Entre os muitos papéis da escola na formação dos estudantes, preparar a transição para o mundo do trabalho é cada vez mais relevante, especialmente diante das demandas atuais. No Ensino Médio, essa preparação se torna ainda mais importante, já que é um período em que os jovens começam a tomar decisões significativas sobre seus caminhos acadêmicos e profissionais.
Nesse contexto, a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) surge como uma alternativa concreta, mas ainda pouco explorada. Prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a EPT promove formação integral, articulando competências técnicas, desenvolvimento socioemocional e continuidade da trajetória educacional.
Os resultados mostram sua eficácia. Segundo dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2021, estudantes da EPT apresentam desempenho superior em Língua Portuguesa e Matemática quando comparados aos alunos do Ensino Médio regular.
Segundo o Censo Escolar 2025, o Brasil registra 3,18 milhões de matrículas na educação profissional, sendo 1,55 milhão na rede pública. Ainda assim, apenas 21,5% dos jovens do Ensino Médio frequentam cursos técnicos, um número distante da média de 44% dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Trata-se de um paradoxo: enquanto o mercado demanda profissionais qualificados, o acesso à formação técnica permanece limitado.
Para apoiar professores e gestores na orientação de seus estudantes, reunimos dez motivos que demonstram porque a EPT deve ocupar lugar central nas estratégias de permanência escolar e inserção produtiva dos jovens.
1. Amplia o acesso ao trabalho digno
De acordo com o estudo “Juventudes Fora da Escola” (2024), mais de 70% dos jovens que abandonaram os estudos desejam retornar à escola, e a principal motivação é a possibilidade de conseguir um emprego melhor e alcançar reconhecimento social. A EPT responde diretamente a essa demanda ao oferecer formação alinhada ao mercado de trabalho, abrindo portas para oportunidades formais que poderiam ser inacessíveis sem qualificação técnica.
2. Eleva a empregabilidade juvenil
Jovens com formação técnica têm mais chances de emprego formal e de evolução na carreira. Um estudo da Fundação Roberto Marinho (2024) revelou que 60% das empresas consideram o curso técnico um diferencial na hora de selecionar candidatos. Em 42% delas, jovens com essa formação evoluem de cargo, e 61% delas têm ao menos um gestor vindo de trajetória técnica. Ou seja, EPT amplia não apenas a entrada, mas também o crescimento dentro das organizações.
3. Garante salários mais altos
A remuneração de técnicos é, em média, 32% maior do que a de egressos do Ensino Médico regular, segundo o estudo “Potenciais efeitos macroeconômicos com expansão da oferta pública de Ensino Médio técnico no Brasil”. Dados do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) indicam aumento de renda que variam entre 13% a e 100%, dependendo do curso. Apresentar esses números em sala de aula mostra aos jovens que a EPT é uma perspectiva concreta de ascensão social.
4. Desenvolve competências socioemocionais essenciais
Além das habilidades técnicas, a EPT forma jovens capazes de se relacionar, colaborar, resolver problemas e tomar decisões. Soft skills como liderança, criatividade, pensamento crítico e inteligência emocional tornam-se diferenciais para a empregabilidade. A pesquisa Prospecção de Vagas de Entrada no Macrossetor de TIC, realizada pela Brasscom com a Fundação Telefônica Vivo e o Instituto Locomotiva, reforça que competências como vontade de aprender, resolução de problemas e trabalho em equipe estão entre as habilidades mais valorizadas pelas empresas do setor de tecnologia na contratação de profissionais juniores.
5. Aproxima estudantes de novas tecnologias
A EPT permite contato direto com ferramentas, equipamentos e sistemas alinhados às demandas reais do mercado. No setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), por exemplo, 84% das empresas esperam que profissionais juniores tenham conhecimento de computação em nuvem e infraestrutura de TI, 70% valorizam conhecimentos em inteligência artificial e 62%, em segurança cibernética, de acordo também com a pesquisa da Brasscom. Jovens formados pela EPT chegam mais preparados para o mercado com os desafios tecnológicos atuais, o que os diferencia logo na largada.
6. Prepara melhor para o Ensino Superior
Estudo do Insper mostra que egressos do ensino técnico têm maior probabilidade de ingressar no Ensino Superior. A formação técnica contribui para escolhas acadêmicas mais maduras e reduz a evasão universitária, fortalecendo percursos educacionais sustentáveis.
7. Oferece aprendizagem prática e contextualizada
A abordagem prática da EPT aproxima teoria e realidade profissional. Em muitos cursos, quem ensina também atua profissionalmente na área, o que traz uma dimensão de contexto que o Ensino Médio regular dificilmente consegue oferecer. Para gestores pedagógicos, vale destacar que essa abordagem prática também explica os melhores resultados dos alunos da EPT nas avaliações de Língua Portuguesa e Matemática do Saeb: quando o conhecimento faz sentido, ele é absorvido com mais facilidade.
8. Favorece a inserção profissional mais rápida
Os percursos formativos da EPT são variados: cursos técnicos com duração mínima de 800 horas, qualificações de curta duração e tecnólogos que podem ser concluídos entre dois e três anos. Isso permite que jovens ingressem no mercado durante ou logo após o Ensino Médio, sem esperar longos ciclos de formação.
9. Reduz a evasão escolar
Quando o estudante enxerga conexão entre o que aprende e o que pode construir de futuro, o engajamento aumenta. Pesquisas indicam que 8 em cada 10 jovens que abandonaram os estudos voltariam à escola se tivessem acesso a cursos técnicos. Oferecer — ou orientar para — a EPT pode ser, literalmente, o que mantém um jovem na escola.
10. Impulsiona o desenvolvimento econômico do país
A expansão da EPT pode elevar o PIB brasileiro em até 2,32%, segundo a pesquisa “Potenciais efeitos macroeconômicos com expansão da oferta pública de Ensino Médio técnico no Brasil”. O setor de TIC, que movimentou R$ 762,4 bilhões em 2024 (6,5% do PIB) e projeta crescimento de 9% ao ano, é um bom exemplo: 82% das empresas do setor planejam ampliar suas equipes nos próximos dois anos, e quase metade das vagas será destinada a estagiários e profissionais juniores. Cada professor ou gestor que orienta um jovem para a EPT está contribuindo, diretamente, para preencher essa lacuna.
Em 2025, o Programa Pense Grande Tech, da Fundação Telefônica Vivo, consolidou uma trajetória marcada por expansão territorial, alcance e diversidade junto aos estudantes do Ensino Médio profissional dos cursos técnicos em tecnologia, além de professores, gestores escolares e Secretarias Estaduais parceiras. Com ações presenciais e online, o programa reafirma seu compromisso de fortalecer a Educação Profissional e Tecnológica (EPT), ao integrar currículo, práticas pedagógicas, governança e iniciativas que aproximam os jovens do mundo do trabalho.
Confira a retrospectiva 2025 em: Retrospectiva Programa Pense Grande Tech 2025.

