Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.

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22.03.2024
Tempo de leitura: 5 minutos

Educação Profissional e Tecnológica (EPT) como oportunidade para equidade de gênero

Levantamento do Centro Paula Souza indica que está crescendo a presença de mulheres nos cursos de EPT, o que reflete uma mudança nas tendências educacionais

A imagem mostra uma estudante negra que veste camiseta azul e blusa vermelha sorrindo e digitando em um notebook preto. Em desfoca, uma estudante loira que veste camisa jeans está com um lápis na mão.

No mês da mulher, uma boa notícia sobre equidade de gênero: está aumentando a presença de mulheres nos cursos de Educação Profissional e Tecnológica (EPT). Segundo dados recentemente divulgados do Censo Escolar 2023, há predominância feminina nas matrículas dos cursos de EPT, com 57,9% (1,3 milhões) das matrículas.

A modalidade de ensino foi a que mais cresceu na educação básica no último ano, como indicou o Censo Escolar. Entre 2022 e 2023, as matrículas na EPT passaram de 2,1 milhões para 2,4 milhões, representando um aumento de 12,1%.

Nas Escolas Técnicas (Etecs) e Faculdades de Tecnologia (Fatecs) estaduais, o ingresso de estudantes mulheres nos cursos que são conhecidos por ter majoritariamente homens também aumentou no período entre 2012 e 2022. De acordo com  levantamento do Centro Paula Souza, autarquia do Governo estadual de São Paulo que administra as Etecs e Fatecs, a tecnologia foi uma das áreas com maior crescimento de mulheres. Por exemplo, no curso de Programação de Jogos Digitais o aumento no período chegou a 26%.

O reflexo dessa mudança também já aparece no mercado de trabalho, ainda que ainda de forma tímida. Um mapeamento realizado pela Catho em 2022 detectou um ligeiro aumento da presença de mulheres em cargos de tecnologia, com crescimento de 2,1% em comparação ao ano anterior.

 

O que explica o aumento de mulheres nos cursos de EPT?

Mesmo que lenta, a mudança está sendo impulsionada pelo próprio movimento da sociedade contemporânea. Na visão de Lucilia Guerra, diretora de Capacitação de Docentes do Centro Paula Souza, atualmente meninas e mulheres têm a liberdade de manifestar seus interesses nas áreas de conhecimento sem os condicionamentos limitantes de pouco tempo atrás.

“Dizer que uma carreira é para homens ou para mulheres não corresponde mais ao contexto cultural da atualidade. Mesmo porque não há mais essa subdivisão no mundo do trabalho”, pontua a diretora.

Além disso, muitas jovens estão reconhecendo o potencial dos cursos de EPT para abrir portas no mercado de trabalho e para a atuação acadêmica. É o caso de Marina Calistro Van Berghem, estudante do 3° ano do Ensino Médio integrado ao Técnico em Química, na Etec Parque Belém, de São Paulo (SP).

“O ensino profissionalizante técnico me proporciona ter maior visão de futuro. As Etecs abrem muitos caminhos. E estar nesse curso foi muito importante para que eu pudesse começar a participar das iniciações científicas, por exemplo”, conta Marina, que futuramente pretende cursar Engenharia Química na USP.

 

A importância da representatividade

O relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) “Estatísticas de Gênero – Indicadores sociais das mulheres no Brasil” aponta que ainda é longo o caminho rumo à equidade. Em 2022, as mulheres representavam apenas 25% dos graduados na área de Tecnologia e 20% dos profissionais da área inseridos no mercado de trabalho.

Porém, há uma crescente conscientização sobre a importância da diversidade no campo tecnológico. Segundo Lucilia, os segmentos econômicos precisam de representatividade para que todos possam ser contemplados com produtos e serviços pensados a partir de olhares singularizados e que tragam benefícios para todo o ecossistema.

“É preciso que todos parem de pensar que as contribuições das mulheres são apenas sensibilidade e emoção. Esses elementos não podem definir a presença feminina na tecnologia. Mas sim a capacidade de desenvolverem competências específicas da área e atuar com o perfil profissional necessário e que atende aos requisitos”, afirma Lucilia Guerra.

Vale mencionar que além da representatividade de gênero na EPT, é fundamental a busca pela equidade racial. Ainda segundo os dados do IBGE, as mulheres pretas ou pardas brasileiras são as mais atravessadas pelas desigualdades. O recorte divulgado no início de março mostra que elas dedicam mais tempo aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas, têm menos taxa de participação no mercado de trabalho e menor percentual entre os ocupantes de cargos políticos.

 

Outros desafios a serem superados

Apesar de a participação de mulheres nos cursos de EPT estar aumentando, a presença de estudantes homens ainda é maioria nos cursos de tecnologia, segundo o levantamento do Centro Paula Souza. Isso sugere que ainda há barreiras a serem superadas para promover uma verdadeira equidade de gênero. Uma maneira de lidar com esse desafio é proporcionar oportunidades igualitárias para as estudantes desde o início de sua formação técnica.

De acordo com Carlos Ribeiro, coordenador de projetos de capacitação na área de Tecnologia do Centro Paulo Souza, programas de conscientização e iniciativas que promovem a igualdade de gênero e destacam a importância da diversidade no campo da tecnologia têm desempenhado um papel importante para atrair mais meninas e mulheres para esses cursos.

“O apoio de pais, professores e da equipe pedagógica desempenha um papel importante no incentivo. À medida que mais pessoas reconhecem o valor e o potencial feminino nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), elas podem encorajar suas filhas, alunas ou colegas a seguir esses caminhos educacionais e profissionais”, explica.

Para as meninas que pensam em Educação Profissional e Tecnológica mas têm receio de que irão cursar uma formação “para meninos”, a estudante Marina Berghem deixa um recado. “Elas não precisam se preocupar, não precisam ter medo de escolher cursar essas áreas, porque a ciência e a tecnologia são para as meninas!”, finaliza.


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