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27.11.2020
Tempo de leitura: 6 minutos

O papel das famílias e de empresas para melhorar a educação

Evento virtual da Set-Up Conference, realizado com executivos brasileiros, debate novos modelos na construção de uma educação de qualidade.

O papel das famílias e de empresas para melhorar a educação

O “Set-Up Good Vibes: Educação com Experiência”, evento gratuito realizado virtualmente, reuniu executivos de grandes empresas brasileiras e multinacionais para discutir, entre os dias 28 e 30 de outubro, soluções a curto prazo para a construção de um mundo melhor.

Americo Mattar, diretor-presidente da Fundação Telefônica Vivo, participou de uma das mesas do evento ao lado de Regina Esteves, CEO da Comunitas, e com a mediação de Thiago Almeida, diretor executivo na Set-Up Conference. Os três trouxeram a temática “Qual o papel da tríade (família, governo e escola) após o atual cenário?

Os convidados partiram de experiências pessoais para explicar a importância e como enxergam o papel da educação na sociedade. “A educação já não é uma prioridade, é um valor de vida pra mim”, disse Regina Esteves.

Já Americo Mattar, que estudou em escola pública a vida inteira, acredita que não exista outra forma de construir o futuro de um jovem que não passe por esse caminho. “É ali que se abrem as portas, se expandem as fronteiras, e se rompe o ciclo vicioso de pobreza. É única forma sustentável de construir um país mais equânime”, afirma.

Para ele, há um inegável avanço, desde a década de 1990, quanto ao acesso das crianças à educação: o percentual de jovens fora da escola não chega a 3%, mas essa taxa já chegou a 10%. “Nós temos uma evolução do sistema educacional brasileiro que é positiva e precisa ser valorizada. O problema é que nós olhamos para a inclusão e não olhamos para o sistema do ponto de vista de qualidade. A qualidade do processo educacional, acabou se perdendo nesta jornada”, lamentou.

 

A participação das famílias ganha relevância 

As famílias e a escola almejam boas condições para o desenvolvimento educacional dos estudantes e a interação entre esses dois atores é fundamental, pois o aprendizado das crianças acontece nos diversos espaços que frequentam.

Para exemplificar isso, a CEO da Comunitas traz o exemplo de Teresina, no Piauí, a capital com a melhor educação pública do país, segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2019. “Avaliando o que deu certo, uma das coisas que chama a atenção foi a decisão das escolas de estarem abertas nos finais de semana para receber as famílias”, conta Regina.

Pensar na maior participação das famílias é também pensar nas disparidades socioeconômicas do Brasil. “Um pai, ou uma mãe, auxiliando os filhos nas tarefas escolares em uma casa em que há um espaço educacional tranquilo, as crianças têm alimentação, e acesso à internet, é uma coisa. Outra coisa é quando você fala de jovens mais vulneráveis, em que há seis ou sete pessoas em um único cômodo, e em que parte da alimentação da criança é oferecida na escola”, explica Americo. “Até porque talvez estes pais não enxerguem valor neste processo educativo”, conclui.

Para as famílias está claro que a educação é um direito, no entanto, não é fácil entender qual a qualidade que deve ser exigida. “Nós precisamos entender que é através das famílias que vamos alcançar a educação como um projeto de nação”, opina Regina.

 

Modelos de ensino contemporâneos 

Uma sala de aula enfileirada, e o professor no quadro negro explicando o conteúdo é um modelo cada vez mais ultrapassado de ensino e dá lugares a outros com maior protagonismo aos estudantes.

Americo Mattar trouxe dois exemplos de modelos de ensino inovadores. O primeiro é o das escolas de Viamão (RS), onde as crianças do Ensino Fundamental escolhem, a cada três meses, um tema a ser desenvolvido nos conteúdos educacionais.

O segundo modelo é o da Escola Municipal André Urani (GENTE), localizada na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. Lá eles trabalham com roteiros personalizados de aprendizagem para respeitar o ritmo de cada aluno. “O problema das escolas em que as crianças estão enfileiradas é que você pasteuriza os estudantes. Todos precisam ter o mesmo nível, e o mesmo tempo de aprendizagem”, aponta o diretor-presidente.

Existem, contudo, inúmeros modelos e práticas educacionais inovadoras no Brasil. Um dos maiores desafios é institucionalizar as políticas públicas respeitando os saberes locais. “Precisamos entender a particularidade de cada região, criar referenciais mínimos necessários para essas novas práticas pedagógicas e implantar”, comenta Americo.

Para conseguir implementar os métodos é necessário, segundo Regina Esteves, um processo avaliativo por resultado. “Nas escolas privadas há a concorrência por resultados. Enquanto não tivermos isso nas escolas públicas, não vamos conseguir acelerar ou incorporar estes métodos inovadores. Quando temos um processo avaliativo transparente, você dá condições para que a escola exponha os seus resultados e evolua”, defende.

 

O papel social das empresas 

“Não existe evolução econômica no país, com um quadro de grande disparidade educacional. As empresas têm que se engajar e apoiar o estado”, defendeu Americo.

Evento com executivos debateu novos modelos para melhorar a educação. Imagem mostra Americo Mattar, diretor-presidente da Fundação Telefônica Vivo está em uma sala virtual, na qual debate com Regina Esteves, CEO da Comunitas, e o mediador Thiago Almeida.

As empresas não vão substituir o papel do Estado, mas podem testar novas tecnologias, trazer especialistas, incentivar discussões, e ajudar na concepção e no desenho das melhores políticas públicas que elevem os resultados qualitativos.

A Comunitas lançou a pesquisa Benchmarking do Investimento Social Corporativo (BISC) em que mede o investimento social privado. Com base nos resultados, Regina afirma que mesmo em momentos de crise o Brasil conseguiu manter o índice de investimento social. A área mais priorizada é justamente a Educação.

As empresas têm o poder de replicar experiências, e isto precisa explorado. “Nós temos dois núcleos que vão impulsionar esta evolução no investimento social privado. O primeiro é o consumidor, que está atento ao papel social das empresas; e o segundo é a nova geração, que vem com uma consciência social e ambiental diferente”, finalizou Regina.


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