Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

Notícias

18.06.2018
Tempo de leitura: 4 minutos

Estudantes criam projeto para incluir o rap como método de ensino

Os jovens propõem planos de aula baseados em análises do contexto político e social presentes nas letras

Murilo Oliveira. Luís Henrique de Oliveira e Matheus Souza da Silva criaram um plano que aula que usa o rap como método de ensino

A fim de resgatar o significado por trás das letras mais famosas do rap, o projeto A Visão do Rap, desenvolvido por três estudantes da ETEC Jaraguá, na zona norte de São Paulo, propõe planos de aula para discutir questões atuais da sociedade sob a perspectiva dos artistas que marcaram suas realidades nos versos das músicas.

Tendo como referência nomes como os brasileiros Sabotage, Racionais e Froid, além do lendário rapper americano Tupac, Murilo Oliveira (17), Luís Henrique de Oliveira (16) e Matheus Souza da Silva (16) descobriram nas rimas a solução ideal para ampliar as discussões. “Por meio da interpretação da letra, podemos debate-la em um contexto histórico e trabalhar a visão dentro desse recorte”, afirma Murilo.

A ideia surgiu a partir da proposta do professor de Sociologia Raphael Gimenes para que os estudantes pensassem em como solucionar problemas sociais.

“Às vezes o aluno não consegue aprender os temas porque ele não se identifica. A música traz curiosidade e motivação para o aprendizado”, afirma o estudante Matheus. “Copiar textos, fazer questões é cansativo. A gente quer algo diferente, e sabemos que outros alunos também querem”, complementa Luís Henrique.

Passando a Visão

A partir daí, com a orientação o professor Raphael, os jovens começaram a colocar em prática a elaboração dos planos de aula com rap e, ao mesmo tempo, inscreveram o projeto no Desafio Criativos da Escola em 2017, que premia iniciativas protagonizadas por crianças e jovens de todo o país.

Assistir Vídeo

“Nós formatamos o projeto já pensando nos objetivos do concurso, principalmente na interação com a comunidade”, diz o professor Raphael. Assim, os debates com as letras foram incorporados às aulas de História, Geografia, Filosofia e Sociologia. E, segundo os jovens, os temas que mais chamam a atenção nos debates estão ligados a racismo e identidade de gênero.

“Não foi nada fácil. A gente se sentiu como professores”, relata Murilo sobre a dificuldade em montar os planos de aula a administrar várias turmas ao mesmo tempo. “É trabalhoso para eles pensarem sozinhos nesses projetos, e por isso é importante que os alunos também tragam sugestões e ideias”, acrescenta Luís Henrique.  Logo, a ideia ganhou apoio de outros professores, que passaram a ajudar na revisão e divulgação da iniciativa em escolas da região.

A Universidade de Campinas (UNICAMP), uma das maiores Instituições de Ensino Superior do país, também reconheceu o potencial educativo das letras de rap para interpretar a realidade atual, colocando o álbum Sobrevivendo ao Inferno, do Racionais MC’s, entre as obras obrigatórias para o vestibular de 2020. As letras terão de ser analisadas no contexto histórico, político e social, similar ao estilo do projeto A Visão do Rap.  Além do álbum, títulos como Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, da autora Maria Carolina de Jesus, mostram que a universidade está comprometida a expandir os critérios adotados a novas formas de produção artísticas e literárias.

E todo o esforço rendeu frutos. A Visão do Rap foi um dos um dos 11 projetos premiados pelo Criativos na Escola, e com o dinheiro recebido, foi construída uma rádio estudantil na ETEC Jaraguá.

Rap além da sala de aula

No fim deste ano, os estudantes concluem o Ensino Médio, mas o plano é que a iniciativa continue inspirando mais e mais turmas. Atualmente, cinco escolas usam o kit de planos de aula elaborados por Murilo, Luís Henrique e Matheus, que também divulgam o aprendizado com o rap em workshops para outros estudantes.

Em breve eles devem lançar um site especial para divulgar os planos de aula, e, por enquanto, é possível acompanhar o desenvolvimento do projeto nas redes sociais.


Outras Notícias

Retrospectiva 2025: iniciativa da Fundação Telefônica Vivo fortalece a EPT em escolas públicas

23/01/2026

Retrospectiva 2025: iniciativa da Fundação Telefônica Vivo fortalece a EPT em escolas públicas

Programa Pense Grande Tech impactou milhares de estudantes do Ensino Médio e certificou mais de 700 professores em nove estados ao longo do ano

6 tendências que devem impulsionar a Educação em 2026

16/01/2026

6 tendências que devem impulsionar a Educação em 2026

Tecnologia, personalização e inclusão digital ganham força para reduzir desigualdades e ampliar o engajamento dos estudantes

Novo indicador do MEC define aprendizagens essenciais em Matemática do 2º ao 9º ano

12/01/2026

Novo indicador do MEC define aprendizagens essenciais em Matemática do 2º ao 9º ano

Nova estratégia nacional estabelece marcos importantes de aprendizagem, amplia o uso pedagógico de dados e cria condições para integrar Matemática, tecnologia e pensamento computacional na educação básica

Especialista Jo Boaler defende ensino de matemática criativo e sem “decoreba”

05/01/2026

Especialista Jo Boaler defende ensino de matemática criativo e sem “decoreba”

Pesquisadora de Stanford propõe abordagem visual e colaborativa para reduzir desigualdades e preparar alunos para a era da Inteligência Artificial

Retrospectiva 2025: Implementação da BNCC Computação é um dos destaques da Fundação Telefônica Vivo

29/12/2025

Retrospectiva 2025: Implementação da BNCC Computação é um dos destaques da Fundação Telefônica Vivo

Formações, eventos e publicações marcaram um ano de apoio às redes de ensino das escolas públicas para desenvolver competências digitais de educadores e estudantes

Inclusão Digital na Educação: a importância de integrar tecnologia com equidade e responsabilidade

11/12/2025

Inclusão Digital na Educação: a importância de integrar tecnologia com equidade e responsabilidade

BNCC Computação, Política Nacional de Educação Digital e diretrizes do CNE indicam que a proteção e a inclusão devem caminhar juntas