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22.03.2017
Tempo de leitura: 3 minutos

Projeto conecta quem descarta a quem reaproveita lixo eletrônico em Minas Gerais

Vale Sem Silício visa sustentabilidade do Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais pobres do estado

Marísia Maria Costa, é um das criadoras do projeto. Na imagem ela aparece segurando cartazes sobre o lixo eletrônico

Vale Sem Silício visa sustentabilidade do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, uma das regiões mais pobres do estado

Com o rápido avanço da tecnologia, crescem os questionamentos sobre como equipamentos eletrônicos devem ser descartados quando deixam de ser úteis. Pensando nisso, a estudante universitária de administração e técnica em informática Marísia Maria Costa, de 22 anos, criou um projeto que busca solucionar um problema social e ambiental ao mesmo tempo, o Vale Sem Silício.

A iniciativa consiste em uma plataforma digital que mapeia o lixo eletrônico produzido no Vale do Jequitinhonha, umas das regiões mais pobres de Minas Gerais, conectando quem quer descartar com as empresas interessadas em comprar um produto jogado fora. Ao fazer um cadastro, elas têm acesso às informações sobre o tipo de material, a quantidade e onde os resíduos estão armazenados.

O nome do projeto, elaborado no Pense Grande de 2016, programa da Fundação Telefônica Vivo, faz referência ao Vale do Silício, na Califórnia, um dos maiores polos de empresas de tecnologia do mundo. Mas se o silício é sinônimo de prosperidade no vale americano, sendo muito utilizado em processadores e chips, no vale mineiro acaba se tornando uma preocupação, por causa do descarte irregular de lixo eletrônico. “No Vale do Jequitinhonha, mesmo considerado o ‘Vale da Miséria’, também existe muito consumo de produtos tecnológicos”, observa Marísia.

Situado no Nordeste do estado, o território tem 75 municípios e é marcado por contrastes: da riqueza do solo e da cultura com a extrema pobreza de boa parte da população; do protagonismo da mineração e da agropecuária com os danos ambientais causados por essas atividades.

Marísia Maria Costa, é um das criadoras do projeto. Na imagem ela aparece segurando um computador

Preocupada com essa realidade, a universitária começou a procurar interessados em participar do projeto. Com as orientações recebidas no Pense Grande, foi atrás de empresas, pontos de coleta e fez reuniões com coletivos em busca de parceiros. O esforço rendeu o apoio da Polícia Militar Ambiental de Minas Gerais e um compromisso do prefeito de Almenara com a temática.

Logística Reversa A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), criada em 2010, prevê que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de produtos e componentes eletrônicos têm a obrigação de implementar sistemas de logística reversa. O termo significa reintroduzir na cadeia produtiva, sempre que possível, os equipamentos descartados pelo consumidor, dando destino adequado a eles e evitando a poluição do meio ambiente quando a reutilização não for possível. De acordo com a pesquisa do Sistema Global para Comunicações Móveis (GSM) e da Universidade das Nações Unidas (UNU), os países latino-americanos devem produzir 4.800 toneladas de lixo eletrônico em 2018.

O município, a 721 quilômetros de Belo Horizonte, é a principal cidade onde são desenvolvidas as atividades do Vale Sem Silício. Lá, os eletrônicos são descartados principalmente em assistências técnicas e escolas públicas. Depois, são adquiridos por interessados ou doados, quando estão funcionando. Certa vez, por exemplo, dois caminhões carregados com aparelhos de som, televisores e micro-ondas foram levados para famílias.
Além dos impactos socioambientais, as empresas também saem ganhando. Compram produtos mais baratos, abrem espaço em seus estoques e assinam um termo de responsabilidade ambiental, bem visto por clientes e fornecedores.
Segundo Marísia, a meta agora é aprofundar a conscientização setor de tecnologia, para que aumente investimentos na logística reversa (ver box) e recolha por conta própria os produtos que fabrica. “Gostaria que o descarte e o tratamento adequado desses resíduos acontecessem em todo o Brasil, e que a sociedade tivesse responsabilidade ambiental e social”, diz a jovem empreendedora.
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