Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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03.09.2021
Tempo de leitura: 5 minutos

Fotografia, moda e inclusão na busca por representatividade

Maria Paula Vieira se engaja em ensaios fotográficos com mulheres consideradas "fora do padrão'' pela sociedade. Ativista da Pessoa com Deficiência, ela também produz conteúdos sobre diversidade e inclusão em suas redes sociais

Imagem mostra a jovem fotógrafa e modelo usando um vestido xadrez, sentada em uma cadeira de rodas em um local com plantas

Nome: Maria Paula Vieira
Idade: 28 anos
Cidade/Estado: Santo André – SP

Jornalista, fotógrafa e modelo. Criadora de conteúdo digital e ativista da Pessoa com Deficiência (PCD), lutando por maior representatividade e inclusão. É assim que a jovem de 28 anos, Maria Paula Vieira, se apresenta.

Moradora de Santo André, município da Grande São Paulo, Maria é uma das primeiras fotógrafas cadeirantes do Brasil a se consolidar no mercado artístico. Entre seus últimos projetos está a exposição “Mães Invisíveis“, que percorreu as estações do metrô da capital paulista trazendo visibilidade às mães que têm deficiência. Atualmente, ela é curadora e fotógrafa da exposição “Elas por Elas“, que mostra o olhar sobre a diversidade das mulheres brasileiras.

A fotógrafa tem uma deficiência desde os três anos de idade, devido a uma doença genética nunca diagnosticada. Na infância, chegou a usar órteses – aparelhos que ajudam a alinhar determinadas partes do corpo, auxiliando funções de um membro – além de andador e apoios. Aderiu à cadeira de rodas no início da adolescência.

“Foi só a partir disso que me reconheci enquanto uma mulher com deficiência e percebi o quanto precisaria lutar pelos meus direitos”, conta.

Mesmo trabalhando como modelo, ela comenta que sua relação com a moda sempre foi atravessada por um “apagamento”. Afinal, ao olhar os catálogos das lojas, não percebia a inclusão. Não via manequins com as quais se identificava, assim como não conseguia perceber como a roupa poderia vesti-la, já que a modelo nunca é fotografada sentada.

Hoje, Maria luta para mostrar as potências e beleza das pessoas com deficiência, mesmo sentindo que diversos espaços na indústria da moda lhe são negados.

“Para ser inclusiva, a moda precisa chegar a todos os corpos e peles”, explica a ativista.

A procura por opções mais flexíveis e confortáveis de roupas para pessoas com deficiência é crescente. Mas, infelizmente, a oferta ainda é pouca. Para que PCDs não sejam deixados à margem dessa indústria, Maria defende que exista representatividade em todos os seus processos: da concepção ao design do vestuário, passando pela confecção, até à escolha do modelo que veste a peça. “É importante criar roupas modernas e descoladas com acessibilidade real”, afirma.

Em seu perfil no Instagram, a jovem fala sobre empoderamento, feminismo e autoestima. “A produção de conteúdo foi algo inesperado. Eu gostava de me comunicar no Instagram, contar coisas do meu dia a dia e algumas pessoas foram chegando”. Ela só começou a levar a sério o seu lado como influenciadora digital em 2019, ao perceber que conseguiria se comunicar com diversas pessoas sobre temas como capacitismo, inclusão e diversidade.

 

O quanto a educação foi importante na sua trajetória para chegar até aqui? 

A educação é essencial para nos desenvolvermos como seres humanos. Com ela temos mais oportunidades, entendimento de diversos assuntos para tomar melhores decisões, e sermos profissionais mais capacitados. A educação foi muito importante para eu chegar aonde cheguei. Meu sonho era que todo mundo pudesse ter oportunidades como as que tive e outras ainda maiores, porque vejo que ainda me faltou muito. A educação, de modo geral, tem muito a evoluir para ser igual e de qualidade para todos. Imagina o que eu e tantas outras pessoas não alcançaríamos se tivéssemos tido mais oportunidades?

 

Qual a importância da escola inclusiva para todos? 

Quando falamos de inclusão, falamos sobre incluir em todos os espaços. A escola é uma das nossas maiores bases, por onde iniciamos muitas coisas que são levadas para a vida adulta. É o nosso primeiro local de convivência após o núcleo familiar. Não existe lugar melhor para aprendermos sobre diversidade e inclusão e levarmos isso para os ambientes social e profissional. Para crianças com deficiência, estar em uma escola regular, com as mesmas chances e oportunidades que outras crianças, é de extrema importância para o ensino, convívio, direito básico e para o futuro.

 

Quais conselhos daria para um jovem que está no Ensino Médio e enfrenta desafios ou tem questionamentos sobre o seu futuro? 

O futuro reserva muitas surpresas e oportunidades. Isso é assustador, mas também pode ser grandioso! Podemos aprender novas profissões, adquirir conhecimentos, criar experiências para descobrir o quão somos capazes, apesar de tantas vezes acreditarmos que não. Quando houver desafios ou dúvidas, procure pessoas em quem confie para conversar.

 

Para você, acreditar na educação é… 

Essencial. A educação é transformadora e a base da mudança. Quando pensamos em evolução e desconstrução da sociedade, a escola está muito ligada, principalmente nas crianças que são o futuro para uma sociedade melhor.

 

Acreditar em si mesmo é… 

Muito difícil em uma sociedade que está sempre nos oprimindo. Mas temos que lembrar das nossas capacidades, da nossa essência e dos nossos princípios. Somos e podemos ser incríveis, fontes de inúmeras coisas transformadoras.


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