Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.
Notícias
08.05.2019
Tempo de leitura: 5 minutos

Quatro etapas para o uso do Design Thinking em projetos sociais

Utilizar a ferramenta como recurso na fase do planejamento de um projeto pode trazer soluções assertivas e gerar maior impacto social. Saiba mais!

A imagem mostra dois rapazes olhando para uma parede de vidro repleta de anotações e post its. Um deles, de barba, vestindo uma camisa xadrez, escreve com uma caneta esferográfica na parede.

O Design Thinking é uma abordagem conhecida e já consolidada na criação ou desenvolvimento de ideias e soluções de problemas. Utilizada por instituições e empreendimentos de diversos tipos ou áreas de atuação, a ferramenta também pode ser uma grande aliada de iniciativas sociais ou ações voluntárias.

Focado no ser humano, um dos grandes diferenciais do Design Thinking é colocar as pessoas no centro da questão, priorizando a participação direta daqueles que fazem parte do contexto ou problema a ser resolvido.

Para quem atua em trabalhos ou atividades de impacto social, a ferramenta pode trazer benefícios como incentivar a mobilização e o trabalho colaborativo, estimular o pensamento sistêmico e a criatividade nas soluções encontradas.

Com base no Guia Design Thinking Aplicado em Projetos Sociais, publicação que relata a experiência do Programa de Voluntariado da Fundação Telefônica Vivo na ONG Liga Solidária, destacamos as quatros etapas da ferramenta que podem contribuir com sua iniciativa. Confira!

1. Explorando o contexto

Entender a visão de mundo, crenças, expectativas e comportamentos das pessoas diretamente envolvidas em um problema é fundamental para entender as reais necessidades daquele grupo. Nesta etapa e em processos futuros, empatia é palavra-chave. É preciso observar com atenção, consultar fontes e referências e, acima de tudo, se colocar no lugar delas.

Uma das técnicas usadas durante a fase de exploração é a pesquisa secundária, um levantamento de dados, estudos e o que houver de conhecimento disponível sobre o problema em questão. Após reunir essas informações é hora de partir para a pesquisa primária e entrevistar o público para conhecer as experiências pessoais.

Dicas: Escutar e observar sem julgamentos é parte essencial para se conectar a percepção do outro. Incentivar histórias, tirar fotos do ambiente, notar contradições e verificar as fontes consultadas também enriquecem as informações.

2. Entendendo as necessidades

Após o contato com o ambiente e a coleta de dados suficientes para formular um contexto, o próximo passo é ampliar as reflexões. Aqui, a síntese das pesquisas primárias e secundárias dará origem às primeiras ideias. A proposta é trazer conclusões subjetivas para o coletivo.

Uma das ferramentas usadas para construir esta síntese é o diagrama de afinidades, uma forma de estabelecer conexões entre os grupos de informações reunidas. Elas resultarão na construção de uma persona, que representa as principais características do segmento de pessoas envolvidas com o problema, ajudando a verificar padrões de comportamento.

Dicas: É durante essa fase que se desenha o desafio inicial para gerar soluções. Perguntas que envolvam um coletivo são incentivadas: Como podemos ajudar? Como podemos nos conectar? Como podemos fazer mais? A partir deste desafio inicial, desenhamos a persona: nome, idade, ocupação, motivação, objetivos, principais problemas e frustrações. Uma vez traçado esse mapa, saberemos como ela sente, pensa, o que faz e o que diz a respeito de suas necessidades.

3. Criação de propostas

As análises feitas anteriormente servirão de base para os dois movimentos principais desta fase: a geração e a seleção de ideias. No primeiro, o objetivo é trabalhar em grupo e trazer ideias, sem se preocupar muito se de fato irão funcionar e permanecer no escopo.

Já no momento de seleção de ideias, filtrar o conteúdo por meio do trabalho colaborativo é tarefa principal.  Os debate e argumentações levarão a um refinamento de propostas com base em critérios estabelecidos pela demanda do público que se pretende ajudar. Para isso é possível fundir ideias similares, eliminá-las, elaborá-las melhor, mudar o foco, o que for necessário para chegar a uma síntese.

