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24.08.2021
Tempo de leitura: 5 minutos

“Se estamos aqui hoje foi porque alguém lutou por nós”, diz jovem ativista

Artemisa Xakriabá se destaca por suas ações de defesa ao meio ambiente. Ela participou da Cúpula da Juventude pelo Clima em Nova York e é otimista sobre a atuação dos jovens brasileiros na luta pela preservação ambiental

foto da jovem ativista Artemisa Xakriabá

Nome: Artemisa Xakriabá
Idade: 20 anos
Cidade/Estado: Terra indígena Xakriabá – MG

Artemisa Xakriabá, do povo Xakriabá de Minas Gerais, tem 20 anos e é hoje uma das mais importantes lideranças indígenas jovens. Ela mora em Santa Maria (RS), onde estuda psicologia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). No entanto, com muita frequência, a jovem ativista faz ponte aérea entre o sul do país e a Terra indígena Xakriabá.


Desde nova aprendeu sobre a importância de cuidar da natureza. Era comum que participasse de ações de reflorestamento, plantando árvores em zonas que não possuíam vegetação. “Como o meu povo é situado na região do Cerrado, para que a nascente do rio não secasse a gente tinha que fazer arborização”, explica. Ela tinha apenas 7 anos quando, ao lado de outras crianças da tribo Xakriabá, ajudou a reflorestar 15 áreas ribeirinhas perto de onde vivia.


A importância e a responsabilidade de preservar a natureza para as próximas gerações também foram ensinadas em sua escola. “A mãe natureza é fonte de vida. Principalmente a nós indígenas que somos os principais protetores”, afirma Artemisa. Estima-se que há 700 mil pessoas vivendo em Terras Indígenas hoje, e seus territórios abrigam grande diversidade de espécies vegetais e animais.


Aos 16 anos, a jovem ativista se mudou para Ribeirão Preto (SP) para finalizar o Ensino Médio. Foi lá, no interior de São Paulo, que lançou o Reflores Verde, projeto de preservação ambiental que iria reflorestar e arborizar áreas devastadas da cidade. “Acho que foi isso que me tornou ativista. Desde pequena eu fui ensinada a cuidar da natureza, mas eu só soube que aquilo era ativismo ambiental quando alguém me falou que era”, lembra.


Em setembro de 2019 Artemisa fez a sua primeira viagem internacional. Ela foi a Nova York para participar da Cúpula da Juventude pelo Clima, evento que abre a Cúpula do Clima da Organização das Nações Unidas. “Eu fico muito feliz de ver a juventude no enfrentamento das ações climáticas porque é uma luta que não pode acabar nunca. A gente enfrenta o fim do mundo todos os dias, principalmente nós indígenas que somos os mais afetados”, pontua.


Apesar de ser muito crítica à atual gestão climática no país, Artemisa é otimista em relação à mobilização da juventude brasileira, destacando o papel das redes sociais.


“É muito importante a participação indígena nas redes sociais porque dá maior visibilidade. Conscientizamos as pessoas que é necessária a proteção ao meio ambiente”. Artemisa é bastante ativa nas redes, onde expõe as ameaças que indígenas brasileiros sofrem e se une a milhares de jovens na luta pelo futuro do planeta. “Se estamos aqui hoje foi porque alguém lutou por nós, por isso temos que continuar. A luta é contínua, ela nunca para”.

O quanto a educação foi importante na sua trajetória para chegar até aqui?

A educação foi muito importante na minha trajetória, mas ela é importante na vida de qualquer um. Ao saber falar, saber interagir, entendemos que a mãe natureza é o pulmão do mundo e a fonte de vida que nós precisamos. Com esta conscientização sabemos que teremos um futuro melhor. Mas a educação não é só saber falar, é também agir.

Quais conselhos você daria para jovens que estão no Ensino Médio neste momento de pandemia e enfrentam desafios e questionamentos sobre o futuro?

Neste momento tão difícil que estamos vivendo, o meu conselho para o jovem é que ele nunca pare de lutar. Temos que unir forças. Agora temos as redes sociais que dão bastante visibilidade ao que está acontecendo, principalmente com os povos indígenas, como as queimadas e as grilagens.

Eu também quero falar para os jovens que a luta dos povos indígenas é uma luta necessária. Quero pedir aos jovens que cuidem da mãe natureza, pois isso significa cuidar de nós mesmos.

Para você, acreditar em educação é…?


A educação é a base de tudo. Ela é uma passagem do aprendizado para o ensinamento. A educação tem contribuído muito para conscientizar e dar visibilidade às questões climáticas. É importante que o jovem tenha acesso à informações para cuidar da natureza e dos povos indígenas. Acreditar na educação é a base para um futuro bom.

Acreditar em si mesmo é…?

Eu fico muito feliz com o que eu aprendo e com aquilo o que eu ensino. Acreditar em si mesmo é algo grandioso. A gente tem que pensar que o nosso futuro tem que ser bom, mas precisamos lutar agora. Temos que nos unir, dar as mãos para cuidar do meio ambiente e construir um futuro melhor.


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