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29.08.2018
Tempo de leitura: 7 minutos

7 caminhos para inovação da educação do Brasil

Escuta ativa, investimento nas juventudes e atuação em rede são algumas das possibilidades discutidas por pensadores, ativistas e educadores na 3ª edição do Seminário de Inovação Educativa, em São Paulo

Imagem mostra uma das mesas do evento Inovação Educativa, promovido pela Folha de São Paulo. Há seis palestrantes sentados em semicírculo em cima do palco

A Fundação Telefônica Vivo promoveu na última semana, em parceria com o jornal Folha de S.Paulo, a 3ª edição do Seminário de Inovação Educativa, em São Paulo. Durante duas manhãs, especialistas, educadores, ativistas e secretários municipais se reuniram para discutir possíveis caminhos para uma educação disruptiva. O evento partiu de três eixos principais: juventude, futuro do trabalho e atuação em rede.

“Mais do que levar tablet para as salas de aula, inovação educativa engloba práticas que consideram a educação para a vida, são modelos que permitem maior empoderamento do aluno e do professor, flexibilidade dos espaços e currículos e gestão engajada”, definiu Americo Mattar, diretor presidente da Fundação, que apresentou à plateia os resultados da recém-lançada pesquisa Juventude Conectada, edição especial de empreendedorismo.

Olha a onda!

Durante o 3º Seminário de Inovação Educativa ocorreu o lançamento oficial do Movimento de Inovação na Educação (MIE), uma iniciativa integradora de redes, escolas, profissionais, ativistas e iniciativas sociais pela transformação da educação.

“Tenho certeza do sucesso desse movimento. Esse é mais um passo que a gente precisava dar rumo à educação de qualidade”, completou Mila Gonçalves, gerente de Programas Sociais da Fundação.

“É um espaço com informações de qualidade, iniciativas inspiradoras e bons contatos, afinal a transformação da educação é obra coletiva”, explicou Natacha Costa, diretora-geral da Associação Cidade Escola Aprendiz, que é responsável pelo MIE junto com a Fundação Telefônica Vivo e com a Ashoka.

Confira abaixo 7 caminhos que emergiram das discussões e que apresentam algumas alternativas para o futuro da educação:

1) Igualdade de oportunidades deve nortear a inovação

“Quantos Mozarts nós estamos matando no Brasil?”, questionou Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação, filósofo e professor da Universidade de São Paulo, ressaltando que somente 1/3 da população brasileira tem oportunidades educacionais.

Segundo o filósofo, a aprendizagem mais efetiva é a que prepara para a vida. “Toda matéria ensinada no Ensino Médio que o aluno esquece depois de formado foi um conteúdo inútil. Temos de pensar em outras formas de ensino”, decreta. Isso passa pela necessidade de desenvolver competências emocionais e comportamentais.

A ideia é reforçada pela pesquisa Juventude Conectada, edição especial Empreendedorismo, apresentada na mesa O jovem no centro da cena, por Americo Mattar. “Um dos pontos que chamou a atenção na pesquisa é que a escola não está ensinando aos jovens as competências para a vida. 80% dos entrevistados disseram que aprendem sozinhos sobre empreendedorismo, que é um conteúdo fundamental para o mundo de hoje”, anunciou o diretor presidente da Fundação Telefônica Vivo.

2) É fundamental criar espaços de escuta

Para André Lázaro, secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, a ocupação das escolas pelos estudantes em 2016 foi a maior inovação recente da educação. “Esse movimento sinalizou uma coisa: os jovens talvez não saibam a educação que querem, mas sabem a escola que querem e é uma em que possam ser ouvidos”, disse durante sua apresentação.

Ivana Maia Santos, de 17 anos, ressaltou a alegria de participar do Pense Grande – que difunde a cultura empreendedora voltada para impacto social – justamente pelo espaço de escuta. “É o momento que o jovem tem para falar o que quer, para refletir sobre seus sonhos e objetivos”, afirmou a jovem que está desenvolvendo com seus colegas da escola Norma Ribeiro (CENOR), atendida pelos programas da Fundação Telefônica Vivo Inova Escola e Pense Grande, um projeto para erradicar a pobreza.

