Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

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31.10.2018
Tempo de leitura: 5 minutos

Banco Digital Maré promove inclusão e traz nova perspectiva para comunidades

Startup inova ao atender regiões excluídas do sistema financeiro no Brasil

Mulher usando camiseta do Banco Digital Maré posa à frente do logotipo da startup. Ela usa óculos, veste blazer preto e está sorrindo para a foto.

O Banco Digital Maré é a prova que, entre ganhar dinheiro ou causar impacto social concreto, as empresas podem optar pelos dois. Fundada no Complexo da Maré, conglomerado de 16 comunidades do Rio de Janeiro, a fintech surgiu para atender regiões excluídas do sistema financeiro. Em pouco mais de dois anos, conquistou uma carteira de 23 mil clientes e tem como meta expandir seus serviços para 60 mil usuários até o fim de 2018.

O banco aposta na tecnologia para promover a inclusão digital e acesso aos serviços financeiros a um público normalmente ignorado pelas instituições tradicionais. Por meio de um aplicativo, seus clientes podem transferir valores, pagar boletos e fazer compras, sem taxas, consultas a cadastros ou análise prévia de crédito. As transações são feitas com Palafitas, moedas digitais batizadas em homenagem às primeiras residências do Complexo.

Antes da existência da fintech, o Complexo da Maré, que concentra mais de 200 mil moradores, não dispunha de nenhuma agência bancária, caixa eletrônico ou casa lotérica. Para pagar um boleto ou fazer qualquer transação financeira, era preciso se deslocar até Bonsucesso, o bairro vizinho mais próximo, normalmente usando o transporte público.

Inclusão e oportunidade de carreira

“Os moradores acumulavam boletos, para quitar todos quando fossem a uma agência bancária, fazendo com que muitas contas fossem pagas com atraso”, conta Jeane Oliveira, gerente regional do Banco Digital Maré e também moradora do Complexo. “Havia muitos episódios de violência no percurso”, completa.

A situação mudou em 2016, com o princípio das atividades do banco digital, inicialmente concentradas na Associação de Moradores, local para onde eram direcionados os boletos e demais correspondências de quem vivia no Complexo. Foi na associação que a própria Jeane, sem vontade de tomar um ônibus para ir a Bonsucesso, foi abordada por um atendente do banco, que lhe sugeriu se cadastrar na instituição.

“Aceitei e paguei o boleto ali mesmo. Me empolguei e recomendei para toda minha família e amigos”, lembra a gerente regional. Outras pessoas não demoraram a fazer o mesmo. Em poucos meses, o banco somava mais de 1.500 clientes. “Comecei a ir à Associação todos os dias, fiquei amiga do gerente. Ele logo me convidou para trabalhar lá”. Jeane Oliveira, sem emprego desde o nascimento do filho, aceitou a proposta e passou a integrar a área de atendimento ao cliente.

A nova funcionária não demorou a ocupar novos cargos na instituição, até chegar, aos 24 anos, à atual posição de gerência, com graduação em economia custeada pelo contratante.

Planos de expansão

O banco também viveu um crescimento rápido. Deixou as dependências da Associação de Moradores e hoje conta com cinco pontos de recarga (onde os clientes podem carregar seus cartões e fazer outras operações) no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, outros três na capital paulista (nas comunidades de Heliópolis e Paraisópolis).

Em breve deve chegar aos municípios de Rio das Pedras, em, São Paulo e Arapiraca, em Alagoas. Os planos são expandir ainda mais.

Nos pontos de recarga, os funcionários também vivem na região, o que facilita a interação com os clientes, que ainda podem esclarecer dúvidas pelo 0800 e WhatsApp.

“O objetivo é tornar tudo o mais simples possível. Fazemos um trabalho de orientação, de ‘formiguinha’. Alguns clientes não sabiam como usar o celular, nós ensinamos. Outros não sabiam qual boleto quitar primeiro. No início, praticamente todos pagavam suas contas atrasadas. Conversamos, fizemos cronogramas. Hoje, as contas atrasadas diminuíram 65%”, comemora a gerente Jeane Oliveira.  “O próprio CEO às vezes atua como atendente, para conhecer melhor as demandas dos clientes”, explica.

E de onde provém o ganho que assegura as operações? A receita vem do apoio de aceleradoras e do pagamento da mensalidade do cartão pré-pago usado pelos clientes (convertidos em bônus de celular), bem como um percentual sobre cada boleto pago e sobre as transações efetuadas em maquininhas de pagamento – as soluções do banco também podem ser usadas por comerciantes e microempreendedores, o que também contribui para impulsionar os negócios nas comunidades.

Nesses dois últimos grupos, antes alvos frequentes de bandidos ao realizar transações em bairros vizinhos, se reflete um dos impactos concretos do Banco Digital Maré: a diminuição da violência e o empoderamento do usuário.

“É gratificante atender comerciantes que antes perdiam dinheiro nos assaltos e ajudá-los a traçar planos de investimentos. É gratificante atender a mãe que não precisa mais pagar um cuidador para o filho quando precisa ir ao banco. E é gratificante atender pessoas maiores de 50 anos que nunca tinham pago um boleto pelo celular e mostrar que é possível”, comemora a gerente Jeane. “Tudo isso traz novas perspectivas e tem um impacto concreto na realidade”, conclui.


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