Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

Notícias

18.12.2015
Tempo de leitura: 4 minutos

O papel da tecnologia acessível como ferramenta de inclusão para pessoas com deficiência

Aplicativos e sites inclusivos ajudam a promover a autonomia e a comunicação com o mundo ao redor.

O Brasil é um país de ávidos usuários por aplicativos. De acordo com um levantamento da App Annie, empresa especializada no segmento, somos a segunda nação do mundo campeã em downloads. Os dispositivos populares, mais do que uma forma de passar o tempo, também se configuram como ferramentas de grande utilidade, em especial para pessoas com deficiência – ajudando-as a enfrentar desafios cotidianos e a manter sua independência em atividades como pegar transportes públicos ou fazer compras.

“Os aplicativos são a grande revolução em termos de inclusão. Quanto mais aplicativos acessíveis existirem, mais pessoas podem se beneficiar deles. Por exemplo, uma máquina de cartão de crédito, sem um leitor acessível, não consegue ser utilizada por uma pessoa com deficiência visual. Por isso a tecnologia se configura como um auxílio fundamental para que o deficiente possa ser autônomo”, diz Adermir Santos Filho, superintendente da Fundação Dorina Nowill.

Com mais de 60 anos de atuação, a Fundação Dorina Nowill tem como base proporcionar leitura, entretenimento, formação e informação para pessoas com deficiência visual, produzindo uma gama de livros acessíveis. Para tanto, a tecnologia se configura como um pilar de inclusão, explica Adermir: “A tecnologia está muito presente no desenvolvimento do livro digital. O livro transforma o texto em um recurso a ser lido por uma voz sintetizada. Trabalhamos para que a leitura desse livro não seja passiva, com recursos de interação, como ler rodapés, fazer anotações ou pesquisas”.

Ainda que produzam livros de acessibilidade, Adermir é enfático ao afirmar que não basta somente criar tecnologias e aplicativos do tipo; é necessário que qualquer aplicativo já seja pensado em termos de inclusão. “É uma ideia equivocada a de que aplicativos inclusivos são usados somente por pessoas com deficiência. Eles também proporcionam facilidades para outros públicos. O ideal seria que qualquer aplicativo fosse inclusivo, criando assim uma cultura não excludente”.

Com a similar preocupação de criar dispositivos tanto para pessoas com deficiência como também para aquelas que as cercam, surgiu a empresa Hand Talk. Idealizada pelo publicitário Ronaldo Tenório, e consolidada em 2012 com os sócios-fundadores Carlos Wanderlan e Thadeu Luz, a inteligência utiliza uma persona 3D, chamada HUGO (foto acima), para realizar a tradução digital e automática para a Língua de Sinais, utilizada pela comunidade surda.

“Percebemos que os surdos tinham uma imensa dificuldade de comunicação. Eles não conseguem entender o português e a maioria das pessoas também não entende Libras, o que torna a comunidade de deficientes auditivos estrangeira em seu próprio país”, explica Tenório. A Hand Talk oferece diversos serviços, como um aplicativo de mesmo nome, site de acessibilidade e totens de serviço espalhados em lugares estratégicos das cidades.

O APP foi baixado mais de 60 mil vezes. Ao lado de outras ferramentas da Hand Talk, somam-se 60 milhões de traduções. “É um mercado promissor. Além de causar impacto social e mudar a vida das pessoas, há possibilidade de retorno financeiro. Várias instituições e empresas precisam tornar seus canais mais acessíveis. É um nicho a ser explorado no Brasil e no mundo”, ressalta Tenório.

A tecnologia não é mais uma área específica. Ao permear por todos os universos, se faz necessário aprender a usar as ferramentas digitais à disposição – e, por isso, é fundamental que não seja excludente. Pelo contrário. “A tecnologia assistiva coloca o deficiente em pé de igualdade, aumentando suas oportunidades também no mercado de trabalho. Os aplicativos mudam para melhor a vida de muitas pessoas”, conclui o empreendedor. 


Outras Notícias

IA na educação: como a inteligência artificial pode se tornar aliada da aprendizagem

06/04/2026

IA na educação: como a inteligência artificial pode se tornar aliada da aprendizagem

Relatório da OCDE reforça que o uso pedagógico intencional da IA é essencial para fortalecer a aprendizagem e evitar que a tecnologia se torne apenas um atalho para respostas prontas

Tecnologias educacionais: 10 aplicativos gratuitos para usar em sala de aula

30/03/2026

Tecnologias educacionais: 10 aplicativos gratuitos para usar em sala de aula

Com intencionalidade pedagógica, ferramentas digitais gratuitas podem fortalecer o aprendizado, promover o protagonismo estudantil e desenvolver competências digitais essenciais

Lia Glaz: inclusão digital vai além do acesso e é chave para a equidade na educação

27/03/2026

Lia Glaz: inclusão digital vai além do acesso e é chave para a equidade na educação

No Dia Nacional da Inclusão Digital, a diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo reforça que a equidade na aprendizagem depende da integração entre currículo, formação docente e infraestrutura

Como a tecnologia fortalece a solidariedade e a cidadania nas escolas

19/03/2026

Como a tecnologia fortalece a solidariedade e a cidadania nas escolas

Projetos solidários potencializados pela cultura digital desenvolvem competências socioemocionais, promovem inclusão, estreitam vínculos comunitários e incentivam uma cultura de cidadania ativa

Jogos de tabuleiro podem melhorar em até 76% o desempenho em matemática

13/03/2026

Jogos de tabuleiro podem melhorar em até 76% o desempenho em matemática

Pesquisa internacional mostra que apenas 10 minutos de brincadeira com números já fortalecem habilidades matemáticas nos anos iniciais — abordagem que também dialoga com soluções de tecnologia educacional

Débora Garofalo: da inovação na educação pública ao título de professora mais influente do mundo

06/03/2026

Débora Garofalo: da inovação na educação pública ao título de professora mais influente do mundo

No Dia Internacional da Mulher, conheça a trajetória da educadora que transformou práticas pedagógicas com criatividade, inovação e compromisso com a educação pública.