.

Ela concluiu o evento elogiando a participação de atores de setores tão diferentes, unidos no propósito mais que urgente de repensar e recriar modelos para que a educação do Brasil deixe o passado e se torne formadora de cidadãos conscientes, engajados e autônomos.


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