Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.
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21.09.2022
Tempo de leitura: 4 minutos

Congresso da Jeduca discute os desafios da educação pública na Amazônia, entre eles a tecnologia

Realizada em São Paulo, a sexta edição do Congresso Internacional de Jornalismo de Educação da Jeduca contou com o apoio da Fundação Telefônica Vivo

Mesa de debate com convidados, mediadora e apresentadora durante o Congresso Internacional de Jornalismo de Educação da Jeduca.

Como as escolas públicas da Amazônia estão lidando com o processo de digitalização do ensino? De que maneira os professores da região se relacionam com o uso da tecnologia escolar? E como isso tem contribuído para o desenvolvimento dos jovens estudantes amazônicos? Para discutir esses e outros desafios do ensino público na maior floresta tropical do mundo, o Congresso Internacional de Jornalismo de Educação (Jeduca) convidou o professor Raimundo Kambeba, diretor da escola indígena municipal Kanata T-ykua, e Kátia Schweickardt, professora associada da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e ex-secretária de Educação de Manaus (AM). O debate foi mediado por Karina Yamamoto, gerente de comunicação institucional do WWF-Brasil.

Promovido pela Jeduca (Associação de Jornalistas de Educação), o congresso foi realizado em São Paulo (SP) entre os dias 12 e 13 de setembro e organizou debates e oficinas para apoiar a prática jornalística sobre aspectos-chave da cobertura de educação no Brasil. A sexta edição do Congresso contou com o patrocínio da Fundação Telefônica Vivo.

Assista o debate na íntegra aqui (é necessário ter cadastro no site da Jeduca).

 

Congresso da Jeduca: Conhecimentos digital em prol do tradicional

O professor lista o acesso à conectividade, ao lado da formação docente e da merenda escolar, como alguns dos grandes desafios atuais das escolas indígenas. “Na época da pandemia, ficamos sem internet, e nossos alunos e suas famílias não tinham celular. Isso é muito preocupante pois atrasou o ensino-aprendizagem deles”, aponta Raimundo.

Ele reforça que os conhecimentos tradicionais do povo kambeba são parte importante do currículo escolar, e é justamente por isso que as novas tecnologias devem ser inseridas com cuidado. “É preciso preparar a comunidade para receber essa tecnologia”, defende. Quando a internet chegou na escola, ela virou um ponto de acesso para toda a comunidade, e foi preparado um projeto pedagógico com o tema “Tecnologia e os conhecimentos tradicionais kambeba”.

Você conhece o Centro de Mídias da Educação do Amazonas? Criado em 2007, ele tem o objetivo de dar continuidade aos estudos de alunos que concluíam o ensino fundamental, mas que viviam em regiões nas quais era difícil criar escolas de ensino médio com o quadro completo de professores. Hoje, 30.351 estudantes, em 2.300 salas de aula, fazem o ensino médio nesse formato. Saiba mais.

“Nossa preocupação era de que o acesso à tecnologia e internet muitas vezes pode fazer com que os jovens deixem de valorizar os conhecimentos tradicionais em prol dos digitais, e a tecnologia vira a única referência de conhecimento, deixando de lado toda a nossa cultura. Por isso, o cuidado dos professores indígenas neste momento era de mostrar como os conhecimentos digitais podem contribuir com os conhecimentos tradicionais”, afirma Raimundo.

Por outro lado, é também essa conectividade que tem oportunizado a disseminação do conhecimento indígena em todo o mundo. “É uma forma de mostrar para o mundo a cultura e os saberes de nossos povos. Todo o conhecimento que às vezes fica escondido na aldeia está se revelando, apoiando a conservação do meio ambiente no planeta.”

 

Recursos para a conectividade 

Atualmente, na maioria dos municípios do interior da Amazônia, metade dos alunos está na zona urbana, e a outra metade está distribuída nas comunidades indígenas e ribeirinhas, segundo Kátia. Ainda, 80% das escolas municipais estão também nessas áreas mais distantes.

“A educação básica é a principal política para dar dignidade aos povos amazônicos”, defende a professora. Para superar o obstáculo da conectividade, ela aponta para a necessidade da rede pública amazônica disponibilizar, de maneira analógica, materiais e recursos digitais para apoiar o professor que não tem internet em sua escola.

“Buscar os recursos para levar internet às escolas, disponíveis na legislação brasileira, deve ser uma prioridade”, observa. “Temos mecanismos em nossa legislação que não são levados a cabo. Em relação a implementação da tecnologia 5G, uma de suas contrapartidas é levar internet para lugares de difícil acesso, e devemos avançar neste diálogo entre o MEC e o Ministério das Comunicações.”


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