Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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20.05.2016
Tempo de leitura: 5 minutos

Na metodologia ativa, alunos são participantes e os professores, mais articuladores

Seminário na PUC-SP debate como a metodologia ativa pode deixar o aprendizado mais completo.

Seminário na PUC-SP debate como a metodologia ativa pode deixar o aprendizado mais completo.

As aulas expositivas, com falas tradicionais sobre um determinado conteúdo e a expectativa de seu entendimento por meio da escuta, acontecem no Ensino Fundamental, Ensino Médio e, posteriormente, no ensino profissional. São classes que pressupõem comportamentos passivos: enquanto o educador discorre sobre uma teoria, muito dificilmente os alunos terão chance de participar ou interferir nele – no máximo, um levantar de mãos, uma prova aplicada ao fim do bimestre ou do semestre para avaliar o conhecimento. Mas se não há interação com o conhecimento, não é mais difícil absorvê-lo?

Para debater o assunto, a Pontifícia Católica de São Paulo – PUC-SP realizou um seminário justamente para entender a abordagem educacional que se fundamenta na participação do aluno e no uso de sua inteligência ativa e questionadora. O encontro “Experiências no uso de Metodologias Ativas no Ensino/Aprendizagem”, realizado dia 9 de maio, reuniu profissionais e docentes das áreas de educação, saúde, educação a distância e gamificação em uma exposição de experiências bem sucedidas e relatos sobre as dificuldades de transformar sistemas educacionais a partir do terreno de criação que é a sala de aula e seus agentes de transformação: os alunos.

O professor americano Mel Silberman utilizou-se do pensamento do pensador chinês Confúcio para delimitar o que seria uma metodologia ativa de aprendizagem: “O que eu ouço, eu esqueço; o que eu vejo, eu lembro; o que eu faço, eu compreendo”. Ele desdobra o pensamento para dentro da sala de aula: apenas ver e ouvir um conteúdo de maneira passiva não é suficiente para absorvê-lo; o conteúdo e as competências devem ser discutidos e experimentados para chegar a ponto em que o aluno, em conjunto com seus pares, possa falar sobre o assunto dominado e até lecioná-lo na educação do século XXI.

Nas aulas de metodologia ativa, o aprendizado acontece muito mais na articulação transversal entre os alunos, enquanto o professor é um facilitador da discussão e propositor de desafios. Em um esquema bastante simplificado, pode-se perceber o que é retido nas várias maneiras de lecionar: Aula (5%), leitura (10%), audiovisual (20%), demonstração (30%), grupos de discussão (50%), prática (75%) e ensinar os outros (80%). Segundo os estudos de Silberman, os alunos assimilam maior volume de conteúdo, retém a informação por um maior período de tempo; eles também adquirem mais confiança em suas decisões, melhoram a relação com seus pares e reforçam a força da autonomia de pensar e agir.

O professor Welbert de Oliveira Pereira expôs os ganhos de aprendizado baseado centralmente em metodologias ativas que tem ocorrido na recém-aberta Faculdade de Medicina do Hospital Albert Einstein. Eles usam a metodologia Team Base Learned (TBL) (aprendizagem baseada em equipes, em tradução livre). Mescladas a aulas expositivas, as aulas TBL convidam o aluno a se preparar antes da aula. Quando nela, deve aplicar seu conhecimento primeiramente em provas. Em seguida, discutir casos que simulam verdadeiros quadros clínicos – em grupos que avaliam e discutem abordagens diversas para um mesmo problema. Welbert explica que sentiu o impacto dessa metodologia até nas aulas convencionais. “Eu sempre dei aulas expositivas em enfermagem, e depois que comecei a ministrar a aula TBL de medicina, minha abordagem dentro da sala mudou muito.”

A professora Valéria Sperduti Lima, coordenadora de desenvolvimento docente da pró-reitoria de graduação da UNIFESP, apresentou suas experiências dentro da aprendizagem colaborativa. Ela incentiva que os alunos não só se avaliem entre si, mas também se autoavaliem para reconhecer seu processo educativo e o que é necessário para aprimorá-lo.

Nas aulas que ministra (parte presenciais e parte a distância), os saberes são construídos com ativa participação do aluno, que não interfere somente no conteúdo, como também na retenção de conhecimento de seus pares. As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) cumprem um papel importante na metodologia ativa; quando bem implantadas e levando em conta as características de cada contexto educacional, facilitam interações presenciais e online, e podem ser recursos poderosos de disseminação de conteúdo que de outro modo seria exposto convencionalmente. “Com esse tipo de aprendizagem, construímos com o grupo um compromisso com o aprender, desenvolvemos um contexto social estimulante e conhecemos o processo pessoal de ressignificação do conhecimento”, ela relata.

Quando falamos de inovação na educação, a metodologia ativa é um campo de experimentação. Quando um educador ou instituição se compromete a aplicá-la dentro da sala de aula, ele aprende que não há como antever resultados, e que todas as etapas de discussão até aquelas que parecem levar somente a erros ou a lugar nenhum, fazem parte do processo.
Seja inovando dentro de uma aula de medicina, ou utilizando as TIC para construir desafios para alunos, a metodologia pode se configurar como alternativa a um marasmo educacional, propondo alunos ativos e um aprendizado mais complexo no cenário da educação no século XXI.


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