Criado na África do Sul, projeto Repurpose Schoolbags equipou sacolas com painel solar para que crianças possam estudar ao anoitecer
Você já se perguntou como ter acesso à eletricidade impacta o seu aprendizado? Para algumas comunidades localizadas nas áreas rurais do continente africano, a relação entre os dois processos é fundamental. Quando o período de aula acaba, as crianças se veem obrigadas a correr para casa antes que o sol se ponha se quiserem fazer a lição de casa.
Pensando em alternativas para essas crianças, a jovem Thato Kgathanye (25) e sua amiga de infância Rea Ngwane (26) se propuseram a distribuir bolsas projetadas especialmente para funcionar como fonte de energia. Equipadas com uma bateria leve, recarregam e armazenam a energia solar ao longo do dia, gerando eletricidade.
A ideia para a Repurpose Schoolbags, nome da iniciativa da Rethaka Foundation, surgiu a partir da experiência das duas jovens, que cresceram em uma comunidade no norte da África do Sul, convivendo diretamente com essa realidade. Em entrevista à CNN, Kgathanye disse: “Essa é nossa casa. O motivo pelo qual começamos esse projeto foi trazer soluções para os problemas observados em nossa comunidade”.
Senso de comunidade
A proposta do Repurpose Schoolbags foi apresentada por Thato Kgathanye em 2014, ano em que a jovem participou e foi vice-campeã do Anzisha Prize, premiação que reconhece jovens empreendedores dos 15 aos 22 anos donos de ideias inovadoras para solucionar os problemas de suas comunidades no continente africano.
O prêmio serviu de capital semente para a primeira leva de sacolas e, ao lado de Rea Ngwane, foi fundada a organização social Rethaka, vinculada ao projeto. No início, as duas sócias aproveitaram o alto desperdício de plástico na região como principal matéria prima.
Além disso, atingiram o principal objetivo, oferecendo às crianças uma forma de continuarem estudando ao anoitecer. As famílias também sentem impacto econômico e de segurança, já que diminuem o consumo de velas e combustíveis para lamparinas.
Solução integrada
Mais de 10 mil bolsas já foram produzidas por dezenas de cooperativas e a demanda tende a crescer, visto que outros países manifestaram interesse. Além de ampliar as oportunidades de aprendizado com o uso de tecnologia, o projeto pretende integrar novas soluções para as comunidades, modificando processos da cadeia produtiva e melhorando o ecossistema local.
Para isso, se empenha em gerar empregos para mulheres e investe na reciclagem de plástico. A princípio, o uso da matéria-prima foi um grande desafio, sobretudo com relação à arrecadação do material. A questão foi contornada por meio de campanhas de incentivo a alunos e funcionários de escolas para trocarem embalagens pelas sacolas com baterias.
Para o futuro, as sócias planejam investir em uma linha luxuosa voltada a executivos, com o propósito de reverter o lucro na produção de mais sacolas para as crianças.