Dicas: O brainstorming (tempestade de ideias)- exercício mental para gerar ideias em quantidade – e o brainwriting (registros escritos de ideias)- escrita e debate de quatro propostas por cada integrante do grupo – são ferramentas que podem ajudar a organizar a seleção de ideias.

4. Planejamento em ação

Após trilhar o caminho criativo, a experimentação aparece como uma etapa de prototipação das ideias. É neste momento que as ideias estruturam-se e precisam ser testadas para que resultem em um plano de ação concreto. O intuito é tirar a ideia da cabeça e mostrar aos outros para melhorar a comunicação e o entendimento sobre uma potencial solução para o problema que está se tentando resolver.

Dicas: Na hora da experimentação, vale tudo! A materialização da ideia pode ser desde um mapa mental, uma simulação, uma maquete, vídeo, até um exemplar de papel. O importante é ser de baixo custo e representar a ideia selecionada.  

Quem está acostumado com um método de trabalho com começo, meio e fim pode estranhar a forma de aplicação da ferramenta. Mas para os adeptos, a eficácia está justamente nesse processo não linear. “O processo é um pouco caótico, pode gerar incertezas, mas os resultados são poderosos! Especialmente porque a metodologia te faz pensar fora da caixa, deixando julgamentos e conceitos preconcebidos de lado, e estimulando a cocriação”, afirma Ana Carolina Matarazzo, diretora da ONG Liga Solidária.

Quer saber mais sobre como aplicar a ferramenta em seu projeto? Acesse o Guia Design Thinking Aplicado em Projetos Sociais no site da Fundação Telefônica Vivo.


Outras Notícias

Formação continuada fortalece educadores e impulsiona a transformação da educação pública

14/10/2026

Formação continuada fortalece educadores e impulsiona a transformação da educação pública

De bolsas para futuros professores a formações em competências digitais, iniciativas públicas e da sociedade civil ampliam oportunidades de desenvolvimento profissional para educadores e gestores

Competência ou habilidade? Entenda como a BNCC Computação organiza o que os estudantes devem aprender

06/10/2026

Competência ou habilidade? Entenda como a BNCC Computação organiza o que os estudantes devem aprender

Relator do documento explica como a articulação entre os dois conceitos orienta os currículos e apoia a implementação do ensino da Computação na Educação Básica

Congresso da Jeduca debate tecnologia, alfabetização e os desafios da educação na era digital

01/10/2026

Congresso da Jeduca debate tecnologia, alfabetização e os desafios da educação na era digital

Em sua 10ª edição, evento reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir inteligência artificial, proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e o papel da tecnologia na aprendizagem

Quais são as responsabilidades de um gestor de escola pública na era digital?

29/09/2026

Quais são as responsabilidades de um gestor de escola pública na era digital?

Referencial para Qualidade e Equidade da Gestão Escolar coloca a gestão de dados e a transformação digital da educação como área estratégica da atuação das lideranças escolares

Avanço na educação digital: todos os estados, DF e maioria dos grandes municípios já aprovaram referenciais curriculares alinhados à BNCC Computação

11/09/2026

Avanço na educação digital: todos os estados, DF e maioria dos grandes municípios já aprovaram referenciais curriculares alinhados à BNCC Computação

Levantamento feito entre as 73 maiores redes de ensino no país mostra que 82% já realizaram a adequação curricular, um passo importante para a implementação das diretrizes em todo o território nacional

O que é microlearning e por que a metodologia vem ganhando espaço no contexto educacional

04/09/2026

O que é microlearning e por que a metodologia vem ganhando espaço no contexto educacional

Por meio de recursos como vídeos curtos, quizzes e podcasts, microlearning ou microaprendizagem tem se consolidado como uma abordagem pedagógica intencional, alinhada às demandas dos estudantes contemporâneos, ao promover experiências de aprendizagem mais flexíveis, acessíveis e significativas