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23.12.2019
Tempo de leitura: 5 minutos

Como a 4ª Revolução Industrial influencia no ensino oferecido pelas escolas

Educação midiática, cultura maker, robótica são algumas das novas disciplinas adotadas pelas escolas que querem desenvolver competências para o século XXI

Primeiro as máquinas, depois a eletricidade e, recentemente, no século XX,foi a tecnologia da informação que abriu espaço para mais uma Revolução Industrial. Até agora, as três foram complementares em seu desenvolvimento tecnológico. Mas a 4ª revolução, própria do século XXI, promete inovar nos sistemas e na mentalidade humana, impactando não só a indústria, mas também o mercado de trabalho, a economia, a educação e os processos cotidianos.

Acompanhar essa série de avanços, na velocidade em que eles se apresentam, exige uma adaptação constante de habilidades para ensinar as futuras gerações a lidar com um mundo cada vez mais distante da configuração das primeiras revoluções. Por isso, é importante repensar a estrutura das disciplinas nas escolas e o papel da educação nesse cenário conectado.

É o que diz Patrícia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta, que lançou um projeto chamado EducaMídia em junho de 2019, com o intuito de capacitar educadores para implementar planos de aula voltados para a leitura crítica da mídia. Em parceria com a Secretaria de Educação de São Paulo, o Instituto ajudou a construir uma disciplina eletiva de educação midiática, a ser implementada nas redes de ensino em 2020.

“Enxergo a Educação 4.0 como uma oportunidade de criar um ambiente novo aproveitando todos os cenários que a tecnologia nos traz. As crianças estão sendo apresentadas a ferramentas sem ter competências para usá-las corretamente e, por isso, é urgente incorporar a educação midiática nas escolas, até como um ganho para outras disciplinas”, acrescenta Patrícia.

 

Imagem mostra pessoas em uma sala, durante formação do projeto EducaMídia, sentados em grupos em volta de mesas redondas, olhando para a frente, onde se vê uma projeção na parede e uma mulher em pé.

Projeto EducaMídia capacita educadores para implementar planos de aula voltados para a leitura crítica da mídia

Caminhos abertos pela BNCC
A própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada em agosto de 2019, abre caminhos para que novas disciplinas sejam trabalhadas em sala de aula. Habilidades socioemocionais, cultura maker, programação, empreendedorismorobótica e educação midiática são alguns dos exemplos previstos pelas competências estabelecidas na Base.

A ideia das formações realizadas pelo EducaMídia é fazer com que os educadores de todas as áreas possam trabalhar a educação midiática, as experiências mão na massa e a cultura digital em suas disciplinas. Sendo assim, os estudantes estarão mais aptos a se relacionar positivamente com as exigências do mundo em que vivem, aproveitando essas habilidades para o seu desenvolvimento cognitivo e intelectual.

O curso que baseia a disciplina eletiva introduz três eixos principais: leitura, escrita e participação. Cada um deles está relacionado, de maneira geral, a aprender sobre os diferentes gêneros textuais, interpretar informações de acordo com o contexto, produzir conteúdos conscientes, longe de lugares comuns ou discursos de ódio, e até mesmo identificar as notícias falsas, conhecidas como fakenews.

“Quando você contextualiza uma informação a partir da realidade deste aluno, aproveitando um recorte de jornal, um meme, uma imagem de produto, coisas que fazem parte do seu cotidiano, ele passa a se sentir mais participante. Você tem que atraí-lo para a realidade”, complementa Patrícia Blanco.

 

Patrícia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta, responsável pelo projeto EducaMídia

Eletivas: Complementares e urgentes
Questões como saúde mental,  alfabetismo funcional e combate às notícias falsas fazem parte do cenário em que os estudantes estão inseridos. Foi pensando nisso que o governo paulista lançou o Movimento Inova Escola, com o intuito de aproximar as 5.400 escolas da rede estadual dos avanços e inovações no campo da educação.

Partindo de um modelo pedagógico que leva em conta elementos como Projeto de Vida, Tecnologia e Eletiva sem seu planejamento, o estado de São Paulo pretende oferecer sete disciplinas semestrais para complementar a formação dos jovens. Entre elas estão: Empreendedorismo, Ética e Cidadania, Teatro, Comunicação Não-Violenta, Mediação de Conflitos, Olimpíadas de Conhecimento e Educação Midiática, fruto da parceria com o Instituto Palavra Aberta.

 

Estêvão Zilioli, um dos multiplicadores do EducaMídia nas escolas

Na opinião do educador Estêvão Zilioli, um dos multiplicadores do EducaMídia, trazer novas perspectivas para o processo de ensino-aprendizagem é urgente. “As revoluções industriais aconteceram, mas as educacionais não. A maioria das escolas educa pessoas que se enquadrariam profissionalmente na primeira Revolução Industrial. Apesar de serem nativos digitais, os estudantes dessa geração são inocentes na maneira de usar as tecnologias e por isso é preciso prepará-los para os processos que envolvem o mundo digital”.

Além de formador de tecnologias educacionais e metodologias ativas, Estêvão também é professor de Biologia em Ourinhos, no interior de São Paulo. Lá, ele desenvolve um projeto de combate às fakenews em um laboratório de checagem de fatos, alimentado com as produções e pesquisas dos estudantes.

“Estimular o protagonismo dos jovens é muito importante para fazer Educação 4.0”, conclui o educador. “O papel do professor é provocar discussões, auxiliar na busca por informações válidas e avaliá-los pelo trabalho em equipe, criatividade e capacidade de resolução de problemas. Justamente o que o mercado de trabalho exigirá deles daqui pra frente”, conclui.

 


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