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21.10.2019
Tempo de leitura: 6 minutos

enlightED 2019: as pessoas dão sentido ao avanço da tecnologia

Conferência mundial reúne especialistas para debater como avanço da revolução 4.0 impacta o campo da educação e o mercado de trabalho

Palco do enligthED tem dois telões grandes e convidados palestrando. Evento mundial debateu como avanço da tecnologia impacta o campo da educação e no mercado de trabalho.

Os novos desafios educacionais do século XXI e o papel do ser humano no avanço da tecnologia foram as principais pautas da conferência mundial enlightED, que aconteceu no início de outubro em Madri, na Espanha.

A segunda edição do evento, organizado pela Fundação Telefônica Espanha, pela IE University, pela Fundação Santillana e pela South Summit, trouxe em diferentes painéis a necessidade de tornar universal o acesso ao sistema educacional e às ferramentas digitais, fazendo com que a tecnologia esteja a serviço de um mundo mais humano e conectado.

“São as pessoas que dão sentido à tecnologia e não o contrário”, afirmou logo na abertura José María Álvarez-Pallete, presidente global da Telefónica.

Confira os principais destaques do evento:

Revolução Digital na América Latina

A revolução digital e a inteligência artificial já são uma realidade em diversos âmbitos da vida, porém, seu uso não é equitativo, segundo Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas.

Ela avalia que preparar as escolas para o século XXI implica, necessariamente, em formar bem os professores, assim como garantir oportunidades iguais aos estudantes.

“O Brasil está presente na internet, até mais do que outros países da América Latina. Mas estamos usando bem a tecnologia? A minha quase certeza é que ainda não”, explica a especialista em políticas públicas, apontando que tanto a educação quanto o avanço da tecnologia devem contribuir para a formação no mercado de trabalho e para a vida.

Se no final do século XVII a máquina a vapor foi um passo importante para a 1ª Revolução Industrial, no século XXI são os robôs os impulsores da quarta fase da industrialização. A automação continuará transformando a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos.

É uma mudança de paradigma e também significa um ponto de inflexão no debate acerca da educação. Claudia celebra que “para nossa sorte, isso vem evoluindo de uma maneira mais lenta no Brasil”, embora a robotização acelerada já esteja colocando postos de trabalho em risco. “Ou a gente age rápido, ou perde o trem da história”, avisa.

Outra palestrante brasileira no enlightED, Lucia Dellagnelo, diretora-presidente do Centro de Inovação para Educação Brasileira, sinalizou na mesma direção. “No Brasil, somos grandes usuários, mas ainda somos só consumidores de tecnologia e não realmente usuários críticos que conseguem entender as implicações que essa tecnologia traz para a nossa vida cotidiana”.

Para Lucia, tanto professores quanto alunos têm muito a aprender sobre tecnologia, assim como saber usá-la de forma ética. “Isso é muito importante, porque a tecnologia cria um novo espaço público onde ainda não ficou claro quais são essas regras de convivência”.

Pensamento Crítico

A discussão em torno do pensamento crítico também foi pauta do enlightED. A ministra da Educação da Espanha, Isabel Celaá, falou logo no início: “as escolas devem estar preparadas para gerar conhecimentos, pensamento crítico e habilidades para que os alunos pensem por conta própria”.

Isabel Celaá, ministra da educação da Espanha, está falando ao microfone no palco do EnligthED, evento mundial que debateu como avanço da tecnologia impacta o campo da educação e no mercado de trabalho.

Na mesma linha, Andreas Schleicher, diretor do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), afirmou que não se trata apenas de quanto os alunos sabem sobre Biologia ou Filosofia, mas se eles sabem pensar como um científico ou um filósofo.

O historiador e professor britânico da Universidade de Stanford Niall Ferguson lembrou do importante papel da internet nas democracias e do poder das plataformas digitais na difusão de notícias falsas. Nesse aspecto, o autor de A Praça e a Torre. Redes, hierarquias e a luta pelo poder global argumenta que a educação na era digital é fundamental.

Estereótipos sociais e habilidades>

O psicólogo americano Andrew Meltzoff, da Universidade de Washington ressaltou que é importante combater os estereótipos sociais que afetam a aprendizagem das crianças, os desejos e sonhos delas sobre quem podem ser no futuro.

“Isso acontece especialmente com as meninas, que acabam se sentindo persuadidas a não cursarem as disciplinas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Matemática), porque sentem que não pertencem a essas áreas, elas internalizam esses estereótipos e pensam que não são boas nisso”, ressaltou o pesquisador da infância e autor do livro “O Cientista no Berço”.

Já de acordo com Anthony Salcito, vice-presidente global de Educação da Microsoft, o avanço da tecnologia sozinho não muda o aprendizado. “O valor da educação nunca foi tão grande no que se refere ao desenvolvimento da força de trabalho e das lacunas que surgirão. Não precisamos de tecnologias incríveis. O papel dos educadores é crucial para preparar os trabalhadores do futuro”, afirma.

Anthony Salcito está no palco do enligthED. O vice-presidente global de Educação da Microsoft falou que o avanço da tecnologia sozinho não muda o aprendizado.

As qualidades menos automatizáveis foram consideradas por alguns especialistas como fundamentais para a educação do século XXI. Salcito, que já foi gerente-geral de educação nos Estados Unidos e ajudou a elaborar projetos educacionais contra a exclusão digital do país, destacou que as escolas precisam aprender a maneira mais eficaz de utilizar a tecnologia na sala de aula, ao mesmo tempo em que devem transmitir aos alunos habilidades como criatividade, comunicação, colaboração e pensamento crítico.

O diretor do PISA, Andreas Scheleider, defendeu que as competências imprescindíveis que deveríamos potencializar nas escolas são a “empatia, a curiosidade, a liderança e a colaboração”.

Tecnologia e felicidade

Segundo o CEO da Happiness Studies Academy e professor da Universidade de Harvard, Tal Ben-Shahar, é necessário enfocar nas relações reais, em vez de colocar tanta luz sobre as interações virtuais, pois o contato com as outras pessoas é a chave para sermos muito mais felizes.

Tal Ben-Shahar, CEO da Happiness Studies Academy e professor da Universidade de Harvard, está sentado em frete a uma estante com livros. No enlightED, ele relacionou o avanço da tecnologia à felicidade.

“Encontrar um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional é muito difícil. O que precisamos procurar é o equilíbrio certo entre estresse e recuperação ou trabalho e relaxamento. Portanto, precisamos ter períodos em que simplesmente desligamos, onde nos desconectamos da tecnologia e nos conectamos com as pessoas. Este é o equilíbrio que precisamos procurar. Não há problema em trabalhar duro. Não há problema em ser multitarefa. Mas também é importante ouvir o chamado da serenidade durante o dia”, declarou.

Infográfico lista dez principais assuntos tratado no enlightED, que debateu o avanço da tecnologia: A transformação digital e a educação na América Latina; Cultura e habilidades da computação; A revolução 4.0 e o que muda na educação; As habilidades dos professores da era digital; A emergência das tecnologias digitais no mundo do trabalho; STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática); Ciência da felicidade; As mudanças da neurociência que impactam o ensino; Construção de um sistema de ensino para o século XXI; Ferramentas contra ameaças digitais (privacidade e desinformação)

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