Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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21.09.2022
Tempo de leitura: 4 minutos

Dia da Árvore: com metodologia STEAM, estudantes desenvolvem prática inovadora que apoia a produção de castanha de caju

Professora estimula estudantes do ensino médio da cidade de Ocara (CE) a entender a economia local e desenvolver inovação a partir de conhecimentos de física e matemática aprendidos em sala de aula.

Imagem mostra produção de castanha de caju

O Ceará é o maior produtor de caju do Brasil. Em 2020, segundo o IBGE, 63% de todos os cajueiros do país estavam plantados neste estado, que foi responsável por 60% de toda a produção nacional daquele ano. Dentro do cenário da cajucultura, a pequena Ocara se destaca. Localizada a 100 km de Fortaleza e com uma população de 25 mil habitantes, o município é o terceiro maior produtor do Ceará. Esse produto é o motor da economia local, empregando boa parte da mão de obra da cidade de forma direta e indireta.

Foi atenta a essa realidade, que a professora de química, Maria Hilma Muniz Bezerra (54), desafiou seus alunos, do 2º ano do ensino médio da Escola Estadual de Educação Profissional Maria Môsa da Silva, a desenvolverem uma ferramenta capaz de melhorar a qualidade de vida de quem trabalha na produção de caju.

 

STEAM estimula estudantes a entender e intervir no seu entorno

Para tanto, ela utilizou a metodologia STEAM (em inglês Science, Technology, Engineering, Arts and Mathematics). Segundo Hilma, a primeira parte do desafio foi entender a importância da produção do caju para a cidade e como ela era realizada: “nessa etapa, os estudantes entenderam que a produção do caju envolvia a fruta, propriamente dita, e a castanha. Por isso, uma etapa muito importante era a separação dessa castanha”, explica.

. A estudante Layla Pereira (16) participou do projeto e conta que isso aumentou sua percepção sobre o mundo a sua volta: “entendi que a maneira como se fazia a separação da castanha fazia o trabalhador produzir menos e ganhar menos, também mantinha as pessoas muito tempo com o corpo dobrado e fazendo, por horas, o mesmo movimento, o que gerava dor nas costas e lesões nas mãos por esforço repetitivo (LER). Além disso, muitas vezes a poupa do caju era destruída na tentativa de arrancar a castanha”, explica.

 

Inovando a produção de castanha de caju

A professora Hilma conta que ao identificar que esse ponto era muito importante na cajucultura, os estudantes foram estimulados a buscar uma solução especificamente para esse problema. Assim nasceu o Descastanhador Mose (assim batizado em homenagem à escola). Trata-se de uma mesa de madeira com seis furos de cerca de 6 centímetros de diâmetro. Na superfície, são encaixadas latas de alumínio sem fundo. Na parte de baixo, foi instalada uma grade de arames que se abre ou se fecha por meio de um conjunto de molas. Abaixo disto, foram instalados canos de PVC. Essa estrutura é acionada por uma espécie de correia acoplada em um pedal. Assim, em cada uma das latas são depositados um caju com a castanha para baixo. Ao acionar o pedal, a grade de arame se fecha e corta a castanha que desce pelos canos de PVC e são guardadas em uma bacia. As frutas são retiradas com as mãos e guardadas em outro recipiente.

 

Castanha de caju, física, matemática e criatividade

Layla ressalta que para desenvolver a ferramenta, a equipe de estudantes precisou colocar em prática conhecimentos de física, especialmente para o planejamento do mecanismo de pedal e grade. Bem como de matemática: “Geometria foi fundamental para a gente calcular os tamanhos necessários para os buracos na mesa, as latas e a inclinação dos canos”, esclarece.

A professora de língua portuguesa e gestora da escola, Técia Cândido de Oliveira, explica que sempre estimula projetos de STEAM, mas que ficou muito feliz com este: “Para mim, a escola tem também o papel de ser um agente do desenvolvimento do espaço onde ela está instalada. O Descastanhador Môsa tem um grande significado para nossa comunidade e isso mostra que nossos alunos estão sendo capazes de entender onde estão e como podem transformar o seu entorno”, ressalta a educadora.


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