Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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02.08.2019
Tempo de leitura: 5 minutos

Voluntariado em escolas aproxima comunidade da educação

Trabalhos e práticas sociais no ambiente escolar trazem ganhos para voluntários e para a comunidade

Voluntariado em escolas é uma opção para aproximar a comunidade do ambiente escolar. Na imagem, voluntária interage com estudante que está navegando em tablet e usando fones de ouvido.

Educação de qualidade é uma das pautas prioritárias para 72% dos brasileiros, segundo pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). No entanto, nem sempre é fácil chamar a comunidade para dentro do ambiente escolar. Nessa perspectiva, atividades de voluntariado em escolas podem ajudar a fortalecer os vínculos com a comunidade, expandindo o aprendizado e agregando experiências a todos os envolvidos.Plataformas como Atados e Quero na Escola oferecem oportunidades para quem se interessa em atuar com esse tipo de voluntariado. Programas de voluntariado empresarial também abrem espaço para explorar esse universo.

A Fundação Telefônica Vivo, por exemplo, trabalha com grupos de colaboradores voluntários em escolas em diferentes programas, como o Pense Grande e o Programa de Voluntariado.

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“Mesmo que seja para atuar com reparo simples ou pintura de muro, quando um voluntário se aproxima da realidade da escola, ele passa a entender melhor aquele contexto. E se torna mais uma pessoa engajada na luta pela educação de qualidade”, acredita José Claudio Barros, gerente de engajamento cívico do CIEDS (Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável).

Experiências com afeto

Quem se disponibiliza a trabalhar voluntariamente por uma escola não está só ajudando o outro. É o que confirma o uruguaio Fabrício Silveira, colaborador voluntário do Grupo Telefônica.

Acostumado a se engajar em atividades em escolas de seu país, ele foi um dos integrantes do Vacaciones Solidárias que, em julho, revitalizou uma escola de São Cristóvão, em Sergipe.

“Sabe o que percebi em comum em trabalhar pelas escolas do Uruguai e do Brasil? Que eu deixo algumas marcas para as crianças, mas elas é que deixam muito mais em mim”, resumiu.

“Um dos principais ganhos para quem participa de um programa de voluntariado em escolas, especialmente públicas, é qualificar o discurso para sair daquele senso comum que diz que nada funciona”, defende Cinthia Rodrigues, uma das fundadoras do Quero na Escola, plataforma que busca voluntários para atender aos pedidos de estudantes.

Em 2018, a plataforma mediou 12 mil atendimentos em todo o Brasil, uma prova da demanda existente e da potência de um trabalho de voluntariado nas instituições de ensino. “A escola não tem como dar conta de tudo. A sociedade interessada em formar a próxima geração pode se envolver no processo educacional”, diz Cinthia.

Novos horizontes

A articulação entre educação escolar, trabalho e práticas sociais beneficia os estudantes de muitas maneiras. Só o contato com o outro, que traz uma nova experiência de vida, já ajuda a ampliar e diversificar o processo de aprendizagem.

“Os voluntários trazem um conhecimento técnico e específico, mas também sua bagagem que ali, no contato com os estudantes, ajuda a fortalecer o papel da escola de apoiar projetos de vida”, diz o especialista do CIEDS.

E o legado de algumas ações perpetua por meses. Em setembro de 2018, a Escola Especializada Primavera, que atende crianças e adolescentes com deficiência em Curitiba (PR), também participou do Programa de Voluntariado da Fundação Telefônica Vivo.

Quase um ano após voluntários transformarem a escola de Curitiba, a diretora Fátima Heraki Floriani afirma que o projeto promoveu maior envolvimento das famílias e dos alunos com a escola e ajudou a ampliar a visão dos professores.

“Mas o que mais avançou foi a inserção dos nossos alunos no mercado de trabalho. Na época tínhamos 10 alunos trabalhando, agora estamos com 23”, declara Fátima. “A gente está trabalhando bastante com os currículos dos alunos seguindo os modelos que os voluntários que nos ajudaram a construir. Inclusive ex-alunos nos procuram por isso”.

A experiência foi tão positiva que a escola está se organizando para estruturar um grupo de voluntários para atuar periodicamente na instituição. “Quem vem de fora traz muita novidade, é um olhar que acrescenta muito para a gente, que fica imerso no dia a dia”, diz a diretora.

A gerente de comunicação e voluntariado da Fundação Telefônica Vivo, Luanda de Lima, reforça que o trabalho voluntário na escola ajuda a despertar nos estudantes o espírito solidário: “É algo que se espalha, uma corrente do bem que se fortalece”.

Quatro pontos de atenção sobre voluntariado em escolas

• A atividade voluntária não deve ocupar funções que são obrigatórias ao Estado;
• A ação voluntária, por mais simples que seja, deve seguir o Plano Político Pedagógico da escola;
• Um voluntário nunca substitui o professor. Ele chega para ampliar as oportunidades educativas do estudante;
• O voluntário deve ter comprometimento e seriedade com o trabalho, até para passar uma imagem positiva e cuidadosa aos estudantes.


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