Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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23.10.2020
Tempo de leitura: 4 minutos

JOVENS ESTUDANTES CRIAM UM “MUNDO DE INVENÇÕES” EM GARAGEM NO INTERIOR DE SP

De robô a respirador hospitalar, grupo de amigos se dedica a explorar o mundo da cultura maker

Robô feito no Mundo de Invenções

Uma garagem e muitas ideias na cabeça. Assim nasceu o Mundo das Invenções, criado por uma equipe de amigos, entre 8 e 14 anos, apaixonados pela cultura maker.

Localizada em Batatais, no interior de São Paulo, a garagem, no caso, é a de Carlos Renato da Silva, professor de ciências e técnico de laboratório do Departamento de Física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP). Ele é pai do José Renato e o grande incentivador de seu filho e seus amigos no universo do “faça você mesmo”.

Desde 2017, eles se reúnem aos sábados para criar algo útil com o que têm à mão e, ao mesmo tempo em que aprendem física, ciências, eletrônica, programação, e ainda se divertem.

Carlos e os jovens integrantes do Mundo das Invenções. “Aqui no Mundo das Invenções aprendemos jutnos ao mesmo tempo”, diz Carlos. Crédito: reprodução USP

Carlos conta que sempre aprendeu muito com seu pai, e que os dois passavam horas construindo coisas juntos. Por isso, a ideia inicial do Mundo das Invenções era resgatar um pouco esses momentos de parceria entre pais e filhos — tanto que no início, o Mundo das Invenções era definido como um clube para discutir ciências e tecnologias com crianças, jovens, pais e adultos. Quem quisesse, era só participar.

Entender como as coisas são feitas e funcionam são um dos princípios da cultura maker e, para isso, não tem outra forma a não ser colocar a mão na massa. Foi assim que os garotos do Mundo das Invenções toparam a proposta de Carlos e encararam o desafio de participar da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) em 2019.

Se antes o grupo de mais de 10 amigos garimpava peças em ferros-velhos da cidade e usava em seus projetos todo material reciclável que encontravam, para a competição eles precisaram mergulhar de vez no mundo da robótica. “Muita coisa eu tenho que aprender antes para depois ensiná-los. Para a Olimpíada foi assim também”, revela o professor.

Com muito estudo, dedicação e a supervisão de Carlos, os jovens inventores criaram o robô batizado de Simprão, que apesar no nome, de simples não tinha muita coisa. Afinal, foi praticamente produzido com peças que eles mesmos desenvolveram em uma impressora 3D na própria garagem – algo superior à maioria dos robôs da competição. Mesmo com algumas falhas técnicas durante a execução na OBR e com muita dose de imprevistos e improvisos, o Simprão superou as expectativas na etapa regional, em São Carlos (SP), conquistando o 4º lugar do Nível 1 da competição.

Equipe Mundo das Invenções com o robô Simprão Crédito Facebook

“Durante a Olimpíada, aprendemos mais sobre trabalho em equipe, sobre competir se divertindo, e o mais importante, a superar que nós não ganhamos. Durante a competição nós riamos, ficávamos tensos, ansiosos e tristes, mas conseguimos o nosso objetivo, mostrar nosso robô”, conta José Renato.

Criatividade na pandemia

Mesmo com as atividades reduzidas por conta da pandemia do coronavírus, o Mundo das Invenções não parou. Carlos e José Renato desenvolveram um protótipo de respirador mecânico que pode ajudar no tratamento de pessoas infectadas pelo COVID-19.

Com um motor de limpador de para-brisas, pedaços de mangueiras de construção, uma fonte de computador, quatro desentupidores de pia e diversas peças criadas a partir da impressora 3D, o protótipo chamou atenção de universidades e empresas.

“É um protótipo básico, não é um equipamento hospitalar. E a ideia é que ele seja desenvolvido de forma totalmente colaborativa e que mais pessoas possam contribuir com a qualidade do projeto. Não temos interesse financeiro. A ideia é salvar vidas”, explica Carlos.

Crédito: Matheus Henrique da Silva Alves

Quer fazer parte do mundo das invenções e ou colaborar de alguma forma com a equipe? Você pode entrar em contato com o professor Carlos Renato pelo e-mail carlosrenato@ffclrp.usp.br.


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