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27.06.2019
Tempo de leitura: 6 minutos

Como reorganizar o Ensino Médio para melhorar a educação dos jovens

Proposta defendida pela Iniciativa Educação Já pretende diversificar o currículo escolar e combater os desafios da área

Flexibilização curricular, maior foco no ensino técnico e uma formação para a vida são ações destacadas para a reforma do Ensino Médio, uma das prioridades que a iniciativa Educação Já destaca para melhorar a educação no Brasil. De acordo com o documento, apenas 62% dos jovens entre 15 e 17 anos estão no Ensino Médio enquanto 15,7% da população nessa faixa etária não está na escola, representando quase 1,5 milhão de pessoas fora do sistema educacional.

Outro ponto alarmante diz respeito à qualidade do ensino, já que a cada 100 estudantes que concluem o Ensino Médio, 72 não aprenderam o adequado em Língua Portuguesa e 93 não aprendem o conteúdo considerado adequado em Matemática. A ausência de um olhar integral sobre a educação, o baixo índice de ensino profissionalizante e um currículo engessado e distante da realidade dos jovens são outras questões apontadas pelo levantamento do Educação Já.

“Tudo isso mostra que existe a necessidade de se reformular o Ensino Médio”, afirma Ana Inoue, assessora de educação do Itaú BBA. De acordo com a especialista, a atual proposta para esse estágio da educação brasileira não dialoga com o que o jovem espera aprender, nem com a expectativa de aprendizado que a sociedade tem em relação ao estudante.

A importância do Ensino Médio

“O Ensino Médio é uma etapa importante do ponto de vista social, já que pode resgatar jovens que estão pensando em sair do sistema educacional; e do ponto de vista econômico, pode aumentar a produtividade deles”, diz Wilson Risolia, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho. “É o período no qual o jovem está ficando ativo economicamente. Se ele abandona a escola, não consegue trabalho ou é mal remunerado, consumindo menos e impactando negativamente a economia”, analisa.

Ana Inoue também realça o impacto do ensino secundário na vida dos adolescentes: “Temos que olhar para eles e ver o que fazer para que saiam da escola da melhor forma possível. Afinal, no fim do processo, ele será um adulto e enfrentará o mercado de trabalho e o ensino superior”.

Adotar um modelo que torne o Ensino Médio brasileiro coerente à realidade dos jovens do século XXI é um dos objetivos do Educação Já. Países como Finlândia, Coreia do Sul e Estados Unidos já trabalham itens que são abordados pela iniciativa brasileira, como o ensino técnico, o ingresso no ensino superior e a flexibilidade do currículo escolar.

 Boas práticas

  • Na Finlândia, o Ensino Médio possui uma divisão na qual o aluno pode ir para o sistema vocacional (técnico, que prepara o estudante para uma carreira) ou para o sistema acadêmico, voltado à universidade. Além disso, os alunos são expostos a métodos de ensino alternativos que os estimulam a ter mais autonomia no aprendizado e desenvolver competências socioemocionais;
  • Já na Coreia do Sul, o Ensino Médio é em tempo integral e dividido em duas etapas: júnior (obrigatória para todos) e sênior (composto por aulas avançadas em matérias que o estudante quer seguir na faculdade). Também existe a opção de ensino vocacional, similar a um curso técnico;
  • O Ensino Médio dos Estados Unidos é integral e há somente três disciplinas obrigatórias: Inglês, Matemática e História. As demais são eletivas e cada estudante tem liberdade para se aprofundar nas áreas que mais o interessam.

As bases para a reorganização

Ampliar a carga horária de quatro horas para no mínimo cinco horas em todo o país; flexibilizar o aprendizado, com base na BNCC do Ensino Médio, para permitir aos jovens escolherem o que aprender em Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Humanas; e fazer do ensino técnico uma das opções de Ensino Médio, deixando de ser apenas complementar são algumas das prioridades do Educação Já.

A assessora do Itaú BBA cita ainda a importância da formação de professores para melhorar a qualidade do ensino. “Essa reorganização melhora algo problemático do Ensino Médio, já que os alunos entendem que essa etapa ensina menos do que o necessário. A proposta tenta fazer com que o ensino seja arejado, ofereça mais aos alunos e possibilite criar modelos diferentes de ensino e aprendizagem”, afirma.

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“A ideia é entregar para a sociedade jovens preparados para o século XXI, que dominam a base do currículo escolar e estão prontos para fazer suas escolhas. Queremos que todos que entrem no Ensino Médio saiam com competências completas. É uma etapa muito importante e estratégica para o país”, afirma Risolia.

Mercado de trabalho e empreendedorismo

Os especialistas destacam ainda a importância da formação de jovens para o mercado de trabalho e como o ensino técnico contribui com esse cenário. “No mundo atual, com infinitas possibilidades, por que não levar essa realidade ao ensino secundário? O Educação Já defende a chance do jovem se formar no Ensino Médio, ter um emprego e uma fonte de renda para atingir objetivos. Se ele sente que não consegue realizar seus sonhos, ele recua, e isso é uma tragédia”, diz Wilson Risolia, da Fundação Roberto Marinho.

Ana Inoue ressalta também a possibilidade de os estudantes empreenderem. “Estamos formando esses jovens para um mercado em movimentação constante. Temos que começar a pensar também no papel do empreendedorismo para trazer políticas que permitam aos jovens serem empreendedores por desejo, não só por necessidade”, conclui.

Fique ligado e acompanhe nossa série de reportagens sobre o  Educação Já. AlfabetizaçãoFinanciamento da Educação BásicaFormação de ProfessoresEfetivação da BNCC e Governança foram os outros temas já abordados.


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