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29.08.2025
Tempo de leitura: 10 minutos

Setor de TIC cresce e aposta no protagonismo dos jovens para ocupar novas vagas

Estudo inédito revela que 82% das empresas dispostas a contratar afirmam que soft skills, diversidade e ensino técnico são decisivos para a entrada de jovens no mercado de TI no Brasil

Jonathan Sales, da ONG Juventudes Potentes; Melissa Almeida, estagiária na área de Desenvolvimento de Negócios na Serasa; Davi Nascimento, estudante de Engenharia da Computação da Inteli; e Yasmin Namie, estudante de Ciências de Dados do ensino médio técnico

O clima era de otimismo na manhã da última quarta-feira (27), no Instituto de Tecnologia e Liderança (Inteli), em São Paulo, durante o lançamento da pesquisa “Prospecção de vagas de entrada no macrossetor TIC”. Realizado pela Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais) em parceria com a Fundação Telefônica Vivo e com execução do Instituto Locomotiva, o estudo revela um cenário promissor: o mercado brasileiro de tecnologia está aberto às novas gerações, mas enfrenta o desafio de encontrar talentos preparados para ocupar vagas de entrada que seguem em expansão acelerada.

Segundo os dados, 82% das empresas do setor de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) pretendem ampliar suas equipes nos próximos dois anos. Destas, 34% projetam crescimento significativo e 48% esperam expansão moderada. Quase metade (46%) das novas vagas será destinada a estagiários e profissionais juniores, seguidos por 24% para nível pleno, 15% para sênior e 14% para posições de liderança. No entanto, a falta de conhecimento técnico, a inexperiência e a alta competitividade na atração de talentos são os principais obstáculos enfrentados pelas empresas.

“Fomentar a qualificação de jovens talentos não é apenas estratégico para o setor, mas fundamental para o avanço do país. Ampliar o acesso a oportunidades, por meio de formação técnica e inclusão, é investir no futuro do Brasil”, destacou Affonso Nina, presidente executivo da Brasscom. A mensagem reverberou ao longo do evento, conduzindo os debates para além dos números e reforçando que o futuro do trabalho digital começa com ações concretas no presente.

“Investir em formação técnica é acelerar o impacto dos jovens no mercado, porque eles já saem preparados com uma especialidade adicional”, destacou Lia Glaz, diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo, ao defender políticas públicas de educação alinhadas às demandas digitais e técnicas do mundo do trabalho.

Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, explicou que o estudo foi realizado com entrevistas quantitativas e qualitativas com 50 profissionais de recursos humanos em empresas de médio e grande porte do setor de tecnologia. “Fizemos duas rodadas: uma qualitativa, com conversas longas, ouvindo as dores do setor, e outra quantitativa, com o uso de questionários específicos”, disse.

 

Setor de tecnologia carece de jovens profissionais

O macrossetor TIC engloba empresas de hardware, software, serviços em nuvem, redes, consultorias, operadoras de telecomunicações, empresas estatais e áreas internas de TI de grandes corporações. Com produção estimada de R$ 762,4 bilhões em 2024 e crescimento nominal de 9%, o setor representa 6,5% do PIB brasileiro.

Apesar do desempenho econômico robusto e da média salarial superior à nacional, contratar profissionais qualificados para cargos de entrada continua sendo um desafio. O estudo aponta que competências técnicas como computação em nuvem, segurança cibernética, inteligência artificial e infraestrutura de TI estão entre os requisitos mais desejados para posições iniciais.

A exigência por formação técnica e proficiência em inglês é vista como determinante tanto para contratação quanto para o desenvolvimento dos jovens profissionais. Contudo, encontrar candidatos juniores com esse conjunto de habilidades ainda é difícil. Quase 90% dos entrevistados consideram prioritário o domínio de computação em nuvem e segurança cibernética, mas reconhecem a escassez desses conhecimentos no mercado.

Para enfrentar essas barreiras, as empresas têm adotado estratégias como parcerias com instituições de ensino técnico, programas internos de formação (como bootcamps), flexibilização de critérios técnicos e iniciativas voltadas à inclusão de grupos menos favorecidos.

Além disso, ações para retenção de talentos ganham força: quatro em cada dez empresas oferecem planos estruturados de carreira, benefícios diferenciados e capacitação contínua como forma de reduzir a relatividade e engajar os novos colaboradores. Outro ponto relevante é a valorização das chamadas soft skills no processo seletivo. Embora menos determinantes na triagem inicial, características como vontade de aprender, resolução de problemas, trabalho em equipe e proatividade são altamente valorizadas pelos profissionais de RH.

