Informe Social 2025: inclusão digital como chave para a equidade na educação pública.

Notícias

29.08.2022
Tempo de leitura: 6 minutos

Entenda como simuladores virtuais trazem inovação para as aulas de ciências e despertam o interesse dos alunos

Simuladores virtuais ajudam os alunos a entenderem a aplicação prática de conceitos matemáticos e fenômenos da química, da física e da biologia.

Imagem mostram adolescentes acessando o celular para fazer simulações

Não é novidade para os professores, a dificuldade de despertar interesse nos alunos por assuntos como função matemática, números inteiros ou isótopos. Os estudantes dizem não ver sentido prático nestes conhecimentos e, por isso, não se sentem estimulados a aprender. Ao mesmo tempo, a escola pública dispõe de poucos recursos para fazer experimentações que demonstrem a relevância desses conceitos. Porém, com a ajuda dos simuladores virtuais, os educadores conseguem fazer com que a turma compreenda, em exercícios práticos, como matemática, física, química e biologia impactam suas vidas e são usadas no dia a dia de todas as pessoas.

Rosângela Griep é professora de matemática do ensino médio do Instituto Federal do Mato Grosso (IFMT), em Sorriso (MT). Ela diz que começou a trabalhar com simuladores em 2017 porque precisava de algum recurso capaz de tornar menos abstrato o ensino da sua disciplina. “Eu percebi que as universidades e as escolas privadas de ensino médio usavam simuladores e decidi trazer essa metodologia para minha sala de aula.”

Griep explica que esse tipo de ferramenta aumenta o engajamento dos alunos com o aprendizado da disciplina, ao tornar visual e palpável o uso de conceitos como equações e variáveis. Além disso, trazem dispositivos móveis para o processo de aprendizagem: “hoje, o celular está na palma da mão de quase todo estudante. Os simuladores são uma forma interessante de tornar o celular efetivamente uma ferramenta pedagógica”, ressalta.

Entenda como funciona o simulador PhET e como ele pode inovar a aprendizagem de ciências

Nas suas aulas, Griep utiliza o PhET Interactive Simulations, um recurso educacional aberto e gratuito, desenvolvido pela Universidade de Boulder, no Colorado (EUA), que oferece simulações de física, química, matemática, ciências da natureza e biologia para professores utilizarem em sala de aula. “Gosto desse simulador porque ele traz muitos recursos e planos de aula compartilhados por professores”, conta.

O objetivo da plataforma é estimular o envolvimento dos alunos e, para isso, busca: incentivar a investigação científica, fornecer interatividade, tornar visível o invisível, mostrar modelos mentais visuais, incluir várias representações (objeto de movimento, gráficos, números etc.), usar conexões com o mundo real e criar uma simulação que possa ser, de forma flexível, usada em muitas situações educacionais.

Como planejar uma aula utilizando simuladores virtuais educacionais

A professora enfatiza, no entanto, que para o trabalho com simuladores funcionar é preciso organização. “Sem planejamento, os simuladores acabam se tornando um elemento decorativo da aula, e não um recurso metodológico”, adverte. Ela conta que o primeiro passo é selecionar quais simulações serão utilizadas e desenhar um caminho e de experimentação para os alunos.

“Em geral, peço para eles explorarem a simulação em casa, usando o celular, e trazerem suas impressões para compartilharem com os colegas em sala de aula. Depois, apresento um roteiro que eles devem seguir ao observar a mesma simulação que exploraram em casa. Novamente, eles precisam compartilhar as impressões dessa experiência ‘guiada’”, descreve Griep, que garante notar mais interesse dos alunos nas suas aulas com essa ferramenta.

A Olimpíada Matific de Matemática vai acontecer entre os dias 12 e 16 de setembro de 2022. Trata-se de uma das mais importantes competições do gênero no mundo e tem como objetivo despertar nos estudantes o gosto em aprender matemática. As inscrições já estão abertas e vão até o dia 9 de setembro. A escola interessada basta clicar aqui para fazer seu cadastro de inscrição gratuito.

A Matific é uma plataforma digital desenvolvida por especialistas de educação, cujo foco é a aprendizagem de matemática por meio de jogos e simulações.

