Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.

Notícias

02.12.2016
Tempo de leitura: 4 minutos

Repensando os processos de ensino-aprendizagem

Como a inovação educativa pode contribuir para melhorar o desempenho dos alunos no ensino brasileiro.

Imagem mostra menina de camiseta listrada branco e verde em uma sala de aula, escrevendo em um caderno.

Como a inovação educativa pode contribuir para melhorar o desempenho dos alunos no ensino brasileiro.
Mensurar a qualidade educacional de um país extenso como o Brasil é uma tarefa complexa.  A educação faz parte de um sistema composto por vários aspectos que influenciam nesta avaliação: desde o desempenho dos alunos nas atividades propostas pela escola, notas dos exames e índices de aprovação, até questões mais complexas como o contexto socioeconômico dos estudantes, a realidade do município, o nível de formação dos educadores, entre outros fatores.
Além disso, as atuais ferramentas de avaliação apresentam algumas fragilidades por não conseguirem mensurar alguns fatores muito relevantes na Educação, como as habilidades socioemocionais dos estudantes ou a capacidade inclusiva da escola. Por excluir estes aspectos, considera-se que as avaliações se tornam inoperantes no processo de aperfeiçoamento do sistema educativo.
No Brasil, uma das ferramentas utilizadas para medir a qualidade de ensino é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica- Ideb, que teve seu último relatório divulgado em setembro deste ano. O estudo, realizado a cada dois anos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), avalia alunos do ensino fundamental e do ensino médio de escolas públicas e privadas, por meio de um cálculo feito a partir do cruzamento da taxa média de aprovação com o desempenho escolar dos estudantes.
A cada nova edição, o Ideb revela uma fotografia da educação no país, registrando os avanços, estagnações e retrocessos dos estados e municípios. A meta estabelecida pelo Inep é que o Brasil atinja, até o ano de 2022, a pontuação 6,0 como média nacional nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
Nos resultados deste ano, destaca-se o desempenho do Ensino Fundamental, que vem evoluindo progressivamente desde 2005 e alcançou a nota 5,5. Os anos finais do desta etapa escolar, correspondentes do 6° ao 9° ano, também melhoraram no índice, passando de 4,2, em 2013; para 4,5, em 2015. Já o Ensino Médio não apresentou nenhuma evolução na média desde 2011, continuando com a nota de 3,7. Apenas dois estados alcançaram a meta: Pernambuco e Amazonas.
O estado do Pernambuco, um dos únicos que se manteve acima da média em todos os anos de avaliação, atribuiu os bons resultados à massificação de iniciativas até então em caráter experimental, além de uma linha pedagógica diferenciada, sintonizada com a escola do século XXI, que apoia o desenvolvimento de projetos em diversas áreas do conhecimento e a inclusão de tecnologia no currículo escolar, por meio de disciplinas como robótica.
“As escolas que se envolvem em projetos, pesquisas e interações que saiam dos espaços formais tendem a ter melhores resultados porque motivam mais os alunos”, analisa José Manuel Moran, cofundador do Projeto Escola do Futuro e pesquisador e consultor de formação de cursos à distância e semipresenciais.
Mesmo que o bom desempenho esteja relacionado a conceitos inovadores, o professor ressalta que as ferramentas tecnológicas não devem ser avaliadas como um fator isolado de sucesso. “As escolas mais interessantes são feitas por educadores que conversam entre si, planejam juntos, propõem atividades diferentes e acompanham os alunos. A tecnologia é uma facilitadora e potencializa o desempenho escolar, mas o grande diferencial está nas pessoas”.
Segundo Moran, a falta de estrutura ou acesso à tecnologia, não deve impedir as escolas de terem uma visão aberta e de experimentação, criando algo que saia da rotina e dialogue com as possibilidades que existem no entorno, seja no universo online ou off-line.
“O mundo não acaba na sala de aula. Sempre é possível fazer algo diferente e conectar-se com os alunos de diversas maneiras. A palavra-chave é encantamento. Fazer o jovem perceber que aquilo que ele está estudando é importante e tem a ver com o cotidiano dele, torna o processo de aprendizagem prazeroso.”
Avaliações como o Ideb, que trazem informações relevantes sobre escolas e redes de ensino, podem ser úteis para promover a análise de cenários e reflexões sobre o desempenho educacional do país. No entanto, o processo de melhoria no desempenho dos alunos deve ser contínuo e considerar todos os aspectos da inovação, indispensável para uma educação de qualidade.


Outras Notícias

10 bibliotecas digitais gratuitas para usar na escola

19/06/2026

10 bibliotecas digitais gratuitas para usar na escola

Saiba como usar bibliotecas digitais gratuitas em sala de aula e por que a mediação do educador é essencial para a aprendizagem e leitura

Informe Social 2025: Fundação Telefônica Vivo impacta 2,2 milhões de estudantes da rede pública

17/06/2026

Informe Social 2025: Fundação Telefônica Vivo impacta 2,2 milhões de estudantes da rede pública

Relatório reúne principais resultados, iniciativas e aprendizados do ano, com foco no fortalecimento da educação pública por meio do uso qualificado da tecnologia

Kits tecnológicos ampliam acesso à educação digital e fortalecem aprendizagem em escolas públicas do Nordeste 

11/06/2026

Kits tecnológicos ampliam acesso à educação digital e fortalecem aprendizagem em escolas públicas do Nordeste 

Maletas com notebook, roteador, tablets e headphones chegam a escolas públicas por meio de uma parceria global entre American Tower e ProFuturo, que combina infraestrutura, tecnologia e formação docente para fortalecer a aprendizagem em matemática 

Além da técnica: como a EPT prepara jovens para as competências mais demandadas pelo mercado

02/06/2026

Além da técnica: como a EPT prepara jovens para as competências mais demandadas pelo mercado

Das 10 habilidades mais exigidas pelos empregadores, 5 são soft skills como criatividade e resiliência, aponta pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial; EPT se destaca ao combinar aprendizado técnico e interpessoal

Dia dos Voluntários mobiliza mais de 10 mil colaboradores e beneficia 52 instituições em todo o Brasil

29/05/2026

Dia dos Voluntários mobiliza mais de 10 mil colaboradores e beneficia 52 instituições em todo o Brasil

Uma das maiores iniciativas corporativas no país, o Programa de Voluntariado da Fundação Telefônica Vivo mobilizou ações simultâneas em 37 cidades, atendendo mais de 46 mil pessoas

Polos tecnológicos crescem e impulsionam demanda por formação técnica no Brasil

20/05/2026

Polos tecnológicos crescem e impulsionam demanda por formação técnica no Brasil

País já conta com 113 ecossistemas de inovação que conectam universidades e empresas em todas as regiões, gerando faturamento de R$ 15 bilhões e milhares de empregos