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13.08.2021
Tempo de leitura: 6 minutos

Especialistas repercutem recorde histórico de baixa adesão ao Enem em 2021

O baixo número de inscritos no Enem ressalta as consequências da pandemia na educação brasileira. Entenda mais

estudantes em sala de aula

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2021 teve o menor número de inscritos, desde 2005. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou, no dia 15 de julho, que estavam inscritos cerca de 4 milhões de pessoas na prova. No entanto, apenas 77,5% destes realizaram o pagamento da taxa de inscrição. Como a inscrição não é concluída sem esse comprovante, o número de confirmados na prova caiu para 3.109.762 de pessoas.

Desde 2016 o número de inscritos no Enem vinha caindo, sendo a maior queda em 2021. Este ano as inscrições foram 34% menores do que em 2020.

Motivos para a baixa adesão no Enem 

Em entrevista ao Jornal das Dez, na Globonews, Priscila Cruz, presidente executiva do movimento Todos Pela Educação, elencou alguns fatores para a queda do número de inscritos na prova.

A primeira delas é a falta de vínculo entre o jovem e a escola que ocorreu por conta do fechamento das instituições durante a pandemia. “A gente já acumulou 16 meses de escolas fechadas no Brasil e, historicamente, quem sempre incentivou os alunos a se inscreverem no Enem era a escola, os professores”, explica. “Neste período, por conta de um ensino remoto ainda pouco efetivo em muitos locais, os alunos mais pobres perderam o vínculo com a educação”, ressalta.

Soma-se a isso às regras para obter isenção da taxa de inscrição. Os alunos que pediram a isenção da taxa no ano passado, mas não fizeram a prova, não puderam pedir a isenção este ano. Em 2020 cerca de 50% dos inscritos confirmados não realizaram o Exame. Este foi o recorde de abstenção em toda a história do Enem.

Gabriel Corrêa, líder de políticas educacionais no Todos Pela Educação, comentou sobre essa política de isenção de taxa. “A prova de 2020 (que ocorreu no início deste ano) foi feita em um contexto pandêmico. O aluno faltou porque apresentou sintomas no dia da prova, ou teve contato com alguém com Covid, ou não estava se sentindo seguro. É um absurdo que ele não possa ter a taxa de isenção”, pontua.

O terceiro fator, segundo Priscila Cruz, é o mais preocupante. O Brasil está vivendo, de acordo com a especialista, “uma bomba social e econômica de desistência destes jovens em relação aos estudos”. A segunda etapa da pesquisa “Juventudes e a pandemia de coronavírus (covid-19)”, promovida pelo Conselho Nacional da Juventude (Conjuve) apontou que 43% dos jovens brasileiros pensam em desistir de estudar. “Se eles desistem de estudar, o Enem deixa de fazer sentido”, alerta Priscila.

 

Planos adiados 

O baixa número de inscritos é, de acordo com Gabriel Corrêa, um termômetro dos efeitos da pandemia na educação.

“Isso mostra que uma grande parcela de jovens e adultos adiaram os seus planos de buscar novas qualificações no Ensino Superior. Infelizmente, com a grande expectativa de que a evasão escolar aumente, principalmente no Ensino Médio, isso pode significar que muitos deles desistirão de vez do sonho de entrar em uma universidade já que o Exame é a sua principal porta de entrada. E uma vez que eles entrem no mercado de trabalho por conta dos problemas econômicos decorrentes da pandemia, eles não vão sequer concluir o Ensino Médio”, lamenta.

Para a população adulta o grande risco é que o adiamento de planos vire um cancelamento de planos. “A gente sabe o quão importante é a escolarização para galgar melhores oportunidades, melhores condições no mercado de trabalho. Um país com maior escolaridade é um país que tem mais chances de se desenvolver e reduzir as suas desigualdades. Este problema se agrava ao verificar que aqueles que adiaram a continuação dos estudos são alunos mais pobres e vulneráveis socialmente.”

Gabriel enfatiza a necessidade de existirem, em 2022, programas de busca ativa, combinados a uma comunicação que fale sobre a importância do Enem. “Políticas de apoio educacional, mas também com a dimensão financeira, e programas de garantia de renda e de segurança alimentar, por exemplo, dão melhores condições para que os jovens e adultos consigam voltar aos estudos”, sugere.

 

Impacto no Ensino Superior 

No Brasil, 1 a cada 5 pessoas de 18 a 25 anos está no Ensino Superior, isso equivale a 21% dos adultos brasileiros. É um número baixo, segundo Gabriel. Como consequência desta baixa taxa de inscrição no Enem, é possível que este número caia ainda mais. “Há um risco grande de reduzir os anos de escolaridade da população brasileira, mas mais importante do que isso é a ampliação das desigualdades. Se o Ensino Superior no Brasil já é desigual, a pandemia amplia isto”, explica.

Um dos reflexos da desigualdade no Ensino Superior é a falta de diversidade nas instituições. Por mais que a situação tenha avançado nas últimas décadas, por conta de políticas de ações afirmativas que aumentaram a inscrição de estudantes negros e pobres nas universidades, o contexto está longe do ideal. “Não podemos afirmar que o Ensino Superior brasileiro é diverso. Isso afeta as pesquisas e o tipo de produção acadêmica que é feita. Quanto mais diversidade, mais visões diferentes, mais debates democráticos conseguimos suscitar nas faculdades brasileiras. Isso é melhor para os alunos, mas também para o país”, diz o especialista.

 

Prova reformulada é possível? 

O Enem foi criado em 1998 para avaliar o desempenho dos estudantes no Ensino Médio. Com o tempo, passou a ser aceito como meio de ingresso (parcial ou total) em instituições de Ensino Superior, até que, em 2009, foi reformulado e passou a ser o meio de ingresso nas universidades e instituições federais.

Gabriel acredita que esta baixa histórica no número de inscritos não será, contudo, um motivador para se repensar a prova. “O principal motivador para se repensar a prova será a Base Nacional Comum Curricular e a Lei do Novo Ensino Médio. O Enem tem o desafio de se ajustar à nova realidade do Ensino Médio brasileiro. Acho que precisamos questionar quais competências queremos avaliar neste exame”, conclui o especialista.


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