Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.

Notas Técnicas

27.02.2026
Tempo de leitura: 10 minutos

Dados do Censo Escolar 2025: conectividade escolar chega a 94,5%

Resultados divulgados pelo Inep também registraram que cresceu número de jovens na Educação Profissional e Tecnológica; leia nota técnica da Fundação Telefônica Vivo

Imagem ilustra a matéria que exemplifica o termo censo escolar 2025

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou, nesta quinta-feira (26/02), os resultados do Censo Escolar 2025, pesquisa anual que coleta informações sobre as instituições de ensino, turmas, alunos e profissionais da Educação Básica no país.

Em 2025, foram contabilizadas 46 milhões de matrículas nas 178,8 mil escolas de Educação Básica no Brasil. Entre os anos de 2024 e 2025, a rede pública teve uma redução de 2,1%.

De acordo com a fala do ministro da Educação Camilo Santana, a tendência de queda observada é influenciada por fatores demográficos, mais especificamente pelo envelhecimento da população, e por melhoras na eficiência do sistema educacional, com quedas significativas da taxa de distorção idade-série.

No entanto, é importante mencionar que a qualificação dessa tendência dependerá também da divulgação dos dados de fluxo escolar, que compõem a segunda etapa do Censo Escolar e permitirão compreender com maior precisão os movimentos de aprovação, reprovação e abandono. Além disso, como o próprio ministro também ressaltou, persistem desafios relevantes relacionados à equidade, uma vez que as taxas de distorção idade-série ainda apresentam diferenças expressivas entre estudantes negros e brancos. Esses dados indicam que os ganhos recentes do sistema educacional, embora importantes, ainda não alcançam todos os grupos de forma homogênea.

Por fim, ainda sobre dados de matrículas, é importante destacar que o país atingiu o maior percentual de estudantes em tempo integral em todas as etapas da Educação Básica dos últimos quatro anos: o resultado de matrículas presenciais em tempo integral cresceu 10,7 pontos percentuais (p.p) na rede pública de ensino durante o período de 2021 a 2025, passando de 15,1% para 25,8%.

 

Conectividade na educação

Os resultados indicam um novo avanço no percentual de escolas públicas com acesso à internet, que passou de 82,8% em 2024 para 94,5% em 2025. O dado reforça uma trajetória positiva observada nos últimos anos e sinaliza a continuidade dos esforços para ampliar o acesso à internet nas escolas públicas do país.

É importante destacar, no entanto, que o Censo Escolar é uma pesquisa declaratória, baseada nas respostas fornecidas pelas próprias escolas, e não contempla uma aferição técnica da qualidade da conectividade disponível. Ou seja, o Censo permite identificar se a escola declara ter acesso à internet, mas não avalia se essa conexão atende aos parâmetros necessários para apoiar práticas de ensino e aprendizagem.

Nesse sentido, os resultados do Censo Escolar relativos à conectividade oferecem uma leitura complementar da realidade da conectividade escolar no Brasil. Para uma análise mais precisa da conectividade voltada ao ensino e à aprendizagem, é fundamental considerar os dados produzidos pelo Painel de Monitoramento da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, que hoje constituem a fonte mais robusta sobre o tema. Ao combinar diferentes bases administrativas e técnicas, o painel cruza informações sobre velocidade de conexão, cobertura de rede Wi-Fi nos ambientes escolares, infraestrutura elétrica e capacidade de uso simultâneo, elementos essenciais para caracterizar a internet como uma ferramenta efetiva de ensino e aprendizagem.

Vale mencionar que o Painel do MEC também tem capturado uma evolução da conectividade adequada para fins pedagógicos¹, que passou de 57% em 2024 para cerca de 70% no final de 2025. Além disso, também em dezembro do último ano, 27% das escolas públicas estariam fora dos parâmetros adequados, e apenas 2,8% permaneceriam completamente sem acesso à internet para fins pedagógicos.

É importante pontuar que, além da diferença metodológica entre os dados de conectividade do Censo e do Painel do MEC, há também uma distinção temporal entre as fontes: enquanto o último utiliza dados mais recentes, atualizados no final do ano passado, o primeiro se baseia em informações reportadas pelas escolas no primeiro semestre de 2025. Assim, ao incorporar indicadores de qualidade e medições mais atuais, o painel permite uma leitura mais acurada do estágio de conectividade das escolas públicas brasileiras e reforça a evidência de que os avanços recentes são até mais expressivos do que aqueles observados exclusivamente a partir dos dados do Censo Escolar.

Para além da ampliação da conectividade, a disponibilidade de dispositivos digitais nas escolas é um elemento central para a efetivação da educação digital. Os dados indicam um avanço no uso de computadores e tablets nas escolas públicas, observado em praticamente todas as etapas e modalidades da educação básica, tanto no Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio. As informações apresentadas na tabela a seguir evidenciam esse movimento.

De forma complementar, seria importante acompanhar outros indicadores como a relação entre o número de equipamentos e alunos e a frequência de uso desses dispositivos em atividades pedagógicas, de modo a qualificar a leitura sobre o avanço observado e compreender em que medida eles são efetivamente incorporados ao cotidiano escolar.

É válido também ressaltar que os resultados divulgados indicam avanços na ampliação da conectividade escolar no país e se inserem no marco das orientações estabelecidas pela Estratégia Nacional de Escolas Conectadas. Cumpre mencionar que esses resultados dialogam diretamente com o debate em curso sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE), atualmente em tramitação no Senado, que incorpora, pela primeira vez, metas e estratégias relacionadas à conectividade e educação digital. Trata-se de um marco relevante e que deve ser celebrado.

