Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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28.12.2018
Tempo de leitura: 6 minutos

Brincadeiras e educação: iniciativas usam o lúdico no aprendizado

Brincar de massinha, com papelão ou ouvir uma boa história são algumas formas de educar e promover o desenvolvimento das crianças com diversão

Menino está agachado olhando para gravetos e folhas contornados por giz no asfalto – conheça projetos que usam o lúdico no aprendizado.

A relação entre brincadeiras e educação é essencialmente próxima, pois é possível conhecer o mundo e a si mesmo por meio do brincar. Este é um dos conceitos de Johan Huizanga (19872-1945), historiador e linguista holandês que escreveu a obra Homo Ludens: o jogo como elemento da cultura, em 1938.

Outro a estabelecer diálogo entre brincar e aprender foi o bielo-russo Lev Vigotskyi (1896-1934). Para ele, essa relação começa desde o primeiro dia de vida, muito antes de a criança frequentar a escola. O ato de brincar desenvolve a memória, a criatividade e o contato com diferentes pessoas, objetos e símbolos. Deixar a criança brincar também a ajuda a adquirir autonomia.

A relevância do brincar para a educação e para o desenvolvimento da pessoa durante a infância é reconhecida pela Constituição Federal (1988), no Artigo 227, e também pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que compreende como direitos “brincar, praticar esportes e divertir-se”.

A ONU, por meio da Declaração Universal dos Direitos da Criança, assinada em 1959, também reforça que “toda criança terá direito a brincar e a divertir-se”.

As brincadeiras proporcionam o desenvolvimento integral (biológico, cognitivo, social, cultural e afetivo) das crianças, fazendo com que experimentem e reproduzam o mundo à sua volta, comuniquem seus sentimentos, medos e desejos. Trabalhar com o lúdico no universo infantil, permeado de fantasias, sonhos e de possibilidades de experimentar o mundo, é tão necessário quanto a exploração da capacidade de raciocínio.

Para colocar em prática a relação entre brincadeiras e educação, é preciso conscientizar a família e os educadores que, além do lazer, o lúdico proporciona o aprendizado sobre o mundo e a vida em sociedade, ajudando a estimular competências socioemocionais nas crianças ao lidar com pontos de vista diferentes, resolução de problemas e frustrações.

Conheça a seguir projetos que estreitam a relação entre brincar e aprender na prática!

Atividades em Casa

A metodologia Montessori, conjunto de ideias, teorias, práticas e materiais didáticos desenvolvidos pela educadora italiana Maria Montessori (1870-1952) são a inspiração para o projeto Atividades em Casa.

A arquiteta Elisa, mãe do Mateus, ensina a fazer brinquedos para a coordenação motora fina, concentração e noções de tamanho e dimensão para bebês e crianças. Ela utiliza materiais cotidianos, como pregadores de roupas, massinha e palitos de madeira.

Brincando e Contando

Marcela Rios é pedagoga, especialista em literatura infanto-juvenil e mãe da Maria Geovanna e do Miguel. Ela juntou sua experiência profissional e a vivência da maternidade para criar o Brincando e Contando.

O blog busca incentivar o interesse pela literatura nas crianças e, ao mesmo tempo, explorar a potência do brincar e a curiosidade, tão característica desta fase da vida. Após ler junto com as crianças, a proposta é desenvolver brincadeiras que dialogam com a narrativa: elas pensam, por exemplo, em novos desfechos para os livros ou constroem brinquedos que façam referência a algum personagem ou cenário que conheceram durante a leitura das histórias.

Brincar Importa

Para Carol Eloy, criadora do Brincar Importa, o diálogo entre brincadeiras e educação promove o desenvolvimento motor e cognitivo das crianças, além de ser uma maneira criativa de fazer com que possam aprender a resolver problemas.

No canal do YouTube e no Instagram, a mãe da Catarina ensina a fazer brinquedos sensoriais com garrafas, capacetes de astronauta e carros de papelão. Este, aliás, é a matéria-prima da maioria dos brinquedos construídos por mãe e filha. Seu intuito é levar para as famílias atividades lúdicas, educativas, explorar o livre brincar e dividir experiências divertidas e sensoriais.

Little Maker

Criatividade, estratégia, persistência, empreendedorismo e protagonismo são habilidades que as crianças podem aprender por meio de brincadeiras. Essa é a visão de Diego Thuler, engenheiro elétrico, que criou a Little Maker, em 2015.

É certo que a paternidade mudou a vida de Thuler e sua forma de ver a educação e o desenvolvimento das crianças, mas sua aposta no potencial transformador da cultura maker, ou o “faça você mesmo” é antiga.

Quando criança, costumava brincar no quintal do avô, construindo casas na árvore, forno a lenha, carrinhos e sistemas de irrigação. A iniciativa desenvolve o potencial das crianças mesclando o uso de materiais como sucata, a tecnologias digitais e trabalhos manuais. Tudo o que criam está relacionado ao que aprendem em sala de aula em suas escolas, fazendo com que o aprendizado maker dialogue com os conteúdos das disciplinas de matemática, história, geografia e outras.

Massacuca

Graziella Iaccoca, designer e mãe do Antônio, e Renata Maria, editora e mãe do Otto e do Gael, tiveram suas vidas profundamente transformadas após a maternidade. A chegada dos filhos fez aumentar o interesse pela infância e pelos estudos sobre o desenvolvimento de bebês e crianças. 

A pesquisa e a curiosidade deram origem ao Massacuca, onde as mães ensinam a fazer brinquedos e brincadeiras que estimulam o raciocínio lógico, a coordenação motora, a imaginação, entre outros. 

O projeto valoriza a experiência do brincar e enxerga a possibilidade do lúdico nas sutilezas do dia a dia, como em uma garrafa vazia, um graveto, uma caixa de fósforos ou, até mesmo, nas próprias mãos e pés das crianças. Brinquedos caros e lugares especiais não são necessários: basta muita imaginação e afeto!

Tempojunto

Quantos pais e mães sofrem por não ter tempo para brincar com os filhos por conta da correria do dia-a-dia? A dupla Patrícia Marinho e Pat Camargo constatou, após a maternidade, que essa era uma queixa muito frequente e pensaram em estratégias para tornar o tempo com as crianças o melhor possível: daí nasceu o Tempojunto.

O site reúne diversas brincadeiras para bebês e crianças até 7 anos de idade, que criam vínculos ainda mais fortes entre a família e que podem ser feitos em qualquer lugar. Para as idealizadoras, a experiência do brincar é fundamental para o desenvolvimento das crianças e é uma forma de aproximar, reunir e criar interesses comuns.


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