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27.02.2019
Tempo de leitura: 5 minutos

Plataforma transforma histórias escritas por crianças em livros

A Estante Mágica disponibiliza material pedagógico, e-books gratuitos e promove noite de autógrafos com jovens autores

Menina usando coroa está autografando livro do Estante Mágica, projeto que publica histórias escritas por crianças.

“Quantas histórias deixaram de ser escritas pela falta de acesso à educação?”. Para responder a essa pergunta, os sócios Robson Melo e Pedro Concy pensaram em uma maneira de fazer com que cada vez menos crianças fizessem parte dessa realidade. Assim nasceu o Estante Mágica, projeto dedicado a imprimir histórias escritas por crianças no mundo.

Imagine a sensação de ter seu primeiro livro escrito aos seis anos de idade? É exatamente isso que a plataforma propõe. A partir de uma parceria com escolas, o material pedagógico é trabalhado em sala de aula. As crianças dão forma a ideias e a Estante Mágica transforma as narrativas em livros diagramados e prontos para serem lidos! O material é disponibilizado de forma gratuita, em formato de e-book.

Atualmente, a plataforma está presente em 4.500 escolas em todos os estados brasileiros, apesar de a maioria se concentrar no Sudeste. E já alcança países como México, Argentina e Colômbia. São mais de 650 mil títulos produzidos e o planejamento é chegar a um bilhão de crianças impactadas até 2030.

“Existe um potencial socioemocional muito grande nesse projeto. Estamos falando de autonomia, autoconfiança, reconhecimento”, afirma Robson Melo. “Escolhemos a transformação através da leitura e da escrita porque nossas histórias sempre estiveram muito ligadas à educação. Seja pelo excesso, seja pela falta dela”.

Os dois lados da moeda

Robson Melo, de camisa e óculos, está ao lado de Pedro Concy, usando barba e camiseta. Eles são criadores do Estante Mágica, projeto que publica histórias escritas por crianças.

No caso de Pedro Concy, 32 anos, o contato com a leitura começou cedo. Na infância, os pais suspeitaram que ele pudesse ser mudo, e por isso o estimularam a ler o máximo possível. E foi em meio aos livros que desenvolveu seu aprendizado.

Já Robson, 33 anos, viveu o oposto. Filho de um porteiro e de uma empregada doméstica, neto de retirantes nordestinos fugidos da seca, viveu 27 anos na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Ainda assim, a educação foi incentivada e, aos 16 anos, ingressou em um projeto social para jovens com dificuldades de aprendizagem, descobrindo como poderia ajudar.

Em 2004, se conheceram ao cursarem Direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Com o tempo, os amigos identificaram um objetivo comum: mudar o mundo. E decidiram fazer isso por meio da educação. Em 2009, começaram a se aproximar do formato do que viria ser a plataforma que publica histórias escritas por crianças.

Narrativas reconhecidas

Um dos maiores diferenciais da plataforma é o acompanhamento das escolas e das crianças. A equipe do Estante Mágica dá suporte em todas as etapas e aplicação dos projetos, que estão sempre alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Os professores têm total liberdade para acrescentar e trabalhar o material pedagógico, levando em consideração o avanço da turma e o contexto educacional local. O mais esperado é a conclusão de todo o processo: o dia de autógrafos.

Nesse dia, as crianças tornam-se celebridades: dão autógrafos, debatem sobre a história, e passam pelo tão aguardado lançamento. Segundo os pais, os filhos passam a valorizar mais a leitura e a escrita, se aproximam dos livros e melhoram o rendimento escolar.

“O dia de autógrafos é o que temos de mais rico. A escola se mobiliza, a família se emociona, a criança se empodera e toda a comunidade escolar celebra aqueles novos autores”, conta Robson sobre o evento que expõe o trabalho dos alunos.

A magia da determinação

Ao contrário do que sugere o nome, não foi com magia que as histórias escritas por crianças foram transformadas em negócio de impacto social. “Os dois primeiros anos foram muito sofridos. Apesar de hoje parecer uma ideia bem sucedida, foram muitos testes e erros até as coisas darem certo”, relembra Robson.

No início, sem incentivo de aceleradoras ou investimento externo, os sócios fizeram pesquisas extensas em escolas públicas, buscando aprender sobre o dia a dia dos professores, conversando com crianças, tudo para desenvolver um material pedagógico ideal.

“A tecnologia veio como meio de tornar escalável o processo de produção do livro e ofertar o conteúdo. Mas até hoje, a gente não para de ouvir quem faz realmente a diferença: o professor”, afirma o empreendedor.

Quando a ideia foi efetivamente validada em 2012, a Estante Mágica atraiu o olhar de mentores e parceiros, como a Ekloos, aceleradora de empresas de impacto social.  Em 2014 conseguiram fazer a primeira contratação, e hoje a equipe é formada por profissionais das mais diversas áreas, do desenvolvimento gráfico ao acompanhamento nas escolas.

O lucro vem da compra dos livros físicos pelos pais das crianças. Apesar de disponibilizar o conteúdo via e-book gratuitamente, os pais podem encomendar livros com custos variam entre R$ 39 e R$ 59, a depender da quantidade e do modelo (capa mole ou capa dura). Além disso, está em testes uma versão pocket, que custará em torno de R$ 19.

A meta de impactar 1 bilhão de crianças até 2030 não será alcançada em um passe de mágica, concluem os sócios, mas espera-se que amplie o poder transformador de uma geração.

 


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