Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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13.09.2022
Tempo de leitura: 5 minutos

Geração Z e Setembro Amarelo: como a escola pode apoiar a saúde mental de jovens

De que maneira a educação, os professores e as escolas podem apoiar os jovens da Geração Z a lidar com questões de saúde mental?

Aluna chegando na escola, de costas, de mochila amarela.

“Crescer tem se tornado algo cada vez mais difícil.” Com esse apontamento, o psiquiatra Gustavo Estanislau, especialista em infância e adolescência, resume os obstáculos que os jovens da Geração Z vem enfrentando em seus processos de desenvolvimento pessoal. É justamente essa geração que merece uma atenção especial durante o Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio.

Afinal, de que maneira os sistemas de ensino e os professores podem apoiar os jovens a lidar com questões de saúde mental? E como a crescente presença de tecnologias digitais em suas rotinas têm impactado esse desenvolvimento?

Nativa digital e com altos índices de ansiedade e depressão (ver infográfico), a Geração Z reúne nascidas entre 1995 e 2010. Ou seja, aquelas que nasceram durante o advento da internet e foram testemunhas das inovações tecnológicas presentes em dispositivos móveis como celulares, videogames e computadores pessoais.

Geração Z e a tecnologia 

Muito antenada nas redes sociais, a Geração Z cresceu em um ambiente inseguro em relação ao futuro, de acordo com especialistas. “O jovem vê o mundo como um lugar mais difícil de se dar bem e ter estabilidade”, observa Gustavo. “Ele enxerga a figura do adulto sempre muito desgastada e instável, e quando olha para a frente o adolescente se sente desesperançoso e assustado, o que o leva a querer viver o aqui e o agora.”

Esse “aqui e agora”, porém, acaba sendo muito pautado pela vida digital. No entanto, a substituição da conexão real pela interação online amplia a sensação de solidão, na opinião de Thais Bozza, pesquisadora da área de Psicologia Educacional pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). “Ao contrário do que a gente pensa, quem está o tempo todo se relacionando na internet se sente mais sozinho e, consequentemente, tem questões relacionadas à saúde mental agravadas.”

Gustavo afirma que o uso de gadgets tecnológicos desde muito cedo acaba por substituir a realização de atividades que apoiam a criação de habilidades básicas para se relacionar com o mundo. “A criança que antes ficava desenhando e subindo em árvores não desenvolve mais as habilidades psicomotoras finas e grossas, que dão a sensação de competência para sentir segurança diante dos obstáculos naturais da vida”, reflete.

 

Geração Z e a escola 

A depressão atinge cerca de 12 milhões de pessoas no Brasil e, cada vez mais, jovens vêm sendo diagnosticados com a doença. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio já é a segunda causa de morte de brasileiros que têm entre 15 e 29 anos. Alarmantes, esses dados evidenciam uma realidade que precisa ser trabalhada com urgência pelo sistema de ensino.

Naturalmente, a escola recebe todas essas demandas, já que é o espaço onde os jovens passam grande parte de sua rotina. “Todos esses alunos, que convivem o tempo todo com questões de saúde mental, passam pela escola. Ela pode e deve atuar em duas dimensões: a da prevenção e a da intervenção”, defende Thais.

As competências socioemocionais são as habilidades relacionadas à nossa capacidade de sentir, pensar e se comportar. Trabalhar essas competências em sala de aula apoia os estudantes a conhecer os próprios limites e o dos outros, a tomar decisões conscientes e a refletir sobre sentimentos e emoções. Saiba mais sobre o tema no e-book “Competências Socioemocionais: o que são e como podem contribuir para o desenvolvimento dos estudantes”, publicado pela Fundação Telefônica Vivo.

É dentro das instituições de ensino que os jovens vivenciam aspectos importantes de socialização e de expectativas pessoais nesta fase da vida. Dessa forma, é essencial que a escola proporcione ambientes acolhedores e saudáveis, que ofereçam estrutura e apoio para lidar com questões de saúde mental. “Esse espaço precisa ser não apenas físico, mas também curricular e institucional, para que estudantes e educadores possam refletir sobre essas temáticas, expressando seus sentimentos e emoções, um espaço no qual possam dialogar abertamente sobre aquilo que os angustiam, seus conflitos cotidianos, os problemas de convivência”, argumenta a pesquisadora.

 

Prevenção e intervenção devem ser permanentes 

A campanha do Setembro Amarelo reforça a importância de falar sobre o tema, mas ocorre apenas no mês de setembro. Thaís ratifica que, nas escolas, esse trabalho precisa acontecer durante todo o ano. “O planejamento curricular também é importante, já que esses temas não podem ser trabalhados somente de forma pontual. Eles precisam estar organizados, e a escola deve garantir o espaço curricular para que os professores possam planejar e desenvolver atividades que vão atuar na prevenção dessas questões e na formação integral do sujeito”, afirma.

Pensando no papel específico do professor, Gustavo reforça que ele é uma figura que deve gerar a sensação de conforto e estabilidade para receber os jovens. “Quando o educador consegue acolher e observar os alunos – e para isso ele mesmo tem que estar em dia com a sua saúde mental -, ele cria a habilidade de fazer uma leitura sensível do que está à sua volta, identificando as principais questões de saúde mental da turma e, principalmente, àqueles que devem ser encaminhados a um especialista”, aponta o psiquiatra, reforçando que nem tudo a escola será capaz de resolver, e há casos de alunos que devem ser encaminhados aos profissionais especializados.


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