Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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02.05.2019
Tempo de leitura: 4 minutos

Com talento e rede de apoio senegalesa prospera no Brasil

Além de trabalhar com roupas e acessórios, Mama ajuda outros africanos que, assim como ela, enfrentam diversos desafios para viver no Brasil

As cores vibrantes do vestido e do turbante mostram, de cara, que Diamou “Mama” Diop tem muito talento para criar roupas únicas, especiais e que fazem referência à cultura africana. Natural do Senegal, a comerciante de 60 anos está à frente do Mama Nossa Cultura, que foi viabilizado graças ao seu dom e uma grande rede de apoio.

O nome da empresa foi sugestão de seu companheiro, que acreditava ser importante valorizar a cultura afro-brasileira. Mama já viu suas peças serem usadas por artistas como Elza Soares, Liniker e Marilene de Castro, e seus vestidos estão pelo Brasil e outros países como Peru, México e Colômbia.

Dos primeiros anos até o momento — no qual tem parceria com o ateliê de Isaac Silva, na região central de São Paulo, para a produção de peças originais — Mama sempre teve a ajuda de alguém.

Ela conta que uma brasileira, casada com um malinês, foi uma das primeiras e mais importantes pessoas a lhe estender a mão no Brasil, ao abrigá-la em uma casa na zona leste da cidade.

A organização Caritas, que atua na defesa de direitos humanos, e o auxílio financeiro de um programa social da prefeitura contribuíram para a ascensão social de Mama, além do esforço de seu trabalho e da ajuda do marido, com o qual está há mais de 30 anos. Os poucos africanos que também estavam na cidade em 2007, quando a senegalesa chegou, complementaram a rede de apoio, fornecendo mercadorias.

 

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Mama e estes lindos encontros, com @linikeroficial e Jr Duram.

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Ajudar e empreender

Mama vende vestidos, colares, bolsas, turbantes e tecidos, além de fazer coleções exclusivas e sob medida para qualquer cliente. Ela conta que suas páginas na internet, cartões de visita e ações de marketing são feitos em parceria com estudantes e professores de uma universidade.

A senegalesa vende seus produtos no ateliê e também na Barão de Itapetininga, próximo ao metrô República, onde mantém um comércio de rua assim como outros imigrantes africanos do entorno.

Mama alimenta o sonho de ter o seu espaço, com loja própria, mas o preço do aluguel na região ainda é uma barreira. Aos imigrantes que precisam, a empreendedora comercializa produtos mais baratos, principalmente tecidos, para ajudá-los a iniciar um negócio.

Além disso, os orienta a tirar documentos e age como conselheira, mostrando o “caminho das pedras” para quem é recém-chegado aqui. “Quando estão com algum problema, eles chamam a Mama”.

A senegalesa fica muito feliz em ser essa guia para os demais e em receber agradecimentos por isso. “Uma menina que ajudei está fazendo turbantes para pessoas com câncer, que perdem o cabelo durante o tratamento e apareceu na TV. Ela me agradeceu muito. Somos ajudados desde o nascimento. Eu cheguei aqui porque pessoas me ajudaram. Então hoje, se eu posso, ajudo. Sou o que sou porque recebi ajuda”, diz Mama.

A comerciante já chegou a abrigar migrantes em casa. “Já tive gente dormindo na cozinha”, complementa.

Mama finaliza dizendo o que espera deixar de legado como empreendedora: “a minha empresa ainda não está no patamar que eu quero, mas pretendo passar tudo para a minha filha e pessoas parceiras que possam continuar meu trabalho. Tudo que temos nessa vida deixamos após a morte, então entendo que devemos deixar coisas boas”.


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