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20.01.2016
Tempo de leitura: 4 minutos

Iniciativa aproxima mulheres dos jogos e da tecnologia para a criação de videogames

A Women Up Games, criada pela designer Ariane Parra, estimula a participação de meninas e mulheres no universo dos games, ainda considerado masculino.

Ariane Parra, assim como algumas das heroínas de videogames que admira, tem inimigos para derrotar. Ao contrário da personagem Ellie, que luta contra uma invasão de zumbis fungos em The Last of Us, ou de Samus, uma caçadora de recompensas com inimigos espaciais em Metroid, a criadora da iniciativa Women Up Games combate a presença majoritária de meninos dentro do universo dos videogames. Tem como missão aproximar mulheres dos jogos e fazê-las enxergar o quanto podem e devem jogar – além de mostrar como a indústria dos games precisa cada vez mais da presença delas.

O primeiro console que Ariane jogou foi o Master System, e a partir dele, reunia-se com os amigos para partidas diversas, desde RPGs online até Counter-Strike. Logo se deu conta de que era raro jogar com mulheres. Mesmo que se sentisse confortável, Ariane se perguntava como fazer para que outras meninas não ficassem acuadas e tivessem interesse em participar.

Depois de se formar e tentar trabalhar como engenheira de produção, ela investiu sua carreira na área de design de games. Ainda assim, não achava que fosse o suficiente. “Quis colocar mais mulheres para atuar nesse universo, mas percebi que trabalhando como designer de games, sentada dentro de um estúdio, eu não ia resolver nada”, relata.

Em 2014, nasceu a Women Up Games. “Nosso objetivo é conectar mulheres ao mundo dos games. Nós nos preocupamos com todas que têm em comum essa paixão: as que jogam, as que desenvolvem jogos e as que algum dia já jogaram e pararam de fazer isso.” A iniciativa, cuja responsabilidade é de Ariane e da fotógrafa Juliana Coringa, atua em três frentes. A primeira apoia o ato de jogar. Em eventos como o “Game Day”, elas reúnem meninas em espaços nos quais possam experimentar jogos, conversar e compartilhar experiências.

Outra área de atuação é o incentivo, por meio de workshops e palestras, para as mulheres perceberem o quanto podem ser criadoras de seus próprios videogames. “Quero vê-las no mercado, dando aula, fazendo programação, ilustração e modelagem. As empresas frequentemente nos contatam pedindo currículos de mulheres que queiram trabalhar na área”, conta Ariane.

Mulheres que criam videogames são também responsáveis por personagens femininas fortes, reais e identificáveis – e não sexualizadas ou renegadas ao papel de donzela em perigo. Ariane usa o exemplo de Lara Croft, protagonista da série Tomb Raider. Nos primeiros jogos, ela era bastante sensual, e com um corpo irreal criado para agradar o imaginário masculino. Por pressão do público, em especial das jogadoras fãs, Lara foi humanizada, e em sua última versão, é uma heroína com a qual as mulheres podem se identificar. “Não quero que as meninas tenham vergonha e medo de jogar personagens feministas. Essas personas tem de ter as mesmas habilidades e poderes de qualquer protagonista masculino.”

O movimento Maker também faz parte da atuação da Women Up Games. No dia 9 de abril, acontecerá a oficina Insert Coin, em parceria com o Experimentoria, em São Paulo. As meninas irão construir o seu próprio fliperama, o que envolve toda a parte de marcenaria e programação. Haverá um campeonato de Mortal Kombat 3 e quem vencer irá levar o fliperama. A ideia de “Faça Você Mesma” está presente não só para incentivar a jogabilidade, mas também para que elas também se interessem por programar ou fazer montagem 3D, atividades essenciais na criação de um jogo.

“O nosso público não tem uma faixa etária definida. Já recebemos mulheres de 60 anos e meninas de 7, então, todo mundo se sente representada e não tem desculpa para não jogar!” diz Ariane. Ainda que existam muitas fases antes que essa heroína da vida real possa dizer “missão cumprida”, ela realmente acredita um dia ver mulheres jogando e fazendo games não será mais motivo de estranheza ou algo raro. Se hoje elas compõe 9% dos usuários, Ariane quer adicionar, pelo menos, mais 5% de jogadoras, programadoras e protagonistas de suas próprias sagas.


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