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30.12.2019
Tempo de leitura: 6 minutos

O que aprendi como empreendedor social

Empreendedores compartilham seus principais aprendizados e experiências durante o desenvolvimento de seus negócios sociais. Confira!

Aprender durante o processo é uma realidade para a maioria dos empreendedores de negócios de impacto social. Cuidar das finanças, fazer captação, gestão, construir um plano de negócios, tudo isso faz parte de um aprendizado que, muitas vezes, só faz sentido depois da prática.

As experiências dos empreendedores sociais Marcelo Rocha, conhecido como DJ Bola, e do jovem Diogo Bezerra reforçam esse ponto de vista. “Nossa vida foi forjada assim: Primeiro a gente faz, depois conhece a teoria. Essa é uma realidade para os jovens de periferia que querem ser empreendedores”, acredita o DJ Bola.

Nascido e criado no Jardim Ângela, zona Sul de São Paulo, DJ Bola tem 38 anos e uma trajetória de 20 anos como empreendedor. A música e o rap sempre fizeram parte de seu repertório e foi a partir daí que surgiu A Banca, nos anos 90, quando o Jardim Ângela era considerado o bairro mais violento do mundo, segundo a ONU.

A princípio, a iniciativa surgiu como um movimento social que visava aproximar a música e a cultura do hip hop dos jovens da periferia. As intervenções artísticas e eventos eram usados como ferramentas para dialogar sobre perspectiva de vida, barreiras sociais e econômicas, sonhos e violências.  Em 2008, com a ajuda de aceleradoras de projetos sociais, A Banca se tornou oficialmente um negócio de impacto social.

Já Diogo Bezerra tem 25 anos e nasceu no Jardim Pantanal, bairro da Zona Leste de São Paulo. Em 2017, junto de seu sócio Diego Ramos, abriu a startup PLT4Way, que já participou da incubação do programa Pense Grande e foi selecionada para o programa de aceleração Vai Tec, em 2018.  O projeto oferece curso de inglês gratuito para estudantes que não tem condições de pagar pelo curso de idiomas e seguiu crescendo em 2019.

Aos 14 anos, Diogo teve o primeiro contato com a língua inglesa através de uma professora de Ensino Religioso. O inglês foi sua porta de entrada para o ensino superior, empregos melhores e, sobretudo, a chance de mudar a vida de outras pessoas. O modelo de negócios da PLT4Way funciona por meio de financiamento cruzado, o valor pago por um determinado grupo de alunos é transferido para a educação gratuita de um estudante da comunidade Jardim Pantanal.

 

Caminhos diferentes, lições em comum

Embora façam parte de negócios sociais distintos, as lições que marcaram os dois empreendedores foram semelhantes em muitos aspectos. Para servir de inspiração aos jovens que estão no início da jornada empreendedora,convidamos DJ Bola e Diogo para compartilharem alguns dos aprendizados essenciais que ajudaram a abrir portas pelo caminho. Confira a seguir.

 

Medo de errar

Perder o medo de errar foi um dos maiores aprendizados, segundo os empreendedores. O receio de ocupar alguns espaços e a ansiedade pelo que pode não sair como o planejado podem acabar impedindo os jovens de acreditarem em suas iniciativas.

“Como empreendedor de periferia, a gente tem muito medo de falhar, de perder tudo. Depois que eu entendi onde eu poderia chegar com o meu negócio e me conscientizei sobre o meu próprio potencial, consegui avançar muito mais como pessoa e como empreendedor”, conta Diogo.

Já DJ Bola reforça a importância dos jovens irem atrás do desenvolvimento de suas habilidades. “A gente não é convidado a entrar, tem que bater na porta. Não precisamos sentir medo e nem vergonha de ocupar espaços que falam sobre nós. Inovação social na periferia é um espaço nosso”.

Marcelo Rocha, mais conhecido como DJ Bola, está usando boné e falando com grupo de cinco jovens enquanto mexe em equipamentos de mixagem.

 

Estudo e desenvolvimento

Ainda falando sobre desenvolvimento de habilidades, DJ Bola acrescenta que os vinte anos de seu negócio foram marcados pelo estudo. “Eu não fiz nenhuma faculdade. E não foi porque não tive oportunidade ou capacidade, foi porque quis estudar e buscar caminhos focados no que eu já estava fazendo. Participei de vários programas de aceleração e eles me ensinaram muito sobre como ir pra frente”.

Diogo relembra que entender mais sobre a sua própria trajetória e encontrar o potencial em suas habilidades de destaque, o ajudaram nesse processo. “Um negócio social exige o desempenho de multitarefas. Mas descobrir o que eu realmente sabia fazer foi importantíssimo para seguir em frente”, diz o jovem.

 

Desafios da gestão

Administrar bem o dinheiro e manter a equipe sempre engajada com a causa do negócio social nem sempre é fácil. Para ambos os empreendedores, os desafios da gestão são constantes e já renderam muitos aprendizados baseados na tentativa e erro.

“Muitas vezes os empreendedores têm uma barreira para falar quanto custa o seu serviço, dar preço para o que ele já faz com tanto amor e luta”, afirma DJ Bola. “Precisamos estudar o mercado, saber quais ofertas existem para além da nossa. E quando o dinheiro chegar, é importante pensar no mês seguinte”, complementa.

Para Diogo, o trabalho, principalmente em coletivos, tem de ser muito bem organizado para manter a qualidade e a autonomia do serviço. “Quando o time cresce, vai ficando mais difícil fazer com que as pessoas acreditem em um sonho que mal começou. Mas é importantíssimo manter esse engajamento, até porque a avaliação de uma startup envolve o time todo”, ressalta.

 

Barreiras e Conexões

A busca por ultrapassar barreiras sociais e, a partir desse primeiro passo, fazer conexões que serão fundamentais para abrir caminhos de parcerias, investimentos, co-criação e networking foi outra lição destacada pelos empreendedores.

Diogo conta que conseguiu quebrar alguns paradigmas e conhecer pessoas que jamais conheceria se não fosse pelo seu negócio, e isso fez com que se sentisse mais confiante e menos sozinho. “O mundo dos negócios é muito conectado. Tive que aprender a me relacionar com pessoas que não vem da mesma classe social que eu, sem me diminuir nesse processo”, conclui.


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