Nota técnica "Educar na era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação"

Notícias

28.11.2019
Tempo de leitura: 4 minutos

Bibliotecas comunitárias incentivam o hábito da leitura e acesso ao conhecimento

Abertos à comunidade, espaços promovem inclusão social e ajudam a disseminar cultura e informação em periferias das grandes cidades

Iniciativas sociais que envolvem as comunidades têm papel fundamental para promover inclusão em países como o Brasil. No campo da cultura e da educação, as bibliotecas comunitárias são um exemplo de como o engajamento popular pode impulsionar a leitura, o desenvolvimento intelectual e o acesso à informação.

Pesquisa realizada entre janeiro de 2017 e junho de 2018 pela Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC) indica que 86,7% dessas bibliotecas estão localizadas em zonas periféricas de áreas urbanas em regiões de elevados índices de pobreza, violência e exclusão de serviços públicos. Lá, as bibliotecas comunitárias se tornam espaços de democratização do conhecimento, impulsionando a formação de leitores e cidadãos mais conscientes.

Segundo o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), o Brasil tem 6.057 espaços deste tipo, quantidade considerada insuficiente por especialistas. Segundo o SNBP, o Sudeste concentra 1.957 equipamentos (32%). Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atesta que a presença de bibliotecas em municípios brasileiros em 2018 era menor do que quatro anos antes: o número de cidades com bibliotecas caiu de 97,1%, em 2014, para 87,7%.

“Quando fui à Bienal do Rio, vi outras crianças pegando livros nas estantes, lendo e colocando de volta por não terem dinheiro para comprar”, conta Lua, como carinhosamente é conhecida. “Fiquei dois dias com aquilo martelando na cabeça e tive a ideia de criar a biblioteca.”Um bom exemplo vem da Ladeira dos Tabajaras, comunidade de Copacabana, no Rio de Janeiro. Com apenas 12 anos, Raíssa Luara de Oliveira, criou uma biblioteca comunitária, que abriu as portas em outubro.

Com o apoio da mãe e da vice-presidente da associação de moradores da comunidade, Lua postou um vídeo nas redes sociais pedindo doações. Em pouco tempo, conseguiu livros e móveis para a biblioteca Mundo da Lua, que hoje tem um acervo de mais de cinco mil livros.

Biblioteca comunitária Mundo da Lua

Além de incentivar o hábito da leitura, Lua destaca que a biblioteca virou um lugar de convivência, aprendizado e incentivo à cultura. Um grupo de 20 crianças, que antes passava bastante tempo na rua por falta de opções de lazer, agora frequenta a biblioteca todas as tardes para ler, brincar e participar de oficinas de artesanato e contação de histórias.

Lua espera este número aumentar cada vez mais e tem grandes planos. “Quero fazer uma biblioteca para todos. Criança, adulto, pessoas com deficiência… Já temos um livro em braile e quero aprender Libras”, afirma a jovem, cheia de sonhos para o espaço que idealizou.

Garagem literária

Em março de 2018, a professora e jornalista Tamires Frasson, 26 anos, do coletivo Literocupa, criou uma biblioteca comunitária na garagem da própria casa, no Jardim Itatiaia – bairro na periferia de Jaú, no interior de São Paulo, com pouco acesso a serviços públicos. O local funciona no primeiro e no terceiro sábados de cada mês e tem um acervo é de três mil livros.

Atualmente, o público é formado por crianças de 7 a 13 anos e já conta com 100 leitores cadastrados. Além de pegarem livros emprestados, esses jovens são os que mais participam de projetos paralelos, como saraus, apresentações em eventos do bairro e construção de uma praça.

Biblioteca comunitária criada pelo Coletivo Literocupa

“Antes, não havia nenhum espaço de cultura no bairro. Mesmo abrindo duas vezes por mês, vemos o quanto isso já mudou no desenvolvimento dessas crianças. Os próprios pais comentam a respeito”, celebra Tamires.

Já no extremo sul da capital paulista, em Parelheiros, a Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura, atua há dez anos em prol da comunidade local. Sidinéia Aparecida Chagas, 28 anos, articuladora, gestora e mediadora de leitura do local, conta que a unidade já se consolidou como um espaço para discussões sobre direitos humanos e direito à literatura, criação de vínculos afetivos, cultura e lazer.

A biblioteca contribui muito com a educação, pois incentiva a formação de leitores. Isso ajuda no rendimento escolar do jovem, que começa a ler e escrever melhor, a interpretar textos e a se encontrar. É importante que haja bibliotecas, políticas públicas e democratização no acesso ao livro não apenas nas regiões centrais, mas também nas periferias” também nas periferias”, finaliza.


Outras Notícias

10 motivos para incentivar jovens a ingressar na Educação Profissional e Tecnológica

26/02/2026

10 motivos para incentivar jovens a ingressar na Educação Profissional e Tecnológica

Desenvolvimento de soft skills e mais oportunidades no mercado de trabalho são alguns benefícios que a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) proporciona aos jovens

O papel da educação em diferenciar conhecimento humano e respostas de Inteligência Artificial

20/02/2026

O papel da educação em diferenciar conhecimento humano e respostas de Inteligência Artificial

Letramento digital, pensamento crítico e ensino de IA no currículo ajudam estudantes a reconhecerem quando há compreensão real ou apenas imitação convincente, e a avaliarem informações com mais segurança

Glossário de Tecnologia: confira os principais termos da educação digital e IA

12/02/2026

Glossário de Tecnologia: confira os principais termos da educação digital e IA

Entenda os conceitos essenciais para integrar tecnologias digitais e inteligência artificial às práticas pedagógicas de forma crítica e responsável

5 plataformas digitais gratuitas para fortalecer o ensino da matemática

09/02/2026

5 plataformas digitais gratuitas para fortalecer o ensino da matemática

Ferramentas pedagógicas combinam neurociência, gamificação e inteligência de dados para apoiar o letramento matemático e a recomposição de aprendizagens nas redes públicas

Cidadania Digital ganha protagonismo nas escolas públicas de Pernambuco

05/02/2026

Cidadania Digital ganha protagonismo nas escolas públicas de Pernambuco

Fundação Telefônica Vivo apoiou a elaboração do Currículo Complementar de Educação Digital e Midiática do estado, contribuindo tecnicamente para integrar a Computação de forma transversal em todas as etapas de ensino

OCDE aponta 4 competências essenciais para o futuro do trabalho e da educação

30/01/2026

OCDE aponta 4 competências essenciais para o futuro do trabalho e da educação

Letramento, matemática, resolução de problemas e habilidades socioemocionais são competências-chave para acompanhar as transformações tecnológicas