Ao mesmo tempo, cabe reforçar que esses avanços recentes na conectividade escolar indicam que o debate sobre as metas do PNE se dá em um contexto já marcado por progressos importantes, o que reforça a necessidade de acompanhar a implementação do novo plano não só com atenção ao acesso e à qualidade do acesso, mas também à intencionalidade do uso pedagógico da tecnologia e à redução das desigualdades. Isso implica considerar de que maneira os recursos digitais são integrados às práticas de ensino e o grau de preparo dos professores para utilizá-los de forma crítica.

 

Importância do professor e desenvolvimento de competências digitais

Os avanços recentes na conectividade das escolas públicas e na ampliação do acesso à internet representam um passo fundamental para a consolidação da educação digital no país. No entanto, a experiência nacional e internacional demonstra que esses investimentos, por si só, não são suficientes para promover transformações efetivas nos processos de ensino e aprendizagem. Para que a tecnologia cumpra seu potencial pedagógico, é indispensável que ela seja incorporada de forma intencional, planejada e alinhada aos objetivos educacionais, processo no qual o papel do professor é central.

Nesse contexto, ganha destaque a necessidade de fortalecer o desenvolvimento das competências digitais docentes. Esse debate torna-se ainda mais relevante neste momento em que o novo PNE segue para apreciação no Senado. A efetividade das metas propostas no plano dependerá, em grande medida, do cumprimento das estratégias previstas, entre as quais se destaca o fortalecimento da formação inicial e continuada de professores. Trata-se de uma condição central para que conectividade, dispositivos e recursos tecnológicos sejam, de fato, convertidos em impacto educacional concreto.

 

Crescimento de EPT

Um destaque positivo trazido pelos dados divulgados hoje é o crescimento da Educação Profissional e Tecnológica (EPT). Na rede pública, a razão entre matrículas em cursos técnicos integrados ou concomitantes ao ensino médio e o total de matrículas no ensino médio regular cresceu de 15,4% para 20,1%, um avanço expressivo. Considerando rede pública e privada, o avanço no mesmo período foi de 17,2% para 21,5%.

Cumpre mencionar que essa métrica também é uma referência usada em análises internacionais. De acordo com indicadores da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em países membros essa participação de estudantes em programas vocacionais ou técnicos no nível de ensino médio gira em torno de 44%. Esse movimento de crescimento indica que o Brasil está caminhando em direção a padrões observados em contextos comparáveis, fortalecendo trajetórias de formação que podem ampliar o repertório de competências e a empregabilidade dos jovens.

Entre os diferentes eixos dessa modalidade, merece atenção especial o de Informação e Comunicação, que inclui os cursos voltados à tecnologia, registrando um avanço de 11% entre 2024 e 2025 (resultados para a rede pública) como apresentado abaixo.

Os dados reforçam que a EPT tem avançado de forma consistente no Ensino Médio. Esse movimento é relevante tanto do ponto de vista educacional quanto do mundo do trabalho, ao ampliar oportunidades de desenvolvimento de competências técnicas e digitais alinhadas às demandas produtivas.

De acordo com pesquisa realizada pelo Itaú Educação e Trabalho em conjunto com a Fundação Roberto Marinho (“Juventudes Fora da Escola”²), 77% dos jovens que deixaram a escola e pretendem voltar para concluir o Ensino Médio manifestam interesse no ensino técnico. Cursos técnicos, especialmente em áreas em expansão como a de tecnologia, ao estarem mais conectados às demandas do mercado de trabalho, oferecem aos estudantes uma perspectiva mais concreta de futuro, tendo um papel importante na permanência desses jovens na escola.

É importante reforçar que o avanço da modalidade também coloca em evidência a relevância de fortalecer o monitoramento e a avaliação dos cursos de EPT, de modo a compreender em que medida a expansão observada se traduz, de fato, em formação alinhada às competências demandadas pelo mundo do trabalho e em impactos positivos sobre a evasão escolar, inclusive em comparação com outras modalidades do Ensino Médio. Nesse sentido, os dados da segunda etapa do Censo Escolar 2025 oferecem um sinal positivo ao registrarem redução da taxa de abandono no Ensino Médio da rede pública, que passou de 3,5% em 2024 para 2,5% em 2025. Ainda que esse resultado deva ser interpretado de forma multifatorial, considerando o conjunto de políticas e iniciativas voltadas à permanência e ao engajamento dos estudantes, ele reforça a importância de aprofundar análises sobre a contribuição de diferentes estratégias educacionais para a trajetória escolar dos jovens, entre elas a expansão da EPT.

Faça o download gratuito da nota técnica do Censo Escolar 2025

¹ A metodologia por trás da construção do Inec (Indicador Escolas Conectadas) classifica as escolas em níveis de 0 a 5: nível 0 (escola sem conexão à internet ou sem energia adequada), nível 1 (escola com velocidade inadequada e sem rede Wi-Fi), nível 2 (escola com velocidade e rede Wi-Fi inadequados), nível 3 (escola com velocidade adequada e sem rede Wi-Fi), nível 4 (escola com velocidade adequada e rede Wi-fi insuficiente), nível 5 (escola com velocidade e rede Wi-Fi adequados). Apenas os níveis 4 e 5 são considerados adequados.

² Disponível em: <https://fundacaoitau.org.br/observatorio/biblioteca/juventudes-fora-da-escola>

* Texto atualizado em 30/06/2026


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