Por fim, o estudo aponta que o futuro da empregabilidade em tecnologia dependerá da capacidade do ecossistema TIC de alinhar esforços entre ensino e mercado. A aposta está na formação acelerada, no enriquecimento dos perfis profissionais e no incentivo ao desenvolvimento contínuo – fatores essenciais para garantir um ciclo virtuoso de entrada e retenção de novos talentos no setor.

 

Educação como estratégia

O painel “Educação como Estratégia: Formando Talentos para o Brasil Digital” reuniu especialistas para discutirem os desafios e soluções na formação a nova geração de profissionais de tecnologia. A conversa destacou a importância de investir em diversidade, fortalecer a formação técnica, integrar esforços de diferentes setores e adaptar o ensino às transformações contínuas da tecnologia.

Verônica Vassalo, gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Pacto Global da ONU; Lia Glaz, diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo; Carina Castello, líder de Universidade Corporativa da NTT DATA; Flavia Freitas, líder de Responsabilidade Social Corporativa a IBM para a América Latina; e Felipe Morgado, Superintendente de Educação Profissional e Superior do SENAI
Verônica Vassalo, gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Pacto Global da ONU; Lia Glaz, diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo; Carina Castello, líder de Universidade Corporativa da NTT DATA; Flavia Freitas, líder de Responsabilidade Social Corporativa a IBM para a América Latina; e Felipe Morgado, Superintendente de Educação Profissional e Superior do SENAI

A mediadora Verônica Vassalo, gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Pacto Global da ONU, abriu o painel reforçando a importância da representatividade e do cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “Trazer meninas e mulheres para as áreas de STEM [acrônimo em inglês para ciências, tecnologia, engenharia e matemática] é uma responsabilidade coletiva de todos os setores”, pontuou.

Lia Glaz, diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo, defendeu o fortalecimento da educação básica e técnica como base para o protagonismo juvenil no mundo digital. “Investir na formação técnica e fortalecer a educação básica, sobretudo em matemática e letramento digital, são pré-requisitos para preparar jovens de escolas públicas para o mercado e garantir protagonismo no mundo digital”.

Para Carina Castello, líder de Universidade Corporativa da NTT DATA, o setor produtivo precisa assumir o protagonismo da inclusão. “Temos programas de mentoria para mulheres e grupos de afinidade geracional, além de bootcamps gratuitos e internos, que aliam capacitação técnica e soft skills, fundamentais para atrair, reter e desenvolver profissionais capazes de se renovar continuamente”.

A valorização da diversidade foi reforçada por Flavia Freitas, líder da IBM para a América Latina, destacando sua trajetória como mulher preta na tecnologia. “Os programas de entrada devem valorizar o desenvolvimento prático e habilidades socioemocionais, proporcionando ambientes de aprendizagem onde todos possam crescer e se reconhecer”.

Felipe Morgado, do SENAI, apontou ainda a importância do alinhamento entre oferta e demanda, defendendo a proximidade entre setor empresarial e instituições formadoras: “Mapear competências junto às empresas permite atualizar currículos e garantir que os programas técnicos e de aprendizagem realmente preparem para o que o mercado exige, formando profissionais aptos para o agora e o amanhã”.

 

Vozes do futuro

No painel “Vozes do Futuro: Juventude e Caminhos para o Primeiro Emprego”, jovens de diferentes perfis compartilharam suas trajetórias e desafios para ingressar no setor de tecnologia. A mediação foi de Jonathan Sales, da ONG Juventudes Potentes, que defendeu a escuta ativa da juventude na construção de soluções.

Jonathan Sales, da ONG Juventudes Potentes; Melissa Almeida, estagiária na área de Desenvolvimento de Negócios na Serasa; Davi Nascimento, estudante de Engenharia da Computação da Inteli; e Yasmin Namie, estudante de Ciências de Dados do ensino médio técnico
Jonathan Sales, da ONG Juventudes Potentes; Melissa Almeida, estagiária na área de Desenvolvimento de Negócios na Serasa; Davi Nascimento, estudante de Engenharia da Computação da Inteli; e Yasmin Namie, estudante de Ciências de Dados do ensino médio técnico

“Ninguém faz nada sozinho – mas também nada se faz sem ouvir quem sente na pele os desafios dessa transformação. É preciso criar pontes e envolver diretamente a juventude na discussão sobre acesso ao trabalho”. A ONG auxilia jovens da periferia de São Paulo a conseguirem seus primeiros empregos, estágios e programas de trainees.

