Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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02.12.2016
Tempo de leitura: 3 minutos

Infância roubada, um crime hediondo que precisa acabar

Por Rosana Hermann, Colunista da Rede

Imagine que você vá viver até, pelo menos, os 88 anos. Com lucidez, saúde e felicidade. Até os 108, talvez. Fato é que nossa expectativa de vida aumentou e, se chegarmos lá, entre os 18 e os 88 teremos desfrutado de 70 anos de vida adulta.

Agora pense na duração da infância. Oficialmente, são 18 anos, menos de duas décadas, 20% dos 88 esperados.

Esse é o tempo que temos para descobrir o mundo a nossa volta, brincar com os amigos, ver figuras nas nuvens, desenhar sonhos no caderno, imaginar futuros para nós, inventar histórias impossíveis. Entender quem somos e desfrutar do único período em que não teremos de carregar o peso da responsabilidade, um quinto da nossa vida.

Mais do que uma questão de quantidade de tempo, porém, esse período é essencial para a formação de cada ser humano. Você pode ter oportunidades, recomeçar a vida em muitos momentos da maturidade, mas não há como recuperar a infância perdida, a infância não vivida, a infância roubada.

E o que podemos fazer para acabar com o trabalho infantil? Como você pode participar? Lendo esse texto? Repassando a coluna para os amigos? Apoiando uma ONG, engajando-se no Promenino? Disseminando a ideia de combate ao trabalho infantil, denunciando pessoas que empregam crianças de forma criminosa? A resposta é ‘sim’ para todas. A resposta é apoiar a causa em todas as instâncias.

É verdade que muitas famílias de renda baixíssima veem nas crianças uma tentativa de melhorar de vida, mas está errado. O que parece uma solução da falta de recursos, na verdade, é a perpetuação da miséria.

Na nossa geração, há muitos adultos que batem no peito com orgulho, dizendo: “Mas eu trabalhei quando era criança e isso formou meu caráter! Trabalhar não faz mal a ninguém”. Faz. Porque não é só o quanto o trabalho abusa das crianças, mas tudo o que essa exploração tira dela.

A criança explorada é aquela que, em vez de um lápis colorido na mão, tem uma enxada.

Que em vez de ouvir o sinal do recreio, ouve ordens.

Que em vez de professor, tem patrão.

Em vez de escola, trabalho.

Em vez de rabisco, cicatriz.

Em vez de carinho, dor.

Em vez de oportunidade, abuso.

Em vez de futuro, sina.

 

Trabalho infantil.

Não.

 

Rosana Hermann é escritora, roteirista e autora do blog Querido Leitor.


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