Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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21.07.2020
Tempo de leitura: 5 minutos

O impacto da pandemia no desenvolvimento infantil

Prestar atenção aos comportamentos, reservar espaço para as brincadeiras e acolher sentimentos são exemplos de ações que contribuem para o desenvolvimento das crianças neste período de isolamento

Imagem de mãe e filha se abraçando frente a frente com os olhos fechados e as testas juntas uma da outra

De um dia para o outro, as escolas foram fechadas, o convívio com os colegas foi interrompido e a rotina teve de se adaptar abruptamente a novas regras e condições. A pandemia de coronavírus evidenciou desigualdades para a sociedade e trouxe novas preocupações como o desafio de garantir o desenvolvimento infantil nesse cenário.


Segundo o estudo, Repercussões da Pandemia de COVID-19 no Desenvolvimento Infantil, produzido pelo comitê científico do Núcleo de Ciência Pela Infância (NCPI), o distanciamento social pode acentuar ou fazer surgir algumas dificuldades funcionais e comportamentais nas crianças.


O levantamento mostra evidências neurocientíficas que comprovam que o cérebro das crianças de 0 a 6 anos está reagindo, neste contexto, da mesma maneira que reagiriam a conflitos e desastres naturais. Além do medo e do estresse, é possível observar irritabilidade, maior apego aos pais, agitação e até mesmo infantilização nas falas e comportamentos regressivos.


“Por conta das incertezas trazidas pela pandemia há uma irregularidade na rotina. As crianças sentem e reagem a isso, mas não têm um repertório de enfrentamento para lidar com essas adversidades. É aqui que o cuidador vai ser fundamental para desenvolver interações e relações afetivas”, diz a especialista em psicologia infantil Maria Beatriz Linhares, durante a webinar de apresentação do estudo.


À medida que as oportunidades de vínculo com as famílias se estreitam, as mudanças econômicas e estruturais se refletem mais intensamente na saúde mental das crianças.

Olhar para a primeira infância

Durante a apresentação do estudo do NCPI, Anna Maria Chiesa, especialista em saúde pública, destacou o papel da escola nesse período.

“Diferente dos outros níveis educacionais, o conteúdo não é o fator primordial para a primeira infância, ainda assim, os educadores são essenciais para identificar as necessidades das famílias, orientá-las, manter o vínculo e dar suporte com o intuito de não frear completamente os processos de aprendizagem de seus estudantes”.

A especialista também chama atenção para a importância de políticas públicas voltadas para a primeira infância. “Ter políticas públicas que contribuam, de forma sistêmica, para a infância é fundamental para a sociedade como um todo. É preciso lembrar que é na primeira infância que a maior parte das estruturas cerebrais se consolida, e vão servir como base ao longo de toda vida, afirma” .

Desenvolvimento é cuidado

Além da visão sistêmica para as políticas públicas e educacionais, é importante atentar para os sinais dentro do próprio núcleo familiar. Para a psicanalista Ilana Katz, tanto os cuidadores, quanto as crianças precisam de suporte neste momento. E observar os comportamentos e identificar o problema é o primeiro passo para encontrar soluções.

“A pandemia também nos trouxe uma reflexão sobre como os acontecimentos coletivos têm efeitos diretos na nossa experiência particular. A garantia de desenvolvimento, não só para a primeira infância, passa pelo cuidado”, complementa a psicanalista.

Repensar um espaço seguro; flexibilizar o tempo para as brincadeiras e o faz de conta; promover uma escuta ativa dos sentimentos e o acolhimento das emoções são exemplos de iniciativas que contribuem para que o mundo das crianças volte a se reorganizar e fazer sentido novamente.

Inspire-se com atividades e brincadeiras!

Para ajudar na construção desse ambiente acolhedor, consultamos o Guia de atividades e brincadeiras para famílias com crianças de 0 a 6 anos, organizado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, e trouxemos algumas dicas e recomendações. Confira!

Afeto acima de tudo: Quando o adulto demonstra carinho e sensibilidade às manifestações das crianças, ainda que sejam as mais básicas como fome, sono, irritabilidade, esse acolhimento ajuda a construir uma base segura, onde os pequenos se sentem aceitos e protegidos.

Aposte na comunicação: Por menor que seja, um gesto como um olhar atento ou um sorriso já são suficientes para instigar a interação entre os adultos e as crianças. Aqui vale conversar, escutar, cantar e dispor de tempo para uma comunicação ativa. Isso faz com que seja mais fácil para as crianças controlar suas emoções em situação de estresse e ganhar confiança nas próprias habilidades socioemocionais.

Estimule descobertas: A partir das brincadeiras e da exploração do espaço em que vivem, as crianças ganham a sensação de autonomia e de escolha. Ainda que o ambiente seja limitado, estimular descobertas é fundamental para desenvolver habilidades cognitivas. Acompanhe o processo ao lado delas, ajude-as a nomear objetos e situações sem invalidar suas hipóteses.

Brincar: O brincar é a forma que as crianças têm de organizar e dar sentido ao mundo. Nesta faixa etária, a brincadeira é uma das formas de desenvolvimento mais importantes. Mais do que o conteúdo, o aprendizado adquirido através da imaginação e da formulação de hipóteses permite que as crianças acessem conhecimentos interdisciplinares no seu próprio ritmo.


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