3) Criar espaços para estimular a potência das juventudes

“Entendemos a adolescência como uma grande oportunidade de aprendizagem, já que é uma etapa de construção de identidade, conquista de autonomia, ampliação de referências intelectuais, afetivas e sociais”, explicou Gabriela Mora, representante da Unicef no Brasil.

“É muito importante investir nessa fase para consolidar conquistas. E uma das maneiras de fazer isso é fomentar a participação dos jovens na escola, na família, na vida, na sociedade”, disse Gabriela. Isso pode ser feito não só incentivando os grêmios, mas também por meio de coletivos jovens e apoio a políticas públicas que promovam o desenvolvimento de qualidade.

4) Diversidade, respeito e inclusão como pré-requisitos

Stephanie Ribeiro, arquiteta e ativista do movimento feminista negro, relatou à plateia os desafios de cursar uma faculdade particular. “Sou uma mulher negra saída da periferia de uma cidade onde as meninas são mães jovens e têm poucas oportunidades. Ter entrado na universidade foi revolucionário na minha narrativa e na da minha família”, disse.

A jovem de 25 anos apelou às redes sociais para lidar com o choque de ter se visto sozinha enfrentando atitudes racistas, machistas e de preconceito contra cotistas. “Defendo muito a inclusão da diversidade nos espaços reservados para poucos e que, muitas vezes, são hostis. Aí fica a reflexão: não adianta ter a oportunidade de estar nesses espaços se não consigo permanecer financeira e psicologicamente. Temos de promover mais diversidade”, defendeu a ativista, que foi aplaudida de pé.

5) É preciso lidar com o futuro

Na mesa O futuro do trabalho: o que vem por aí, Lucas Robertto Batista, do Digital Labs da Vivo, pôs em pauta que o caótico é o novo normal. “Vivemos num mundo volátil, incerto e ambíguo, de modo que temos de aprender a conviver, a trabalhar, a viver sem nenhum tipo de certeza. Como preparar as pessoas para isso?”, questionou levantando o dado de que 30% das profissões essenciais no futuro ainda não existem.

A futurista Rosa Alegria, diretora da The Millennium Project, maior rede de pesquisadores sobre o futuro, questionou o que estamos fazendo para que nossas crianças vivam felizes nos próximos anos: “nós ainda estamos ensinando nossos jovens a olhar para o retrovisor, quando, na verdade, a educação precisa dar ferramentas para que eles lidem com esse futuro incerto”.

6) Inovação em rede é mais potente

Janaína Barros, professora e formadora do Instituto Chapada, na Bahia, destacou que a atuação em vários grupos a ajuda a se transformar. “Uma das vantagens de estar em rede é aprender a furar a bolha, além de me colocar em contato com novos conhecimentos e perspectivas, facilitar o meu trabalho e aumentar a visibilidade dos meus projetos”, definiu a professora.

Já Marcela Oliveira, diretora da escola André Urani / GENTE, do Rio de Janeiro e que também integra o programa Inova Escola, relatou como as redes sociais foram importantes para manter o interesse dos alunos pela escola no período sem aulas devido à intervenção miliar na Rocinha, onde está localizada.

“O Facebook passou a ser nossa principal forma de comunicação com os alunos e com os pais e depositório de atividades. Em pouco tempo, tivemos um boom de acessos. A facilidade de acesso à escola fez com que os pais começassem a participar mais ativamente e os adolescentes passassem a nos valorizar ainda mais. Tanto que tenho orgulho de dizer que terminamos 2017 sem evasão escolar”, relatou.

7) Inspiração em quem está se reinventando

O secretário municipal de Segurança Urbana de Recife (PE), Murilo Cavalcanti, apresentou as mudanças promovidas por Medellín, na Colômbia, que passou de cidade mais violenta do mundo à mais inovadora, graças a investimentos em educação.

Inspirado neste modelo, Recife criou, em 2016, o Centro Comunitário da Paz – Compaz, com o objetivo de garantir inclusão social e fortalecimento comunitário. Além do governo do estado, há atuação de dez secretarias para que o aparato funcione, oferecendo cultura, esporte, curso de línguas, atendimento de saúde e educação, especialmente para a primeira infância. “Toda nova política tem que começar com a pergunta: em qual cidade nós queremos que as nossas crianças vivam? É assim que começamos a transformar as coisas”, defendeu o secretário.


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