Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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10.06.2016
Tempo de leitura: 4 minutos

Empresa de universitários alia desenvolvimento pessoal aos negócios de impacto social

Jovens estudantes auxiliam e aprendem com os projetos que assessoram.

Protagonismo juvenil: estudantes auxiliam e aprendem com os projetos que assessoram.

Os empreendimentos recém-nascidos procuram se relacionar com seu entorno e as empresas se preocupam, cada vez mais, em promover o impacto social por meio de seus negócios – é tempo de novas oportunidades e do diálogo entre setores diferentes da sociedade. E quem abraça com fervor movimentos como a economia solidária e empreendedorismo social são os que já têm como característica o desejo por mudança: os jovens querem participar ativamente das transformações ao seu redor, buscando crescimento profissional e pessoal.

Rodrigo Saad Horpaczky e Patrícia de Menezes cursam respectivamente as faculdades de Administração de Empresas e Administração Pública, na Faculdade Getúlio Vargas (FGV-SP). Entre os intervalos das aulas integrais, eles e mais 18 estudantes cuidam da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP-FGV), empresa júnior que presta assessoria a empresas ou cooperativas de impacto social. O que começou em 2001 como um grupo de estudos hoje é uma entidade que funciona horizontalmente: cada integrante é igualmente responsável pelo sucesso dos projetos assessorados.

“O objetivo é tanto empoderar quem trabalha nos projetos que assessoramos quanto os membros da própria incubadora”, relata Rodrigo. Para tanto, eles partilham valores como cocriação, cooperação, diálogo e sinergia; as decisões são tomadas em grupos de trabalho divididos nas áreas de campo, administrativo e estudo. O efeito multiplicador do projeto e alta rotatividade de integrantes (o que é natural e produtivo em um grupo de estudantes) apresentam desafios, mas também fazem com que eles se renovem a todo tempo, procurando que a entidade seja representativa para cada um dos participantes.

As empresas atendidas têm como ponto comum estarem captando socialmente, precisando de alguma assessoria em áreas diversas como marketing ou financeiro. Rodrigo exemplifica com o recém-adquirido case Cio da Terra, ONG de atendimento a crianças e adolescentes na Zona Sul da capital. “Eles estão com um problema de marketing porque as pessoas da comunidade não conhecem a ONG, que tem um imenso potencial educativo e de capacitação. Vamos ajudá-los a definir bem seu público-alvo e também a se definir e a se conhecer”, complementa o universitário.

Cada processo demanda uma dinâmica diferente, por isso, os participantes do não acreditam em fórmulas prontas. Em projetos de empreendedorismo social, a cocriação é fundamental – ainda que os universitários possuam o conhecimento teórico, as empresas entram com a experiência do cotidiano. A ideia é que essas empresas tenham a assessoria inicial para ganhar força e independência financeira, social e psicológica para dar andamentos aos negócios. Um aprendizado em mão dupla: comunidades e alunos se empoderam, agregando conhecimentos para suas trajetórias.

Em processo de restruturação, a ITCP-FGV está se formalizando financeiramente, criando o próprio CNPJ. Mas as ações seguem a todo o vapor: enquanto não conseguem captar novos recursos, a iniciativa é financiada por eles próprios: os jovens frequentemente organizam vaquinhas para sanar os custos. “O que nós temos a oferecer é o nosso tempo”, fala Patrícia, ao explicar que embora os gastos não sejam onerosos, um financiamento estável poderia dar suporte para que atenderem mais projetos e melhorar a assessoria dos já existentes.
Dentro da sala onde funciona a incubadora, sempre aberta para receber membros de qualquer curso da universidade, o espírito de jovens que estão se mobilizando e acreditando no potencial de transformação está em toda parte: no mural colorido com os nomes de cada um em post-it, em suas obrigações listadas em cartazes, na risada leve dos porta-vozes que falam em nome de seus colegas. Se o ambiente cooperativo está cada vez mais abraçando novas práticas, é porque também há novas pessoas nelas engajadas e apostando sua carreira no potencial do empreendedorismo social.


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