Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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02.12.2016
Tempo de leitura: 6 minutos

Agressividade na escola

Na escola: como lidar com comportamentos agressivos?
Christiane D’Angelo Fernandes e Maria Fernanda Souza*
Violência, agressividade e comportamento antissocial são importantes temas de reflexão e debate nos dias atuais, especialmente quando estão presentes na escola, no ambiente escolar.
Educadores e instituições de ensino deparam-se diariamente com situações onde tais comportamentos acontecem cotidianamente. Aprender a respeitar limites, regras e autoridade, trabalhar adequadamente em equipe, respeitar as dificuldades e limitações do outro, assim como ter atitudes de respeito, tornaram-se desafios tão importantes quanto a aquisição do conteúdo curricular básico.
Atitudes agressivas, uso do poder, intimidação de colegas e enfrentamento de professores e funcionários parecem não ter limites. Toda essa agressividade contradiz os propósitos essenciais da escola de educar e socializar, trazendo prejuízos individuais e coletivos, além de instalar um clima de temor e distância entre aqueles que deveriam ser parceiros no processo educativo: o professor e o aluno.
A socialização do aluno é um processo gradual, que deve ser construído nos diversos ambientes em que as crianças e os adolescentes estão inseridos. Vários fatores são determinantes para que este processo ocorra: educação familiar, acesso à educação formal, convívio com outros grupos sociais – parentes, vizinhos, igreja etc. -, acesso à cultura, entre outros. Fatores biológicos, questões culturais, histórico familiar (hereditariedade e referencial de educação), condição sócio-econômica e condições adequadas de saúde também interferem neste processo. Os fatores biológicos vêm sendo investigados por profissionais de saúde mental e têm forte influência no padrão de comportamento do indivíduo.
Outros fatores que norteiam e promovem o processo de socialização são: as condições de saúde mental da criança e de seus familiares, a construção de vínculo afetivo, a valorização do potencial da criança, o suporte emocional, a referência moral e ética de comportamento, a presença efetiva e adequada das figuras parentais e a segurança física e emocional.
A escola detém uma importante parcela na construção deste processo, pois oferece ao aluno a oportunidade de vivenciar situações tanto de “conforto” social como de desafio, colocando à prova suas habilidades sociais. A socialização e o processo de aprendizagem caminham juntos. Quando uma está comprometida, a outra tende a sofrer prejuízos, pois a motivação, atenção e memória são pré-requisitos para ambas.
Comportamentos agressivos distanciam aqueles que deveriam ser parceiros no processo educativo: o professor e o aluno. É um grande desafio para os alunos tentar aprender em uma classe que apresenta um nível acentuado de conflitos, onde o professor tenta gerenciar a manutenção da ordem sem conseguir atender ao conteúdo curricular. Diante desta situação, encontram-se estudantes insatisfeitos, com seu potencial sub-utilizado, e professores desgastados, temerosos e com a saúde física e emocional comprometidas.
A construção do conceito de coletividade, o desenvolvimento da tolerância à frustração, a descoberta de formas saudáveis de resolver problemas e conflitos, o descobrir do “gostar de aprender” são, ao mesmo tempo, desafios e ferramentas à disposição da escola para lidar com a agressividade.
Uma das maneiras de tornar um aluno questionador e crítico, muitas vezes mal visto pelo educador, em um parceiro na sala de aula é oferecendo espaço e atenção, além de motivação. O professor deve valorizar o saber desse aluno, instigar sua curiosidade, propor diferentes formas de aquisição do aprendizado e estimular a pesquisa e investigação. Desse modo, a simples transferência de conhecimento é evitada e o aluno sai da posição de mero receptor de informações, transformando-se em parceiro.
Como fazer na prática?
Evidentemente há uma série de situações que facilitam ou dificultam o estabelecimento desta relação saudável entre professor e aluno, como a faixa etária, os recursos materiais e físicos do ambiente, a capacitação do educador e suas condições de trabalho. Mas determinadas orientações podem ser dadas de forma geral.
O professor necessita da colaboração da família e da instituição de ensino para desempenhar plenamente seu papel. A colaboração do professor de educação física, por exemplo, em atividades dirigidas que impliquem as mais diversas disciplinas, a utilização de jogos e brincadeiras como forma de aprendizado, a realização de dinâmicas de grupo, a utilização de recursos diversos como música e as mais variadas expressões artísticas e esportivas, a elaboração de eventos culturais, saídas pedagógicas, construção de informativos de interesse e com a participação dos alunos, elaboração de melhorias na própria escola, são alguns possíveis motivadores para a mudança da postura social de um aluno.
Também são facilitadores do processo de socialização a construção coletiva de regras de convivência, a elaboração e apresentação diária da rotina da classe, o planejamento de aulas criativas e motivadoras, o reforço positivo, a busca por outras formas de resolução de conflitos e de expressão de sentimentos, assim como o contato frequente com a família. O comportamento do professor é referência dentro da sala de aula, mas o profissional necessita da colaboração da família e da instituição de ensino para desempenhar plenamente seu papel.
A agressividade na escola, a violência e o comportamento antissocial não apresentam razão única e definida. A solução para estes problemas também não será alcançada por uma única frente. Estudos, reflexões e ações que visem minimizar as causas e promover o desenvolvimento emocional, social, moral e cognitivo da criança devem ser elaborados por meio da parceria entre educadores, profissionais da saúde, do serviço social, do direito e das demais áreas implicadas na promoção do bem-estar e garantia dos direitos da criança e do adolescente.
*Christiane D’Angelo Fernandes é educadora, coach e diretora-executiva do SINAL – Socialização da Infância e Adolescência Laborada; Maria Fernanda Souza é Pedagoga e Psicomotricista do SINAL


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