Simuladores virtuais educacionais: a importância da formação de professores

Em muitas escolas que não possuem laboratórios físicos, os simuladores funcionam como laboratórios virtuais. “É importante o professor entender que se trata de simulações científicas, que precisam ser planejadas antes para funcionarem. Um planejamento semelhante ao que se faz para o uso de um laboratório”, explica o professor de matemática Júlio Cavalcanti, da coordenadoria de inovações educacionais da Secretaria Municipal de Educação de Passo Fundo (RS).

No final de 2021, a rede municipal organizou uma formação de professores para o uso de simuladores em sala de aula. Para tanto, a ferramenta escolhida também foi o PhET, em razão da diversidade de simulações oferecidas e por ter uma versão mobile muito eficiente. “Existem outras opções excelentes quando se fala em simuladores educacionais. Posso citar o Algodoo, Geogebra, Tracker, entre outros”, exemplifica  Cavalcanti.

Pouca oferta de formação para professores das redes públicas

No entanto, iniciativas como a de Passo Fundo são raras. Apesar dos simuladores educacionais já existirem há um bom tempo, sua utilização nas redes públicas de ensino ainda é muito tímida. O PhET, por exemplo, foi lançado em 2002; e o Algodoo em 2009.

Rosângela Griep atribui esse cenário ao desconhecimento do professor sobre a existência dessas ferramentas e à escassa oferta de formação. “Eu dou aula no Campus da cidade de Sorriso. Por aqui desconheço qualquer formação de professores voltada para o uso destas ferramentas. Talvez tenha algo em Cuiabá (capital do estado). O professor interessado nesse tipo de inovação acaba tendo que se formar no YouTube, buscando algum tipo de tutorial sobre o assunto”, explica.


Outras Notícias

Implementar a BNCC Computação é o caminho para trabalhar inteligência artificial na escola

27/07/2026

Implementar a BNCC Computação é o caminho para trabalhar inteligência artificial na escola

As competências necessárias para compreender algoritmos, dados e os impactos da IA já estão previstas nas diretrizes para o ensino da computação. O desafio das redes de ensino agora é transformar os currículos já atualizados em experiências concretas de aprendizagem

12 jogos gratuitos para desenvolver pensamento computacional e raciocínio lógico na escola

20/07/2026

12 jogos gratuitos para desenvolver pensamento computacional e raciocínio lógico na escola

Lista reúne opções digitais e de tabuleiro que transformam conteúdos curriculares em desafios interativos e ajudam estudantes a desenvolver habilidades essenciais para a resolução de problemas.

ECA Digital amplia a proteção de crianças e adolescentes e fortalece a cidadania digital nas escolas

15/07/2026

ECA Digital amplia a proteção de crianças e adolescentes e fortalece a cidadania digital nas escolas

A atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente incorpora novos desafios do ambiente digital e amplia a responsabilidade das escolas na formação dos estudantes. Para apoiar educadores, a Fundação Telefônica Vivo oferece gratuitamente o curso Cidadania Digital, da plataforma Escolas Conectadas.

Formação de professores de matemática: como a tecnologia pode apoiar a aprendizagem docente

08/07/2026

Formação de professores de matemática: como a tecnologia pode apoiar a aprendizagem docente

Resultados da Prova Nacional Docente evidenciam desafios na formação de professores e mostram como tecnologias digitais podem apoiar o desenvolvimento profissional docente e contribuir para a aprendizagem em matemática.

IA na educação: o que dizem MEC, BNCC e especialistas sobre o uso nas escolas

02/07/2026

IA na educação: o que dizem MEC, BNCC e especialistas sobre o uso nas escolas

Diretrizes da Base Nacional Comum Curricular - Computação e outros documentos mostram como usar inteligência artificial com foco em equidade, formação de professores e proteção de dados

Cidadania digital e respeito às diferenças: o papel da BNCC Computação e do ECA Digital na escola

25/06/2026

Cidadania digital e respeito às diferenças: o papel da BNCC Computação e do ECA Digital na escola

No mês do Orgulho LGBT, dados apontam o avanço do discurso de ódio online contra a população LGBTQIA+ no Brasil; BNCC Computação e ECA Digital indicam caminhos para que a escola forme estudantes preparados para uma convivência ética, crítica e responsável no ambiente digital