Yasmin Namie, jovem aprendiz e estudante de Ciências de Dados do ensino médio técnico em Três Lagoas (MS), mostrou como uma primeira oportunidade pode mudar destinos. “Consegui meu primeiro emprego e pude colocar em prática coisas que aprendo na escola. Eu faço Ciências de Dados, e aplico competências técnicas em desafios reais do mercado”. 

Yasmin participou da Jornada Tech – Inteligência Artificial & Dados, ação conjunta entre a Seduc-MS e a Fundação Telefônica Vivo, e hoje atua em TI na Prefeitura Municipal de sua cidade, conciliando estudo e trabalho. “Essas iniciativas integradas são essenciais, pois criam um ciclo virtuoso para que o jovem se prepare e reconheça seu próprio potencial”, acrescentou.

Melissa Almeida, estagiária na Serasa, chamou atenção para o desconhecimento das oportunidades e a realidade social dos jovens. “Há um abismo entre o mundo do trabalho e a juventude periférica. Muitos nem sabem o que é um programa de jovem aprendiz ou como entrar no universo tecnológico, onde normalmente não veem pessoas parecidas com elas mesmas”, disse.

Já Davi Nascimento, estudante de engenharia da Inteli e egresso de escola pública, destacou a necessidade de ampliar alternativas para jovens de diferentes perfis. “Participei de vários programas e conquistei prêmios, mas o sentimento de não pertencimento e a cobrança por especialização precoce são barreiras reais”, disse o jovem nascido e criado na periferia de Salvador, na Bahia.

O painel evidenciou que criar pontes concretas entre educação, oportunidade e reconhecimento é essencial para que os jovens se vejam e se sintam parte do universo tecnológico.

 

Meu primeiro emprego digital

O painel “Meu Primeiro Emprego Digital: Construindo Pontes para o Futuro” abordou os desafios práticos e culturais que dificultam o acesso dos jovens à primeira experiência profissional. Daniel Barros, da Secretaria da Educação de São Paulo, destacou a importância de aproximar o currículo das demandas reais do mercado. “Não basta qualificar, é essencial aproximar o currículo das demandas do mercado e criar a oportunidade da primeira experiência”.

Emerson Costa, diretor de unidade do SENAI; João Motta, diretor de Políticas de Trabalho para a Juventude no Ministério do Trabalho e Emprego; Gisele Scalo, diretora de gestão de pessoas da Sonda IT; Daniel Barros, subsecretário pedagógico da Secretaria da Educação de São Paulo; e Marcela Zitune, superintendente do Instituto da Oportunidade Social (IOS)
Emerson Costa, diretor de unidade do SENAI; João Motta, diretor de Políticas de Trabalho para a Juventude no Ministério do Trabalho e Emprego; Gisele Scalo, diretora de gestão de pessoas da Sonda IT; Daniel Barros, subsecretário pedagógico da Secretaria da Educação de São Paulo; e Marcela Zitune, superintendente do Instituto da Oportunidade Social (IOS)

Gisele Scalo, diretora de gestão de pessoas da Sonda IT, defendeu a construção de jornadas com propósito e formação prática desde o início. “O segredo está em dar sentido à jornada. Quando o jovem vê que pode crescer com a empresa, a permanência acontece naturalmente. Mas a retenção depende do esforço coletivo entre líderes e equipe”, sublinhou.

Marcela Zitune, superintendente do Instituto da Oportunidade Social (IOS), alertou para a importância de olharmos além do discurso e compreendermos os desafios concretos. “Barreiras invisíveis nos processos seletivos e a falta de empatia para quem enfrenta pressões socioemocionais impedem o acesso verdadeiro. Adaptar benefícios e humanizar o RH são caminhos fundamentais para transformação”.

João Motta, Diretor de Políticas de Trabalho para a Juventude no Ministério do Trabalho e Emprego, encerrou o painel com uma metáfora sobre futebol: “As vagas de entrada devem ser tratadas como categorias de base, não como solução imediata. É preciso investir nos talentos desde o começo”.

Saiba mais:

A íntegra da pesquisa “Prospecção de vagas de entrada no macrossetor TIC” pode ser acessada no site da Fundação Telefônica Vivo, com downloads gratuitos.


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