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08.10.2020
Tempo de leitura: 5 minutos

Educadores precisam falar sobre autocuidado

O debate sobre saúde mental no campo da educação passa por entender a importância de abordar o tema e identificar ferramentas que ajudem a promover o equilíbrio no dia a dia

Imagem mostra um mulher em uma sala sentada no chão. Ela está com os olhos fechados e as pernas cruzadas com as mãos sobre os joelhos, em posição de meditação.

O quarto encontro da série Conversas que Aproximam trouxe como tema A importância do autocuidado no dia a dia do educador. Em um ano em que os educadores estão lidando com tantas mudanças e precisando se reinventar o tempo todo, é extremamente importante cuidar da mente e do corpo.

A roda de conversa virtual reuniu Joana London, psicóloga, especialista em Psiquiatria e Psicanálise com criança e adolescente; e Eduardo Calbucci, mestre e doutor em Semiótica e Linguística Geral; com a mediação de Inês Medeiros, psicóloga, consultora de desenvolvimento humano e coach executiva com atuação no Brasil e em Portugal, e ainda contou com a participação especial de Gilson Franco, professor em Fortaleza, no Ceará.

Com base no bate-papo, realizado em 8 de outubro, reunimos alguns conteúdos para ampliar e embasar a discussão, jogando luz sobre temas tão relevantes como saúde mental, autocuidado e autoconhecimento. Confira!

Fortalecendo a discussão sobre saúde mental nas escolas

Antes mesmo da pandemia do novo coronavírus modificar as estruturas da educação, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já apontava o Brasil entre os países com maiores índices de depressão na América Latina.

Em 2018, a Associação Nova Escola realizou a pesquisa Saúde do Professor, que ouviu cinco mil educadores, entre os quais 68% dizem sentir ansiedade e 87% acreditam que o problema é ocasionado e intensificado pelo trabalho.

Diante desse quadro, é fundamental manter um diálogo constante sobre saúde mental nas escolas, capacitando os educadores para que se sintam acolhidos e possam também contribuir para a criação de espaços em seja seguro compartilhar angústias e inquietações.

Habilidades e competências para buscar o equilíbrio

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já aponta o desenvolvimento de habilidades e competências socioemocionais como um dos pontos centrais para uma educação mais alinhada às necessidades do século XXI.

O e-book Competências Socioemocionais: o que são e como podem contribuir para o desenvolvimento dos estudantes detalha o tema e traz formas de trabalhar conceitos como entendimento de limites próprios e do outro, tomada de decisões e resolução de problemas dos mais simples aos mais complexos.

O empreendedorismo, componente que entra cada vez mais em pauta com o Novo Ensino Médio, também ensina algumas estratégias sobre olhar para si. A formação Pense Grande Digital utiliza a metodologia do Pense Grande, programa da Fundação Telefônica Vivo de apoio e difusão da cultura empreendedora, que se embasa em algumas ferramentas que ajudam a colocar em prática  autoconhecimento,

O episódio Autocuidado: Respiro e conto até 10?, da segunda temporada do Pense Grande Podcast, ouviu quatro empreendedores sociais sobre como encontrar momentos de pausa para manter o equilíbrio entre demandas cada vez mais crescentes.

Eduardo Calbucci indicou o Programa Semente, do qual ele faz parte. Estruturado para a Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II e Ensino Médio, o projeto lançou, durante a pandemia, um módulo gratuito voltado ao educador com o tema Regulação da Preocupação e Ansiedade. Basta acessar o link, preencher a ficha e se cadastrar!

Como educadores podem promover o autocuidado

Segundo especialistas, é imprescindível tomar ações individuais, mas entendendo que é preciso levar a discussão para o coletivo a fim de poder criar espaços momentos de acolhimento – ainda que seja virtualmente.

Confira a seguir algumas dicas sobre o que educadores estão fazendo para cuidar da saúde mental:

  • Criar espaço para o diálogo e construção coletiva em atividades ligadas à escola.
  • Trocar experiências entre os pares.
  • Compartilhar técnicas e iniciativas individuais, como exercícios físicos e práticas alternativas como o reiki, até mesmo formas de se organizar para manter a ansiedade sob controle.
  • Buscar ajuda profissional em caso de necessidade.
  • Buscar atividades pessoais prazerosas e que diminuem o estresse como atividade física, passeios e leituras.

Teste: Qual é o seu nível de inteligência emocional?

Identificar as emoções, tomar decisões, gerenciar o estresse, tudo isso faz parte do conceito de inteligência emocional. Além de ser essencial para as relações e até mesmo para o mercado de trabalho, a inteligência emocional está diretamente ligada à saúde mental.

Na definição da psicóloga Alessandra Oliveira, “inteligência emocional é um conjunto de habilidades sociais e emocionais que influenciam no nosso processo de percepção individual e coletiva. Trata-se de saber como estabelecer relações emocionalmente eficientes, expressar ideias e lidar com desafios cotidianos, aprendendo a gerenciar o estresse e tomar decisões”.

Segundo Alessandra, a inteligência emocional pode ser ensinada e aprendida. Para desenvolvê-la, o primeiro passo é começar a trabalhar um repertório, para que seja possível atingir uma consciência emocional, e identificar quais situações geram impacto emocional em você. Faça o teste disponível nessa matéria e entenda como você está lidando com suas emoções.


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