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09.12.2019
Tempo de leitura: 5 minutos

Projetos de estímulo à leitura transformam realidade de escolas no Sergipe

Atividades literárias nas escolas despertam nas crianças o amor pelos livros, fortalecem vínculos comunitários e melhoram os resultados em sala de aula

Crianças estão agrupadas em meio a gramado segurando livros e sorrindo, ao lado de educadora que conduz o projeto de estímulo à leitura Piquenique Literário.

O estímulo à leitura é um dos maiores desafios dos professores. Em Sergipe, duas escolas mostram que vale a pena investir esforço para encontrar formas diferenciadas de trazer a literatura aos alunos e, assim, envolver mais as famílias e fortalecer o vínculo com a comunidade.

Até pouco tempo atrás, a Escola Municipal Otoniel Francisco de Jesus, no Distrito de Quirino, a meia hora de Lagarto, em Sergipe, enfrentava algumas dificuldades. Além dos desafios típicos de uma escola rural, como o difícil acesso, a falta de espaço – são duas salas para atender 55 alunos da pré-escola ao Fundamental 1 – e pouca infraestrutura, os pais também estavam distantes da vida escolar dos filhos.

“A maior parte deles trabalha pesado na roça, com agricultura de subsistência. Alguns são alfabetizados, outros não”, conta Claudileide Paixão, professora do 4º e 5º anos. “Muitos acreditavam que a tarefa de educar cabia apenas a nós, e não ajudavam as crianças”

Em meio a esse cenário, a escola passou a fazer parte do projeto Aula Digital – que integra o programa de educação global ProFuturo, da Fundação Telefônica Vivo em parceria com a Fundação ”La Caixa”. Por meio dele, professoras tiveram formações e assessoria para integrar o ensino digital à sala de aula.

Aos poucos, os desafios foram se transformando em oportunidades.  Em parceria com as formadoras locais Juliette Batista e Deborah Abreu, a equipe pedagógica formada pela coordenadora Umbelina Santos de Jesus e duas professoras, criaramum plano de ação para dar um novo impulso nessa comunidade escolar.

Gosto pelos livros

Um dos frutos desse plano saiu do papel no final de setembro deste ano, na forma de um Chá Literário. Os alunos e suas famílias se reuniram no ambiente escolar para desfrutar de uma tarde de leitura e contação de histórias, com quitutes trazidos pelos participantes.

“Começamos com uma mensagem de incentivo, depois trabalhamos histórias e livros de fácil compreensão: contos de fadas, quadrinhos, entre outros”, conta a coordenadora escolar Umbelina Santos de Jesus. “Transformamos uma das salas numa selva e contamos uma história sobre animais, mostrando o quanto eles precisam um do outro para sobreviver, como a gente”, complementa.

Claudineide, que pilotou o Chá Literário ao lado da colega Ana Isabel e da coordenadora Umbelina, conta que a atividade trouxe para perto da escola as famílias e a comunidade. “Até quem nem tinha filho apareceu! A relação com a vida escolar dos filhos mudou, e agora as mães colocam os filhos para ler, reforçam a importância dos estudos, ajudam nas tarefas”, comemora.

A coordenadora Umbelina ressalta que, após o projeto, a escola ganhou novos ares e projeta: “O desempenho está 90% melhor, e neste ano teremos menos reprovação. Temos agora muito mais leitura e aprendizado, e foram criados projetos de monitoria. Os alunos mais adiantados auxiliam os que têm dificuldades”.

O amor pelos livros cresceu tanto que, a partir de uma geladeira velha, foi montada uma “geladoteca”, que às vezes vira biblioteca e virou objeto de desejo. Os pais e mães não alfabetizados se inspiraram e, após o chá, fizeram um esforço para buscar conhecimento. “Tem mãe que já está assinando o nome”, comemora a coordenadora.  A escola estuda até montar uma turma de alfabetização de adultos no ano que vem.

Piquenique Literário

Na cidade de Tobias Barreto, também em Sergipe, a literatura também foi inspiração para um projeto que virou realidade depois da chegada do projeto Aula Digital. Até outubro deste ano, a professora Silvania Souza, da Escola Estadual Rosinha Felipe, tinha muita dificuldade de despertar nos alunos do 3º ano qualquer tipo de interesse pela leitura.

“Eu tentava de tudo, mas as coisas não mudavam. As crianças tinham pouco contato com livros que não fossem didáticos, e oito alunos não sabiam ler”, explica.

O estalo veio, após as consultorias e formações do projeto Aula Digital, enquanto observava as crianças no pátio, que tem árvores grandes. “Percebi que eles adoravam tomar lanche juntos e aí pensei: por que não fazer um piquenique literário?”, conta a educadora.

Os pais se mobilizaram para conseguir comidinhas, a professora foi atrás de livros e as crianças desfrutaram de uma tarde deliciosa à sombra das árvores, compartilhando saberes com os amigos e curtindo boas histórias.

Se antes ninguém queria saber de leitura, agora vivem com livros embaixo do braço. “Apenas um aluno não sabe ler ainda, mas ele vai superar esse desafio até o fim do ano. Não vou desistir!”, se entusiasma a professora, que, a partir do interesse das crianças, já vislumbra a realização de outros eventos.

Pequenos coautores

O Piquenique Literário não foi a primeira ação literária realizada pela escola. Há alguns anos, a professora Geruza Cristina Ramos também aproveitou a sombra das árvores para ler com os alunos. Durante a atividade, contou com a colaboração de Diego Victor Oliveira Vieira da Silva, que além de vigilante da escola era escritor e poeta.

Geruza e Diego propuseram às crianças um desafio: que elas fossem coautoras de uma história que o poeta vigia tinha na cabeça desde criança. Os alunos gostaram tanta da ideia que, com ajuda da professora, escreveram um livro. Quando divulgado nas redes sociais, chamou a atenção da escritora Ana Lúcia Merege. De tão encantada, a autora de obras como O Castelo das Águias enviou uma cartinha para a professora juntamente com um livro para cada um dos seus alunos. Isso que é final feliz!


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