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07.08.2017
Tempo de leitura: 6 minutos

Conheça as escolas de Manaus que inovaram e transformaram o ensino público

Voltadas para a formação integral dos estudantes, experiências inspiradoras ajudaram a mudar rede municipal de ensino

Coletivo Escola Família Amazonas (CEFA), inspirada pela iniciativa Aula Digital, da Fundação Telefônica

Voltadas para a formação integral dos estudantes, experiências inspiradoras ajudaram a mudar rede municipal de ensino

Há dois anos não seria possível imaginar que a Escola Municipal Professor Waldir Garcia, em Manaus, se tornaria a primeira escola da região norte do país selecionada para integrar um programa internacional que reúne iniciativas de educação inspiradoras e com impacto relevante para comunidades de todo o Brasil.

Localizada em uma área periférica da cidade e cercada por casas de palafita, a escola inovou ao criar um modelo de ensino inclusivo e com um currículo voltado para educação integral dos mais 200 estudantes do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental I.

Tudo começou em 2015 quando um grupo de pais, incomodados com o modelo de ensino conteudista das escolas da região, decidiu criar o Coletivo Escola Família Amazonas (CEFA) em busca de um ensino mais humanista e democrático.

“O que começou como pais procurando melhores escolas para seus filhos, se transformou em um movimento social e de direitos voltado para um ensino gratuito de qualidade”, conta Ana Bochhini, integrante do CEFA e mãe de duas crianças matriculadas em escolas públicas da região.

Após algumas reuniões, o grupo teve a ideia de realizar um seminário sobre educação na cidade e convidar especialistas como a socióloga Helena Singer, Braz Nogueira (ex-diretor da EMEF Presidente Campos Salles, de São Paulo) e o educador português José Pacheco (da Escola da Ponte) para falar sobre educação integral.

O evento, realizado em parceria com a Secretaria de Educação de Manaus (SEMED) trouxe uma nova perspectiva para as escolas do município e inspirou o grupo de gestores presentes. Dentre eles, estava a diretora da Escola Waldir Garcia, Lúcia Santos, que se encantou com a proposta de educação integral e adotou o modelo para a escola no início de 2016.

Tínhamos um perfil voltado para disciplina e uma gestão muito centralizadora, a começar por mim. Ao praticar uma gestão participativa e dar voz aos alunos, vimos o quanto crescemos como instituição. Sabemos que é um processo, mas hoje estamos aprendendo a aprender”, relata a diretora.

Lúcia ainda conta que uma visita a escolas públicas inovadoras no Rio de Janeiro e em São Paulo, como a EMEF Campos Salles e a EMEF Amorim Lima, que integram o programa Inova Escola da Fundação Telefônica Vivo, motivou a equipe a seguir em frente e provou que era possível mudar.

Jornada transformadora

Escola Municipal Professor Waldir Garcia, inspirada pelo Aula Digital, da Fundação Telefônica

Uma das primeiras decisões da diretora Lúcia foi acabar com as filas na escola Waldir Garcia. Os sinos deram lugar à música ambiente e os alunos passaram a se dirigir sozinhos para a sala de aula, em vez de seguirem enfileirados com a turma atrás do professor.

Após o impacto inicial, pais e educadores começaram a se adaptar às novidades incorporadas na rotina escolar: carteiras foram substituídas por mesas redondas, assembleias passaram a ser realizadas diariamente para que os alunos pudessem se envolver e opinar nas questões da escola e as turmas começaram a seguir roteiros de estudos e contar com tutores – grupo do qual fazem parte não apenas os professores, mas pais e funcionários de diversos setores da escola como a cozinha, biblioteca e administração.

“Aprendi que a escola é responsabilidade de todos e a educação precisa ser compartilhada por pais, alunos e funcionários”,
Lúcia Santos, diretora da Escola Waldir Garcia.

Mesmo sem uma proposta pedagógica definida, as mudanças experimentais trouxeram resultados visíveis em 2016, como o aumento da frequência dos alunos e o incentivo à inclusão em um ambiente diverso, uma vez que a escola conta com 19 crianças estrangeiras (filhos imigrantes de países que vivem crises humanitárias, como Haiti e Venezuela) e 11 alunos com deficiências.

“Cada aluno tem um tempo diferente de aprendizagem e o trabalho em conjunto favoreceu a união entre eles de forma mais natural. Sem contar que hoje eles se sentem valorizados e amam estar na escola, já que nunca tiveram tanta liberdade e protagonismo.” comenta Lúcia.

A união que fortalece

Atualmente doze escolas do município de educação infantil e fundamental já trabalham o conceito de educação integral em diferentes níveis. Dentre elas, cinco EMEFs ainda fazem parte do projeto Aula Digital, iniciativa global Fundação Telefônica e a Fundação Bancária La Caixa, da Espanha, que chega para somar esforços a 140 escolas da região em prol de uma atuação educativa cada vez mais inovadora.

Para acompanhar o processo de transformação das escolas, um grupo de trabalho foi criado dentro da Secretaria. Formado por pais, integrantes do CEFA, gestores das escolas e representantes da SEMED, o grupo se reúne semanalmente em um encontro aberto para discutir propostas, desafios e planejar os próximos passos.

“Nosso trabalho é feito por adesão, de forma bem coletiva e participativa, sem impor nada. Temos uma proposta que norteia o processo, mas as escolas têm autonomia para sugerir mudanças dentro da sua realidade,” explica a subsecretária de educação do município, Euzeni Trajano.

Segundo Euzeni, a extensão da rede e a complexa geografia da região ainda limita o atendimento de tempo integral para todas as escolas, mas os importantes avanços são motivos de orgulho. “Não tínhamos nenhuma escola de educação integral no município, começamos com duas e hoje já são seis. Ainda há longo caminho pela frente, mas isso não impede que outras escolas já comecem a pensar sob esta perspectiva” acredita.

Escola Municipal Professor Waldir Garcia, inspirada pelo Aula Digital, da Fundação Telefônica

Convidada para oferecer apoio técnico e assessorar as escolas, a diretora da Fundação SM, Pilar Lacerda, conta que ficou impressionada com a relação respeitosa entre o CEFA, as escolas e a Secretaria.

“Desde o início, me chamou atenção a vontade de todas as partes trabalharem juntas. Foi muito interessante ver a dedicação do grupo em fazer algo verdadeiramente construído, aprendendo na prática e enfrentando as dificuldades de uma maneira transformadora e não paralisadora”, conclui Pilar.


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